Boato – A ivermectina comercial estaria contaminada com óxido de grafeno e a versão manipulada seria a única segura e eficaz.
Análise
Mensagens gravadas em vídeo que circulam com frequência em redes sociais e aplicativos de mensagens voltaram a levantar questionamentos sobre a segurança de medicamentos adquiridos em redes de farmácias tradicionais. O foco das alegações recentes envolve o antiparasitário ivermectina, um dos compostos mais comentados no ambiente digital nos últimos anos.
De acordo com os relatos disseminados, os lotes comerciais do remédio estariam supostamente comprometidos por elementos externos prejudiciais à saúde humana, como o óxido de grafeno. A linha argumentativa defendida nas publicações sugere que os consumidores evitem o produto industrializado convencional de 6mg e passem a encomendar versões individualizadas em laboratórios de manipulação.
A mensagem se espalhou principalmente em perfis que costumam divulgar conteúdos relacionados a tratamentos alternativos para diversas doenças. Além da suposta contaminação, o vídeo também sugere que a ivermectina comercial teria problemas de dosagem e que versões manipuladas seriam mais eficazes para diferentes finalidades terapêuticas. Leia:
Encontrei o vídeo que diz que a ivermectina está batizada com grafeno VOCÊ AINDA USA IVERMECTINA DE FARMÁCIA COMUM? Desde 2023, venho alertando sobre a contaminação de diversos medicamentos, e a ivermectina é um deles. Fui a primeira no Brasil a sinalizar a presença de grafeno em lotes comerciais, e o alerta continua valendo! Além da questão da pureza, há outro ponto crucial: a dosagem. Aqueles 6mg padrão muitas vezes não são suficientes para protocolos de desparasitação profunda ou tratamentos mais complexos. Minha recomendação: Prefira sempre a ivermectina MANIPULADA. Assim, você garante a pureza do que está ingerindo e a dosagem exata para a sua necessidade. Você já sabia desse risco de contaminação ou costuma manipular seus suplementos e remédios? Me conta aqui nos comentários! Estamos juntos!
Checagem
Para esclarecer o caso de forma fundamentada, faremos uma apuração detalhada dividida em três frentes essenciais. Vamos responder às seguintes perguntas: 1) A ivermectina vendida em farmácia está contaminada com grafeno? 2) Há outras fake news de produtos contaminados com grafeno? 3) A ivermectina cura doenças como falam por aí?
Ivermectina vendida em farmácia está contaminada com grafeno?
Não. Não existe qualquer evidência científica ou documento oficial que indique a presença de grafeno em ivermectina comercializada regularmente por farmácias brasileiras. As alegações sobre a suposta contaminação aparecem apenas em vídeos, canais conspiracionistas e publicações sem comprovação técnica.
Medicamentos comercializados legalmente no Brasil passam por processos de controle de qualidade e fiscalização. Caso houvesse indícios de contaminação em larga escala, seria esperado que órgãos reguladores, fabricantes ou autoridades sanitárias emitissem alertas públicos ou determinassem recolhimentos de lotes. Não há registro de nenhuma medida desse tipo relacionada à ivermectina.
Além disso, as publicações que fazem a acusação não apresentam laudos laboratoriais verificáveis, estudos revisados por pares ou qualquer documentação capaz de comprovar a alegação. O boato permanece restrito a conteúdos que repetem a narrativa sem apresentar evidências.
Há outras fake news de produtos contaminados com grafeno?
A tese de que substâncias cotidianas estão contaminadas com esse componente é um tema recorrente em redes de desinformação. O grafeno virou uma espécie de elemento coringa para alimentar teorias conspiratórias sobre controle social e danos à saúde. No passado, boatos semelhantes tentaram emplacar a narrativa de que alimentos comercializados no Brasil estariam magnetizados por causa do grafeno.
A mesma estratégia desinformativa foi utilizada no ambiente médico internacional e em outras campanhas de vacinação. Um exemplo clássico envolveu as declarações de uma dentista boliviana que afirmava erroneamente que as vacinas continham óxido de grafeno em suas composições. Todas essas alegações foram desmentidas por especialistas e por análises químicas estruturais.
A ivermectina cura doenças como falam por aí?
O fato de o medicamento industrializado não estar contaminado não valida as propriedades milagrosas atribuídas a ele na internet. A ivermectina é um antiparasitário eficaz para o tratamento de sarna, piolho e verminoses, mas não possui eficácia comprovada contra vírus ou neoplasias. Recentemente, surgiram boatos falsos afirmando que a ivermectina seria capaz de curar a dengue e zerar a carga viral da doença, o que foi prontamente negado pelas autoridades médicas.
Da mesma forma, correntes infundadas circulam alegando que uma combinação de ivermectina, mebendazol e fenbendazol eliminaria o câncer do organismo. Outro caso internacional de desinformação envolveu a mentira de que o Japão teria declarado a ivermectina mais eficaz do que as vacinas. Nenhuma instituição de oncologia ou infectologia de prestígio endossa o uso do antiparasitário para essas finalidades.
Conclusão
É falso que a ivermectina vendida em farmácias esteja contaminada com grafeno. A alegação circula apenas em conteúdos conspiracionistas e não possui respaldo em estudos científicos, laudos laboratoriais ou comunicados oficiais. Também não há evidências de que a ivermectina cure doenças como Covid-19, dengue ou câncer, apesar de essas alegações continuarem sendo compartilhadas em redes sociais.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

