Flutamida é comprovada como a cura da Covid-19 #boato

Boato – A Flutamida foi comprovada como o remédio que cura a Covid-19. Só é preciso tomar o medicamento a partir do sétimo dia de infecção. Acabou a pandemia!

Vivendo o pior momento da pandemia (com recordes de mortes dia após dia), informações falsas sobre curas milagrosas têm voltado a viralizar na internet. Dentre sugestões de cura já derrubadas pela ciência (como os remédios do “tratamento precoce”, como ivermectina e hidroxicloroquina) e sugestões mais absurdas (como salada de pepino e limão com bicarbonato), sugestões de outros remédios sem comprovação para a doença têm circulado na internet. É o caso da história de hoje.

Mensagens em redes sociais dão conta de que o remédio Flutamida (indicado para o tratamento de câncer de próstata) seria a cura do coronavírus. O texto aponta que só seria preciso começar a usar a medicação a partir do sétimo dia para conseguir a cura. Mais do que isso, a mensagem aponta que a Covid-19 “acabou”. Leia:

Bom dia, pessoal! Venho hoje, após 1 ano de luta, declarar o que segue: A Covid 19, como conhecemos, acabou! Flutamida a partir do 7⁰- 8⁰ dia, 250 mg VO de 8/8h, dose de ataque de 500 mg, com acompanhamento médico, nos casos que não evoluem para a remissão após a primeira fase! Assistam ao vídeo e compartilhem para que chegue ao mundo!!! Abraços e fiquem, todos, com Deus!

Flutamida é comprovada como a cura da Covid-19?

A mensagem se espalhou com muita força na internet, deixou muita gente impressionada e gerou comentários do tipo “tem flutamida na farmácia. Não espere piorar” e possivelmente já deve ter feito pessoas “correrem” às farmácias. Mas calma lá, gente. Não é assim que funciona a coisa.

Desde o início da pandemia, o que não faltaram foram mensagens que alardeavam que a “cura” havia sido encontrada em um remédio já existente. Além dos casos mais famosos (e derrubados pela ciência) da cloroquina (incluindo a hidroxicloroquina) e ivermectina, remédios como a nitazoxanida e carvativir se apresentaram como promissores, mas as expectativas não se concretizaram.

O que temos com a Flutamida é um enredo mais ou menos parecido. Ao buscar por informações sobre estudos envolvendo o remédio ou quaisquer informações de autoridades em saúde sobre o uso dessa medicação contra a Covid-19, nada encontramos. Tudo que temos são relatos de que “alguém se curou por que tomou Flutamida”. Ou seja: evidências anedóticas e não científicas.

Em uma doença como a Covid-19, em que o grau de letalidade é, de acordo com a OMS, de 0,6%, é necessário que se façam estudos rigorosos do tipo “duplo-cego” para que se tenha uma conclusão em relação à eficácia da medicação. Para além disso, o estudo deve ser revisado por pares e publicado em uma revista científica. E, como falamos anteriormente, nada há qualquer estudo sobre a Flutamida publicado até o momento.

Para além disso, é importante citar que, além de não ter a eficácia comprovada, a medicação pode causar problemas se tomada em excesso. Estudos apontam para o grau de hepatotoxicidade da medicação. Em 2004, a Anvisa chegou a alertar que o remédio (que também chegou a ser usado para tratamento de acne e alopecia de forma off-label) causou a morte de quatro mulheres. A Folha chegou a fazer uma matéria na época.

Resumindo: apesar do alarde em redes sociais, infelizmente, a informação que aponta que a Flutamida foi confirmada como a cura da Covid-19 e que a “doença acabou” não procede. Para que tenhamos a confirmação disso (tomara que ela venha algum dia), precisamos de mais do que posts empolgados em redes sociais e “evidências não científicas”.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet