Japoneses descobrem que nanopartículas mRNA da vacina ficam no corpo das pessoas e podem causar infertilidade #boato

Boato – Japoneses encontram nanopartículas de mRNA no corpo dos vacinados e que isso pode causar esterilidade na população mundial. 

A pandemia de Covid-19 está vitimando pessoas não apenas pelo vírus, mas também pela fome, desemprego, esgotamento físico e fake news, especialmente, quando se trata dos boatos envolvendo efeitos colaterais da vacina. Todos os dias, o Boatos.org (e tantos outros sites de fact-checking) desmentem uma enxurrada de “notícias” sobre o assunto e hoje o caso não é diferente.

A última publicação que circula por aí afirma que um médico pró-vacina alertou para um “grande erro” e uma nova pesquisa conduzida no Japão, onde mostrou que nanopartículas lipídicas (LNPs), contendo o código do mRNA, foram encontradas no corpo dos pacientes vacinados com a Pfizer. De acordo com o estudo, foram encontradas nanopartículas de mRNA no cérebro, baço, intestino grosso, coração, fígado, pulmões e outros órgãos. O texto afirma ainda que o estudo assustou por incluir ovários e testículos com capacidade para alterações reprodutivas. Leia o que dizem as mensagens:

Médico pró-vacina alerta: “Cometemos um grande erro”. Japoneses encontram nanopartículas de mRNA no cérebro, coração, fígado, ovários, testículos e outras partes de vacinados.

Japoneses descobrem que nanopartículas mRNA da vacina ficam no corpo das pessoas e podem causar infertilidade?

É claro que a história confundiu a cabeça de muita gente, mas (infelizmente) muitos usuários se preocuparam à toa. Isso porque a história possui alguns erros e problemas de interpretação.

Ao bater o olho no texto, alguns detalhes chamaram nossa atenção. O primeiro deles está no histórico de boatos contra vacinas mRNA e danos que elas poderiam causar, como na história do Dr. Steve Hotze, Anvisa e de estudos com animais.

Ao buscar sobre o assunto, percebemos que assim como em tantos outros casos, eles se basearam em um artigo de um site antivacinas em inglês. O texto está baseado em uma entrevista e um estudo (que foi citado na mensagem). Contudo, o estudo não foi contextualizado, inclusive, o próprio site em inglês corrigiu a informação, mas os sites brasileiros que reproduziram o conteúdo não corrigiram a publicação.

Pois bem, o texto foi alterado e recebeu uma nota explicativa. De acordo com o site, onze dos treze indivíduos vacinados no estudo tinham nanopartículas lipídicas (LNPs) em sua corrente sanguínea. O artigo fazia referência a uma declaração do grupo do professor Bridle afirmando que nanopartículas estavam presentes por 29 dias em uma pessoa, mas na verdade foi encontrada na pessoa no dia 29, um dia após uma segunda injeção de vacina e era indetectável dois dias depois.

Ao observar o estudo, percebemos que o nível de mRNA no corpo volta ao normal após a ação dos anticorpos IGG e IGM, conforme indica este trecho da publicação. De acordo com o estudo, as nanopartículas foram encontradas em amostras de 13 participantes que receberam duas doses da vacina de mRNA-1273. Desses, apenas 11 mostraram níveis detectáveis da substância no primeiro dia após a primeira aplicação da vacina, mas que depois foram eliminados.

Nesta matéria, as informações apontam que os níveis da proteína caíram com o passar dos dias e que após a aplicação da segunda dose não foram encontrados vestígios da proteína. Segundo a matéria, 11 dos 13 participantes tinham níveis baixos da proteína e que o nível de proteína atingiu o pico cinco dias após a primeira injeção. O texto afirma ainda que, em todos os participantes, o nível de proteína diminuiu e tornou-se indetectável e que após a segunda dose da vacina, nenhuma das proteínas foi detectada.

Por fim, mas não menos importante, o estudo não tem nada de “japoneses”. Inclusive, um dos pesquisadores se chama Alana Ogata, o que não significa que seja de japoneses. Isso porque na  verdade a pesquisa é do Brigham and Women’s Hospital de Harvard.

Resumindo: japoneses não descobriram que nanopartículas mRNA da vacina ficam no corpo das pessoas e podem causar infertilidade. Isso porque a história é fruto de uma confusão causada por um estudo mal interpretado.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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