Ofertas falsas de brindes grátis enganam (de novo) milhões de “inocentes” no WhatsApp

Neste A Semana em Fakes, Edgard Matsuki (editor do Boatos.org), alerta para as ofertas falsas de brindes grátis que se espalham no WhatsApp. Além de enganar internautas, mensagens fazem com que golpistas faturem com publicidade e roubem dados.

Todo brasileiro que utiliza o WhatsApp já se deparou com aquela mensagem de um parente, amigo ou desconhecido que promete um grande brinde grátis para quem acessar um site, colocar alguns dados pessoais e compartilhar o link com um certo número de amigos no aplicativo.

Nesta semana, mais um desses golpes (que apontava que a Amazon estaria dando um celular grátis para “todo mundo” por causa de um aniversário de 30 anos) se espalhou no WhatsApp e enganou milhões de pessoas mundo afora. Nos últimos 30 dias, o Boatos.org teve que desmentir esse tipo de informação falsa nada menos do que 12 vezes.

As mensagens enganosas variavam de celulares “dados por empresas” como Amazon, Skol, Renner e Fedex passavam por sazonalidades (como o Dia Internacional da Mulher e a Páscoa), falavam em benefícios do governo (como vale-compras, pagamentos mensais e vale-gás) e chegavam a assuntos diversos como distribuição de máscaras, petições ou vagas de emprego.

Dada essa quantidade de promoção falsas e pessoas enganadas, resolvemos explicar (como base na nossa experiência desmentindo esse tipo de balela) como funciona, qual é o objetivo e como você pode se proteger deste tipo de golpe.

1) Por que alguém inventa esse tipo de promoção falsa e espalha na web? A resposta está no “dinheiro”. Em alguns casos, a intenção de quem cria essas ofertas falsas é atrair o internauta para um site repleto de publicidade e faturar em cima da promessa falsa. Em outros, a intenção é roubar dados pessoais para a realização de fraudes. Há, ainda, aqueles que incentivam o internautas a baixarem softwares maliciosos. Seja com publicidade, venda de dados ou softwares falsos (que podem possibilitar outros golpes como fraudes bancárias e sequestros de contas), o fato é que, quando o golpe tem grande alcance (como do que falava em nome da Amazon), o retorno financeiro é grande. Infelizmente, o crime, neste caso, compensa.

2) Como é realizado esse golpe? Independentemente da intenção, uma coisa é fato: o modus operandi dos golpistas é muito parecido. Trata-se de uma mistura de impulsionamento automático, mensagem atrativa e estrutura que se retroalimenta. Tudo começa com a criação de um site que tenta emular de uma grande empresa. A partir daí, os golpistas realizam disparos automáticos para milhares de telefones (muito provavelmente de dados já roubados anteriormente) com a “oferta irresistível”. Depois de conseguir alcançar o objetivo (roubar dados ou ganhar com publicidade), os golpistas incentivam as pessoas a compartilhar a mensagem falsa com amigos e assim mantém o boato vivo. Esse tipo de mensagem falsa tem um tempo de vida curto (em muitos casos, graças a sites que desmentem a falcatrua e sistemas que identificam os sites falsos como de phishing), mas isso não é empecilho para os golpistas. Uma vez descobertos, os sites são apagados e uma nova página é criada para um novo golpe.

3) Quem realiza esse tipo de golpe? É muito difícil identificar quem realiza esse tipo de golpe. Normalmente, tratam-se de sites registrados no exterior e com o recurso de proteção de domínio (para não identificar o criador deles). Porém, algumas coisas são possíveis de se perceber. É possível de se perceber que o golpe é realizado por algumas pessoas/grupos distintos. Em alguns casos, como nos dos “telefones grátis da Amazon, Skol, Renner e Fedex”, os golpistas são pessoas de fora do Brasil (e, provavelmente, os quatro golpes foram realizados pelas mesmas pessoas/grupos). Em outros casos, os golpistas são daqui mesmo.

4) Como se proteger deste tipo de golpe? A melhor receita é identificar esses padrões (ofertas incríveis distribuídas em sites com domínios que não são os oficiais) e evitar clicar ou compartilhar essas mensagens. Caso reste alguma dúvida, vale procurar em sites como o Boatos.org ou nos sites oficiais das empresas citadas. Caso você tenha caído no golpe, há algumas ações que você pode fazer. Caso você esteja recebendo notificações indesejadas, deve limpar os dados do seu navegador. Caso perceba que o celular está lento, vale salvar os dados e formatá-lo. Por precaução, é desejável que você troque as suas senhas que estavam salvas no dispositivo que usou para acessar o site falso e observe se seus dados foram utilizados para algum fim indesejado. Por fim, vale a dica de ouro: nunca mais entre em um site como esses. No WhatsApp, assim como na vida real, não existe almoço (ou celular) grátis.

Trends da semana

As palavras mais buscadas no Boatos.org nos últimos sete dias foram, em ordem decrescente, Amazon, Ivermectina, Whatsapp gold, Fiocruz, Argentina, WhatsApp gold, Flutamida, Enfermeira, Gambarelli e Proxalutamida

Os desmentidos mais lidos do Boatos.org nos últimos 7 dias foram, em ordem decrescente, sobre a falsa promoção da Amazon de celulares grátis, sobre a Fiocruz “ter dado um golpe na esquerda” ao construir um “parque de vacinação”, sobre um calendário nacional de vacinação até os “18 anos”, sobre Bolsonaro e a Fiocruz terem escondido vacinas nacionais e sobre um suposto “último louvor do Irmão Lázaro”.

No Twitter, a matéria com maior engajamento foi a sobre A promoção falsa em nome da Amazon. Um desmentido sobre uma “denúncia de uma enfermeira em relação a “estarem baixando oxigênio de intubados” foi o conteúdo mais compartilhado da semana do Facebook. No Instagram, o conteúdo com maior engajamento foi o que desmentia o “último louvor do Irmão Lázaro”. A checagem sobre a proxalutamida ser a cura comprovada da Covid-19 foi a mais vista no Telegram. No YouTube, o conteúdo mais visto da semana foi também o que falava da promoção falsa atribuída a Amazon.

Edgard Matsuki é editor do Boatos.org, site que já desmentiu mais de 6 mil notícias falsas

Uma das novidades do Boatos.org para 2021 é a seção “A Semana em Fakes”. Periodicamente, faremos análises sobre os assuntos mais recorrentes em termos de desinformação na internet. Este conteúdo ficará aberto para republicação em outros veículos de mídia. No momento, publicamos o conteúdo no Portal Metrópoles e Portal T5 (caso tenha interesse, entre em contato com o Boatos.org para saber as condições). Para ver todos os textos da seção, clique aqui.

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet