Caminhoneiros vão fazer greve e parar o Brasil se Lula ganhar as eleições #boato

Boato – Caminhoneiros de todo o Brasil vão fazer uma greve no dia 2 de outubro e parar o país se Lula ganhar as eleições de 2022.

Um tipo de fake news que ainda não havia aparecido nas eleições de 2022 era a que apontava para uma greve dos caminhoneiros. O tabu foi quebrado justamente no dia da votação de 2 de outubro.

Com base em áudios de cunho golpista, mensagens estão apontando que os caminhoneiros de todo o Brasil vão tomar uma atitude “drástica” caso Lula vença as eleições no dia 2 outubro: realizar uma greve e parar todo o país.

Os áudios (que não serão exibidos aqui) apontam mais ou menos a mesma tese: 1) Bolsonaro só não vai ganhar as eleições se as urnas forem fraudadas. 2) Se Lula ganhar, os caminhoneiros “heróis do Brasil” não vão deixar barato: vão dar 24 horas para carros e ônibus irem para casa e depois vão fazer uma greve. 3) Só vai passar ambulância e as estradas vão ser bloqueadas. Nem o Exército vai passar. 4) O agro e outras categorias vão ajudar. 5) A greve só vai acabar quando for decretada intervenção militar e Bolsonaro chegar ao poder.

Todo este combo é acompanhado de mensagens que apontam para a suposta movimentação e que alertam as pessoas a “estocarem alimentos”. Leia algumas das mensagens que circulam online:

Versão 1: Atenção!!!!! Caminhoneiros podem fazer paralisação caso Lula ganhe a eleição!!!!! Segundo grupos de WhatsApp! Versão 2: 01/10/22: COM SOM ( AUDIO ) !!!!!!! ATENÇÃO !!!!!!! URGENTE !!!!!!! VAZA AUDIO DO GRUPO DE CAMINHONEIROS DE TODO O BRASIL E ESTÁ TUDO PREPARADO PARA CASO LULA GANHAR AS ELEIÇÕES DE AMANHÃ. Versão 3: S.O.S: Caminhoneiros se organizam para parar tudo, caso Mito não se eleja 1o.turno. Acusam golpe no 2o.turno. Sugerem comprar comida p 15 dias, pois vai parar TUDO

Caminhoneiros vão fazer greve e parar o Brasil se Lula ganhar as eleições?

É claro que mensagens com todo este teor apelativo iriam se espalhar com todas as forças nas redes sociais. Porém, não é verdade que caminhoneiros vão “parar” o Brasil se Bolsonaro perder as eleições para Lula.

Você deve estar se perguntando por que estamos tão seguros disso. A resposta é simples: não é a primeira vez que mensagens ferozes se espalham na internet e, na prática, nada acontece.

Na realidade, desde a “greve real” que houve dos caminhoneiros (em maio de 2018) e que realmente deixou o país em situação de desabastecimento, o que não faltam são ameaças de cunho político que usa a classe como “bucha de canhão”.

Exemplos não faltam: em 2019, mensagens apontavam que caminhoneiros fariam uma greve “de apoio a Bolsonaro para a aprovação da reforma da Previdência” (sim, houve isso).

Em 2020, foi a vez de mensagens apontarem que a greve seria contra a “quarentena da Covid-19”. Naquele ano, também houve a ameaça de que havia a greve que “pararia” o país até os ministros do STF caírem.

Em 2021, tivemos um pico neste tipo de fake news. Primeiro, houve a ameaça de que os caminhoneiros fariam greve por causa da votação no Congresso sobre voto impresso. Depois, houve a ameaça de “greve” até que houvesse intervenção militar no 7 de setembro.

De todos estes casos, temos a mesma coisa: muito barulho em redes sociais e nada de “greve” na prática. O que há é sempre a mesma coisa: meia dúzia de caminhoneiros muito fãs de Bolsonaro insuflam colegas nas redes sociais, mas, no final, não há força para uma greve. O mais próximo que tivemos foi no 7 de setembro de 2021, quando caminhoneiros bolsonaristas comemoraram um estado de sítio que nunca ocorreu e depois tiveram que voltar pra casa com a resignação de Bolsonaro.

O motivo é simples: as greves de caminhoneiros não acontecem por motivos políticos. Assim como em todas as profissões, não se trata de uma “massa” homogênea que vai colocar os interesses profissionais por uma bandeira política.

A greve de 2018, por exemplo, ocorreu apenas porque lideranças de verdade organizaram movimentos para que reinvindicações da classe (como a tabela com preços de frete) fossem atendidas. Não havia nada de político partidário nisso.

Vale apontar que nenhuma das lideranças dos caminhoneiros que participaram da greve que realmente aconteceu participaram dos movimentos citados. No caso da ameaça de greve no caso da derrota de Bolsonaro, novamente não há qualquer adesão por parte de lideranças.

Com base no passado, podemos prever o que vai acontecer no futuro se Lula ganhar no primeiro turno. 1) Haverá a incitação da tal greve (com data e hora marcada) por parte dos “caminhoneiros com Bolsonaro. 2) Haverá a adesão apenas de quem é “muito fã” do presidente. 3) Não será um número suficiente para “parar o Brasil”. 4) Haverá uma desmobilização.

Por fim, e não menos importante. A tal convocação de greve se baseia em uma informação falsa, de que as urnas eletrônicas são fraudadas e e que Bolsonaro está “muito a frente de Lula” nas eleições de 2022. Isso reforça a tendência para duas reações: 1) A não adesão para a greve. 2) A defenestração de qualquer movimento com este cunho golpista por parte das autoridades e da opinião pública.

Resumindo: apesar das ameaças que surgem por meio de áudios em redes sociais, não é verdade que caminhoneiros vão “parar o Brasil” por causa de uma vitória de Lula nas eleições. Além de o “motivo” não seduzir a classe, a pauta não tem a adesão de verdadeiros líderes da categoria.

Neste fim de semana, a equipe do Boatos.org se uniu a outras 6 iniciativas de checagem de fatos no Brasil para verificar conjuntamente  desinformação sobre as eleições. A parceria reúne o AFP Checamos, Aos Fatos, Comprova, E-Farsas, Fato ou Fake e Lupa.

Ps 2.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet