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Falácias contra o isolamento social na pandemia são mais uma prova de que as fake news podem matar

Falácias contra o isolamento social na pandemia são mais uma prova de que as fake news podem matar, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Ao reforçar teses esdrúxulas contra o isolamento social, notícias falsas confundem e, em alguns casos, jogam brasileiros para a morte. Edgard Matsuki, editor do Boatos.org, relembra algumas dessas mentiras. 

As fake news matam! Em uma semana na qual testemunhamos, mais uma vez, o recorde de mortos por Covid-19 no Brasil, essa frase se encaixa (novamente) no contexto do momento em que estamos vivendo.

Mesmo com mais de 10 mil brasileiros mortos em sete dias por causa da Covid-19, ainda há pessoas que insistem que não “podemos parar”, que “tudo é uma farsa” ou que “nada está acontecendo de errado”. Para reforçar essas teses inaceitáveis (para não dizer outra coisa), muitas pessoas se utilizam de informações falsas e distorcidas da realidade.

Boa parte dos mais de 650 fake news sobre a Covid-19 que desmentimos neste mais de um ano de pandemia tenta, de alguma forma, minimizar medidas (amargas, de fato) que ajudam a evitar a disseminação do novo (nem tão novo mais) coronavírus. Nesta semana, tivemos mais alguns exemplos de teses falsas que atentam contra a saúde de quem precisa se proteger contra a Covid-19.

No domingo passado (7), desmentimos um boato que relativizava as medidas de proteção em São Paulo. Um suposto vídeo do filho do governador João Doria dando uma festa se espalhou. Detalhe: não havia festa, o filho de Doria não estava na casa e a própria pessoa que gravou o vídeo desmentiu a tese. Mesmo com o nosso desmentido e com todas evidências posteriores, houve quem teimasse que a “verdade” estava na denúncia falsa.

Outro vídeo contra o isolamento social, desta vez, do Rio Grande do Sul (estado extremamente atingido pela pandemia) se espalhou na internet. Em um vídeo gravado no interior de um supermercado, a mulher bradava que “o comunismo havia se instalado no local”. O motivo? Um decreto que impedia a compra de produtos não-essenciais e que nada tem a ver com mudança de regime político no país.

Ainda nesta semana, falsos manifestos de “empresários” de diversas cidades do Brasil se espalhavam na internet. Os textos que pregavam a desobediência de decretos de fechamento do comércio, distorciam artigos da Constituição e parecem obra de uma ação orquestrada (alô, Polícia Federal) se espalharam, principalmente, no WhatsApp. Dentre as dezenas de versões que tivemos acesso, desmentimos três: de Ribeirão Preto (SP), Santos (SP) e Uberaba (MG).

Em todos os casos citados (e em tantos outros que não citamos aqui), o objetivo é o mesmo: enfraquecer a tese de que medidas de restrição ajudam a conter a Covid-19 e que tudo não passa de tentativas de desestabilizar o governo federal ao enfraquecer a economia. O resultado? Pessoas negligenciando e aglomerando, o vírus se disseminando e mais mortes ocorrendo por causa da Covid-19.

Trends da semana

As palavras mais buscadas no Boatos.org nos últimos sete dias foram, em ordem decrescente, Ivermectina, Adidas, Lula, Renner, Doria, Vacina espiritual, Novartis, Padre Marcelo Rossi, Invermectina e Donald Trump.

Os desmentidos mais lidos do Boatos.org nos últimos 7 dias foram, em ordem decrescente, sobre a promoção falsa de que a Adidas estaria dando sapatos de presente de Dia Internacional da Mulher, sobre a festa na casa do “filho do Doria”, sobre o boato de que a Rússia teria feito uma autópsia e descoberto a “farsa” da Covid-19, sobre a promoção de que a Renner estaria dando telefones no WhatsApp e sobre um vídeo em que Lula teria aparecido bêbado após decisão de Fachin sobre condenações na Lava Jato.

No Twitter, a matéria com maior engajamento foi o A Semana em Fakes que falava sobre a ausência de mortes por causa da vacinação no Brasil. Um desmentido sobre a cidade de Rancho Queimado (que teria vencido a Covid-19 com “tratamento precoce”) foi o conteúdo mais compartilhado da semana do Facebook e o mais visto no Telegram. No Instagram, o conteúdo de maior engajamento foi o desmentido do falso vídeo de Lula bêbado. Por fim, no YouTube, o conteúdo mais visto da semana foi o que desmentia o boato sobre a “festa do filho de João Doria”.

Edgard Matsuki é editor do site Boatos.org, site que já desmentiu mais de 6 mil notícias falsas

Uma das novidades do Boatos.org para 2021 é a seção “A Semana em Fakes”. Periodicamente, faremos análises sobre os assuntos mais recorrentes em termos de desinformação na internet. Este conteúdo ficará aberto para republicação em outros veículos de mídia. No momento, publicamos o conteúdo no Portal Metrópoles e Portal T5 (caso tenha interesse, entre em contato com o Boatos.org para saber as condições). Para ver todos os textos da seção, clique aqui.

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