Sean Brooks está certo ao dizer que vacinados vão morrer de 6 meses e 3 ou 5 anos #boato

Boato – Dr. Sean Brooks acertou ao afirmar que pessoas vão morrer de 6 meses a 3 ou 5 anos após se vacinarem contra a Covid.

A vacinação contra a Covid-19 tem avançado de maneira rápida e satisfatória ao redor do mundo. No Brasil, cerca de 35,5% da população adulta já foi imunizada completamente. Entre aqueles que receberam apenas a primeira dose, esse número já alcança quase 78%.

Apesar disso, o avanço da variante Delta em diversos países que estão adiantados no processo de vacinação acendeu um alerta. Muitas pessoas estão preocupadas e diversos pesquisadores analisam se pessoas que já foram imunizadas completamente precisam de uma dose de reforço.

E em meio às inseguranças da pandemia, temos uma certeza: as fake news sobre o assunto não vão acabar tão cedo. De acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, o dr. Sean Brooks, PhD em medicina, em Oxford, estaria certo ao afirmar que os vacinados contra a Covid-19 irão morrer de 6 meses a 3 ou 5 anos após tomar a vacina. Segundo a história, os motivos são diversos, como o comprometimento do sistema imunológico, o desenvolvimento da tempestade de citocinas, coágulos e HIV, além de deixar pessoas estéreis e nos transformar em seres geneticamente modificados. Confira:

Versão 1: “Mais uma vez desmascarando os médicos desinformados que apoiam a vacina… DR. SEAN BROOKS PHD OXFORD, MAIS UM CIENTISTA QUE CONTRARIA OS “ENTENDIDOS DA MIDIA VENDIDA AOS POLITICOS E AOS LABORATORIOS QUE ESTAO ENCHENDO O RABO DE DINHEIRO COM A DESGRAÇA ALHEIA” PESSIMAS NOTICIAS AOS VACINADOS FAÇA O TESTE CHAMADO “DIMERO D” O UNICO QUE PODE DETECTAR O ESTRAGO QUE ESTE VENENO ESTA FAZENDO NO SEU ORGANISMO. LEMBREM-SE EXISTE O ANTIDOTO “SURAMIN” CONVERSE COM O SEU MEDICO ENQUANTO HA TEMPO”.

Versão 2: “Dr. Sean Brooks, médico especialista em medicina interna, com mais de 23 anos de experiência, envia um alerta assustador sobre a cobiçada vacina experimental. “The people who have taken it are going to die in the next 6 months to 3 to 5 years.” [As pessoas que tomaram a vacina vão morrer nos próximos 6 meses a 3 ou 5 anos]. Quantos outros especialistas serão ignorados?”.

Sean Brooks está certo ao dizer que vacinados vão morrer de 6 meses e 3 ou 5 anos?

A informação fez um enorme sucesso nas redes sociais, em especial, no Facebook e WhatsApp e deixou muita gente preocupada. Entretanto, a história não passa de um delírio coletivo de grupos anti-vacina. A explicação fica por conta (olhem só!) da Ciência.

Não é preciso nem lembrar que, ao longo da pandemia, nós do Boatos.org e diversos outros serviços de fact-checking tivemos bastante trabalho desmentindo histórias falsas e absurdas sobre o tratamento precoce, o vírus SARS-CoV-2, a Covid-19 e as vacinas. Aqui no Boatos.org, já somamos quase 1.000 desmentidos sobre o tema.

Pois bem, ao analisar a história de hoje, é fácil perceber que ela se enquadra em mais do mesmo (no caso, mesmos absurdos repetidos desde o início da pandemia). Antes de entrarmos no mérito das (abobrinhas) coisas ditas pelo homem, precisamos entender quem é o cidadão. E foi fácil descobrir que Sean Brooks não estudou na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e muito menos é médico.

O homem, de fato, é um PhD (título concedido a quem fez um curso de doutorado nos Estados Unidos). Entretanto, o doutorado de Sean Brooks não é na área de medicina, mas sim na área de Educação. E ao contrário do que apontam as histórias, ele não estudou na Universidade de Oxford, no Reino Unido, mas sim na Universidade Online de Walden. Brooks, na verdade, mora na cidade de Oxford, em Ohio, nos Estados Unidos. Na rede social Gab, o próprio Sean Brooks esclareceu toda a confusão e afirmou que não é médico e não estudou no Reino Unido. Dito isso, vamos entender os pontos levantados por Sean Brooks e descobrir porque são mentirosos.

1) O doutor Robert Malone, que teria criado a vacina de mRNA, não defende o uso da vacina.

De fato, o pesquisador Robert Malone publicou vídeos controversos na internet sobre as vacinas do tipo mRNA. Na época, o YouTube retirou o conteúdo do ar, alegando que o vídeo violava as diretrizes da comunidade. Na oportunidade, diversos serviços de checagem acabaram desmentindo as afirmações feitas por Malone. Se isso não bastasse, apesar de se autodenominar “pai da vacina de mRNA”, o trabalho realizado para se desenvolver uma vacina desse tipo não foi feito apenas por Malone.

