Há provas de que as urnas eletrônicas são fraudadas nas eleições #boato

Vamos direto ao ponto: tudo que foi dito até agora para reforçar a tese de que há fraude nas urnas eletrônicas brasileiras são fake news ou teses não comprovadas. Entenda!

Desde que Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves nas eleições de 2014, uma atmosfera de desconfiança pairou diante da idoneidade do sistema eleitoral no país. Entre “brincadeiras levadas a sério” (como a teoria do “se vocês soubessem o que aconteceu ficariam enojados”) e discursos políticos, uma tese tem sido cada vez mais reforçada: as urnas eletrônicas brasileiras seriam fraudadas.

É assim: dia após dia, teses mirabolantes circulam na internet e colocam em cheque o sistema de votação no Brasil. Só no período eleitoral (desde 16/08/2018) derrubamos 15 histórias falsas sobre o tema (ver links ao final do texto). Doze delas foram publicadas nos últimos 30 dias.

Não faltou repertório nas fake news sobre urnas eletrônicas. Desde informações falsas sobre a “Venezuela” ou o “PT” controlar as urnas até “denúncias” de mal funcionamento (como o 17 que “vira” 13 e o boletim de urna com “muitos votos para Haddad”) passando por “provas” da fraude como “apreensões de urnas no AM, RS e em locais desconhecidos”.

Se estendermos a lista de fake news às desmentidas pelos parceiros do Boatos.org no “#CheckBR”, temos outros exemplos: teve o caso das urnas apreendidas no PR (Comprova), que só três países usam urnas eletrônicas (E-farsas), que o voto em papel está disponível nas eleições (Lupa), que as urnas foram hackeadas (Aos Fatos), da denúncia de um advogado (Fato ou Fake), da denúncia de fraude em 2014 (Truco) e tantos outros usados para reforçar a teoria de fraude nas urnas.

Com tantos argumentos (falsos, por sinal), o que não faltam são postagens que mostram que há gente convencida disso. Em uma rápida busca no Facebook, achamos as seguintes declarações:

1) Gente as urnas irão ser fraudadas, o PT não é o unico inimigo, ele é parte do sistema! Quero estar errado, mas sou tipo São Tomé! 2) Todos estão vendo a vantagem do bolsonaro ! Se as urnas forem fraudadas e o PT ganhar, cabe a nós parar esse país ! 3) Somos proibidos agora de denunciar urnas fraudadas! Que democracia é essa p…?

Mas e aí… as urnas eletrônicas são fraudadas nas eleições brasileiras?

Sabemos que é bem possível que esse texto não vá mudar a sua opinião sobre urnas eletrônicas (infelizmente, está virando dogma). Mesmo assim, é nossa obrigação neste 28 de outubro de 2018 dar uma informação sobre o assunto: tudo que foi dito até agora para reforçar a tese de que há fraude nas urnas eletrônicas brasileiras são fake news ou teses não comprovadas. Para além disso, temos mais cinco pontos a destacar.

Primeiro ponto: O histórico

Nunca ocorreu uma comprovação de fraude em urnas eletrônicas nas eleições no Brasil. Estamos partindo para nossa 12ª eleição com urnas eletrônicas (13ª se contarmos o referendo de 2005). De 1996 para cá, nunca uma eleição foi impugnada por causa de denúncia de fraudes em urnas eletrônicas.

Nestes 22 anos, partidos de esquerda venceram às eleições, partidos de direita venceram as eleições (muitas em 2018, inclusive) e até ideias (como a da não proibição da venda de armas de fogo) compartilhadas pelas mesmas pessoas que acreditam na teoria da fraude venceram sob a “benção” das urnas. Ou seja: sequer há um exemplo para atestar a teoria de fraudes.

Segundo ponto: Os estudos falam apenas em possibilidade de fraude, nunca de fraude em si

Muitas pessoas tomam como “base” para a teoria das fraudes a tese de que as urnas eletrônicas poderiam ser fraudadas. Se formos pensar de forma mais cartesiana, não existe sistema eletrônico infalível (isso vale para sistemas de bancos, redes sociais e qualquer outro). Mas aí temos uma diferença entre possibilidade e o que pode ser feito de fato.

Mesmo as possibilidades de fraudes apontadas em testes de segurança promovidos pelo TSE tendem a ser sanadas por dois detalhes: 1) O TSE pode solucionar as falhas (como fez em 2017 e 2018). 2) Tudo que foi falado nos estudos foi em tese. Como falamos antes, não há provas de que qualquer fraude teria sido colocada em prática.

Terceiro ponto: O voto em cédula não é necessariamente mais seguro

Muitas pessoas têm a impressão de que o voto em cédula é mais seguro. Se formos pensar de forma mais objetiva, é muito mais fácil uma contagem manual de votos ou mesmo um voto em papel ser fraudado.

Enquanto nunca houve fraude comprovada em urnas eletrônicas, a história mostra alguns casos de suspeitas de fraude em papel. Só para citar um exemplo: em 1982, eleições no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul passaram por suspeitas na apuração. Ou seja: a troca por um sistema em cédula não seria exatamente a garantia do fim das desconfianças.

Quarto ponto: As urnas podem ser auditadas

Há também uma tese que aponta que as urnas eletrônicas não poderiam ser auditadas e isso poderia dar margem para fraudes. Essa informação também é errônea. Há mais detalhes neste vídeo (feito pelo site porque.com.br com a Agência Lupa) ou nesse link do TSE que mostra algumas formas de auditorias.

Quinto ponto: A lógica

Se nada do que foi dito anteriormente lhe convenceu, há ainda um ponto: a lógica. Imagine só quantas pessoas precisariam estar envolvidas em um grande esquema de fraude de urnas eletrônicas numa, por exemplo, eleição presidencial.

Visto que o sistema não é conectado à internet, que a urna passa por auditorias, que os boletins de urna são impressos e podem ser conferidos pelo público (e até comparados com os dados dos resultados da transmissão de dados) e que a urna não é conectada à internet (o que necessita um esforço extra para uma fraude externa), teríamos um grande esquema envolvendo tanta gente que, de alguma forma teria vazado. E, como você sabe, não vazou.

Só para terminar esse tópico: as campanhas eleitorais costumam investir milhões em publicidade, propagandas na TV, os candidatos se expõem a debates e a ataques para ganhar uma eleição. Se a fraude fosse tão simples de ser realizada, o caminho não seria “poupar” todo o gasto de tempo e energia com o “resto”?

Conclusão

Com base em todas as informações que passamos e todo o histórico do discurso que afirma que as urnas são fraudadas (que se baseiam em possibilidades ou desinformação), podemos dizer que a tese que aponta que as urnas são fraudadas são, por enquanto, um boato.

É claro que a sociedade deve pressionar por iniciativas que aumentem a transparência do processo eleitoral e fiscalizar o andamento dele (faz parte da democracia). Porém, inventar histórias sobre a idoneidade do processo sem ter provas para isso ou tentar “fabricar provas” não passa estratégia eleitoral (nem sempre a mais limpa) ou tentativa de “tacar lenha na fogueira”.

Em tempo: a própria equipe do PSDB fez uma auditoria no resultado das eleições de 2014 após denúncia de suposta fraude na eleição de Dilma. Em 2015, peritos do partido concluíram que não houve fraude nas urnas eletrônicas. 

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Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

Neste sábado (27) e domingo (28), o Boatos.org se uniu a outras cinco agências de checagens de notícias no Brasil para checar as mensagens de conteúdo suspeito nesta reta final das eleições. A ideia de juntar forças é para ganhar mais agilidade e aumentar o alcance das checagens. A parceria reúne o E-farsas, Agência Lupa, Aos Fatos, Projeto Comprova e Fato ou Fake. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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