Ser infectado com Covid-19 protege 7 vezes mais do que tomar qualquer vacina #boato

Boato – Israel e Chile provam que número de infecções entre vacinados é 7 vezes maior do aqueles que já se infectaram com a Covid-19. Ou seja: ser infectado com a “vacinação raiz” protege sete vezes mais. 

Depois de passar por um período difícil em relação à Covid-19 no país, o Brasil apresentou bons resultados no combate à doença nos últimos dias. O país registrou a menor média móvel de mortes nos últimos cinco meses. Apesar disso, a situação ainda inspira cuidados. Já são quase 20 milhões e cerca de 546 mil óbitos pela doença. Enquanto isso, o país imunizou completamente menos de 17% da população apta a tomar a vacina.

E em meio às dificuldades relacionadas à Covid-19 no Brasil, o país ainda sofre com as incontáveis fake news sobre o assunto. De acordo com uma história que anda circulando nas redes sociais, se infectar com Covid-19 é 7 vezes mais eficaz do que tomar qualquer tipo de vacina. Segundo a história, os dados seriam de Israel e do Chile, que supostamente teriam conseguido provar que o número de infectados entre os vacinados foi muito maior do que entre aqueles que já contraíram a doença anteriormente. Confira:

“A informação de que ser infectado com Covid é 7 vezes mais eficaz que a melhor de todas as vacinas é uma boa notícia para países como o Brasil, em que, por diversas razões, tem uma das populações com maior índice de infectados. É o que podemos chamar de vacinação raiz. Isso pode se traduzir, em breve, em sermos um dos primeiros a virar essa página sanitária de nossa história”.

Ser infectado com Covid-19 protege 7 vezes mais do que tomar qualquer vacina?

A informação, rapidamente, viralizou nas redes sociais, em especial, no WhatsApp e em grupos do Facebook. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da origem da informação e da distorção de uma notícia real.

Não é preciso pesquisar muito para encontrar fake news antivacinas na internet. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas. A quantidade de desinformação foi tanta que até rendeu um especial sobre o assunto por aqui.

Ao procurar por mais informações sobre a história, descobrimos que ela surgiu em um site que já é um velho conhecido por publicar informações falsas. Aqui no Boatos.org já desmentimos algumas histórias que surgiram por lá, como a que dizia que Karl Friston teria afirmado que 80% da população mundial seria imune à Covid-19 e também a que indicava que a OMS teria condenado o lockdown e seria contra o isolamento como forma de combate à Covid-19.

Ao pesquisar mais sobre o assunto, descobrimos que a história é uma distorção de dados publicados pelo Ministério da Saúde de Israel. Atualmente, cerca de 85% dos 9.3 milhões de israelenses já receberam, pelo menos, a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNtech. No dia 11 de julho de 2021, o governo de Israel começou a oferecer uma dose de reforço (terceira dose da vacina) para pessoas que possuem o sistema imune comprometido.

É verdade que o número de casos de Covid-19 é maior entre as pessoas vacinadas em Israel, mas isso se deve porque a maioria esmagadora de israelenses já recebeu, pelo menos, a primeira dose da vacina. Dessa forma, é normal que o maior número de infecções seja entre os vacinados, uma vez que representam a maior parte da população.

Além disso, a variante Delta atingiu com força o país e hoje representa cerca de 90% dos casos registrados em Israel. E vale ressaltar que, apesar de estudos demonstrarem que as vacinas funcionam satisfatoriamente contra a nova variante, ela não foi estudada para o desenvolvimento da vacina (uma vez que não existia). Ou seja, o tipo Delta representa um perigo muito maior para as pessoas do que as outras variantes no que diz respeito ao contágio e à evolução de casos graves (mesmo entre os vacinados).

Apesar disso, na última semana, o governo de Israel divulgou dados que mostram que a vacinação tem representado um avanço no combate à Covid-19 no país. De acordo com os números, apenas uma pessoa, no grupo entre 50 e 59 anos, em estado grave, estava completamente vacinada contra a doença. Enquanto isso, 14 pessoas não vacinadas da mesma faixa etária estavam na mesma condição.

Se isso não bastasse, ainda precisamos falar de um assunto bastante sério sobre as vacinas. Existem diversos tipos de níveis de proteção de um imunizante: aqueles que impedem que você desenvolva a doença, mas não impedem que você transmita o vírus; aquelas que impedem que você desenvolva casos graves, mas não que desenvolva a doença; aquelas que produzem o chamado efeito “esterilizante”, que impede que você desenvolva a doença e também transmita para outras pessoas etc.

Em um mundo ideal, é claro que gostaríamos de ter apenas vacinas que gerem o efeito “esterilizante”. Porém, no mundo real, é bastante complicado produzir esse tipo de imunizante, especialmente quando falamos sobre vírus (o caso da Covid-19). Na verdade, a maior parte das vacinas disponíveis hoje não possui efeito “esterilizante”.

No caso da Covid-19, temos vacinas que impedem, em um grau bastante elevado, o desenvolvimento de casos graves da doença. Entretanto, não impedem completamente que você desenvolva a doença e muito menos que você transmita o vírus. Ou seja, não é só porque você está vacinado que pode simplesmente abandonar as medidas de proteção e se expor ao vírus.

E foi exatamente o que aconteceu com Israel. Com um número bastante grande de vacinados no país e com a enorme redução de casos da doença e de óbitos, o governo de Israel decidiu voltar à vida normal no início de junho de 2021. Entretanto, não contava com a rápida disseminação da variante Delta, que atingiu o país. Quando os casos começaram a subir novamente, o governo precisou intervir e adotar novas medidas de restrição para conter o avanço da doença. E apesar do grande número de infectados entre os vacinados, os próprios dados dos hospitais de Israel (e divulgados pelo Ministério da Saúde do país) apontam que os casos graves de Covid-19 são infinitamente menores entre quem se vacinou (provando que a vacina é sim eficaz).

Por fim, mas não menos importante, não existe nenhum estudo que aponte que se infectar com Covid-19 é mais efetivo do que se vacinar. Muito pelo contrário. Além de termos casos de reinfecção entre pessoas que já se infectaram uma vez com a Covid-19, optar por ficar doente é muito mais perigoso (uma vez que você pode morrer. Não precisamos lembrar que no Brasil já são quase 600 mil mortos pela doença, não é mesmo?).

Em resumo: a história que diz que ser infectado com Covid-19 é 7 vezes mais eficaz do que tomar qualquer vacina é falsa! Não existe nenhum dado ou estudo que valide essa informação. Além disso, contrair a doença é muito mais perigoso, uma vez que existe um risco mais elevado de evolução para casos graves. Se isso não bastasse, o aumento de casos de Covid-19 entre vacinados ocorreu por diversos fatores: 1) o número de vacinados é muito maior do que os não-vacinados; 2) Israel voltou à vida normal em junho de 2021, reduzindo as medidas de proteção (o que expôs mais os israelenses ao vírus); 3) a vacina não impede, necessariamente, que você fique doente, mas sim reduz (e muito) as chances de que você desenvolva um caso grave da doença e 4) o surgimento da variante Delta no país (que representa cerca de 90% dos casos ativos no país e surgiu depois do desenvolvimento da vacina da Pfizer). Ou seja, a história não passa de balela sem contexto.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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