Em 1989, ele descobriu que seria possível transferir mRNA para células de cultura por meio de um lipossomo. Em 1990, ele conseguiu aplicar a teoria em ratos de laboratório. Porém, para que o mesmo acontecesse em humanos, foi necessário mais estudos e pesquisas. Apenas em 2005, a bioquímica Katalin Karikó (atual vice-presidente senior da BioNTech) e e o imunologista Drew Weissman conseguiram encontrar uma maneira de replicar o feito em humanos. Isso porque, até aquele momento, a transferência de mRNA em humanos gerava um processo inflamatório, que impedia o método de ser usado em indivíduos de carne e osso.

2) Vacinas diminuem o sistema imunológico em até 35% e dose de reforço pode matar.

Mentira! Não faz muito tempo, desmentimos uma história parecida aqui. As vacinas são seguras e, ao contrário do que aponta essa teoria, os imunizantes nos ajudam a desenvolver anticorpos contra as doenças. Um processo bem diferente de atacar o nosso sistema imunológico, não é mesmo? Além disso, as reações à vacina também são normais. Isso não significa que seu sistema imunológico ficou comprometido. Algumas pessoas apresentam mais reações do que outras, porque cada organismo reage de maneira diferente ao estímulo. Por fim, é importante lembrar que algumas pessoas, como as que apresentam alergia a algum componente da fórmula da vacina, devem ficar atentas e buscar orientação médica para avaliar os riscos e benefícios da vacinação.

3) A vacina cria o “antibody dependence enhancemente” que desenvolve a tempestade de citocina e coágulos.

Falso! Na realidade, o aparecimento da tempestade de citocinas e de coágulos é uma resposta grave a quadros críticos de infecções causadas pelo SARS-CoV-2 (novo coronavírus). O problema também pode afetar pessoas acometidas por outros tipos de doenças. Entretanto, a vacina não é capaz de desencadear a Covid-19 ou qualquer outro tipo de enfermidade. Dessa forma, é basicamente impossível que a vacina cause esse tipo de problema.

4) Pessoas que se vacinam ficam estéreis e 80% das mulheres que se vacinaram já perderam seus filhos no primeiro trimestre.

Mentira! Essa história já foi desmentida pela equipe do Boatos.org aqui. Na época, diversos sites antivacina divulgaram um estudo sobre nanopartículas lipídicas presentes na corrente sanguínea de pessoas que tomaram vacinas do tipo mRNA. Entretanto, a história não passou de pura confusão. Na realidade, o estudo foi mal interpretado e acabou sendo corrigido depois. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacinação de gestantes quando os benefícios da vacina superam os riscos, como alta exposição à doença e comorbidades. Além disso, os dados da OMS não mostraram prejuízos na gravidez após a vacinação.

5) Você contrai HIV se vacinando.

Falso! Esse é o tipo de história que sempre retorna com o surgimento de novas doenças e vacinas. Por aqui, nossa equipe desmentiu essa história algumas vezes, como em dezembro de 2020, quando pessoas supostamente foram infectadas com o vírus HIV após se vacinarem. Entretanto, assim como mostrou o desenrolar da situação, nada passou de uma interpretação equivocada de algumas pessoas. Na realidade, uma empresa local tinha iniciado os testes em humanos de uma vacina promissora contra a Covid-19. Entretanto, após alguns participantes apresentarem falsos positivos para o vírus HIV, os testes foram suspensos. Posteriormente, os voluntários realizaram novos testes que apontaram resultados negativos. Vale ressaltar que as vacinas comercializadas atualmente não possuem nenhuma relação ou fragmento do vírus HIV em suas fórmulas.

6) Pessoas vacinadas não podem doar sangue, porque ele fica tóxico.

Mentira! Nem seu sangue fica tóxico após a vacinação e muito menos você será impedido de doar sangue. Há algum tempo, desmentimos uma história parecida aqui. Na época, a Cruz Vermelha do Japão emitiu uma nota, informando que pessoas que se vacinaram com imunizantes do tipo mRNA deveriam esperar 48 horas para doarem sangue. E bem, parece que alguém resolveu omitir a informação das “48 horas”, deixando muita gente em pânico. No Brasil, a regra é a mesma. Em São Paulo, por exemplo, os vacinados com Coronavac devem esperar 2 dias antes de doar sangue. Já os vacinados com AstraZeneca/Oxford devem aguardar 7 dias.

7) Vacinas criam proteína Spike ao quebrar o nosso RNA ao meio e nos transformam em seres geneticamente modificados.

Falso! As vacinas não criam a proteína Spike. Os imunizantes do tipo mRNA contêm o mRNA do vírus SARS-CoV-2 (novo coronavírus) e induzem a produção de proteínas do tipo Spike no organismo humano. Isso não ocorre pela “quebra do nosso RNA”, mas sim pela fusão do mRNA do vírus com as nossas células. Mais especificamente após o mRNA do vírus “transferir” a mensagem aos nossos ribossomos, que irão traduzir e iniciar o processo de síntese. Após esse processo, o nosso organismo vai achar que está sendo invadido pelo vírus e iniciar uma resposta imune (que será extremamente útil caso o organismo, futuramente, entre em contato com o vírus). Não é preciso nem dizer que esse processo não afeta em nada nosso código genético (DNA), né?

Em resumo: a história que diz o dr. Sean Brooks acertou ao afirmar que os vacinados vão morrer entre 6 meses e 3 a 5 anos é falsa! Sean Brooks não é médico, não estudou na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e não tem propriedade para falar sobre saúde humana. Além disso, todas as coisas ditas por ele no vídeo já foram desmentidas por serviços de fact-checking. Ou seja, mais balela sobre a mesma coisa. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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