Patente do teste de Covid-19 foi registrada em 2015 com número US-2020279585-A1 #boato

Boato – Richard A. Rothschild registrou a patente do teste de Covid-19 em 2015 sob o número US-2020279585-A1 e prova que pandemia é uma farsa.

A pandemia da Covid-19 tomou, novamente, um rumo dramático ao redor do mundo. Depois da identificação da variante Ômicron, os casos de Covid-19 voltaram a crescer. Não só isso, as mortes pela doença também atingiram um novo pico.

Isso ocorreu, especialmente, pela resistência de muitas pessoas à vacina contra a Covid-19. No Brasil, por exemplo, o número de óbitos pela doença passou de 1 mil mortes diárias nos últimos dias. E mesmo assim, fake news negando a pandemia seguem causando desinformação na internet.

Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com uma publicação que está sendo compartilhada na internet, a patente do teste de Covid-19 teria sido registrada em 2015, antes da pandemia começar. Segundo o vídeo que acompanha a história, a patente de número US20200279585A1 teria sido registrada pelo pesquisador Richard Rothschild. Confira:

Versão 1: “Eu não tomei vacina da Covid não, né? Aí, fico pesquisando à noite sobre esse negócio, pra ver se eu tomei a decisão certa. Aí, cê digita US20200279585A1e sai a patente, registrada por Richard Rothschild, da família Rothschild, em 2015. Patente de quê? Teste do Covid-19. **** que pariu. A patente do cara da família Rothschild pro teste da Covid-19. Quando? 2015. **** que pariu, velho. Ah, lá. 2015. Aí, depois, fizeram uma em 2020 de novo. Inventor: Richard A Rothschild. C******, os cara são muito filho da ****, véi. Os cara inocularam a vacina na galera, véi. Tão planejando isso desde 2015. **** que pariu. Ah, lá. Tá louco. Tá louco, meu”.

Versão 2: “Esses teoristas da conspiração são terríveis, pesquisam tudo e descobrem  coisas estranhas e interessantes. Teste para piolho xingling patenteado em 2015, e por um dos Rothschild?”. Versão 3: “Teste de covid 19 foi patenteado em 2015 pela família Rothschield. Não seja tolo de acreditar nas bigpharmas e no sistema”. Versão 4: “Não vou nem falar nada… Está no Google. Acredite no que achar mais conveniente… As pessoas são lindas, ótimas, maravilhosas… Todas elas, tá? E vivemos no paraíso. O ano é 2015”.

Patente do teste de Covid-19 foi registrada em 2015 com número US-2020279585-A1?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Facebook e no WhatsApp, e fez um enorme sucesso em grupos negacionistas. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da própria fonte da informação.

Ao ler a mensagem, logo de cara ficamos desconfiados. Isso porque ela apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, extremamente alarmista e a falta de fontes confiáveis.

Além disso, histórias falsas que apontam que a pandemia é uma farsa circularam com bastante frequência ao longo dos últimos anos. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que o limão que testou positivo para a Covid-19 provaria que os testes não funcionam e que a pandemia seria uma farsa. Também a que indicava que homem ensacado vivo e flagrado mexendo o braço seria a prova de que o número de óbitos pela Covid-19 é uma farsa e, por fim, a que apontava que o grupo Médicos por La Verdad teria denunciado e apresentado provas de que a pandemia seria uma farsa.

Ao analisar o link apresentado nas publicações, desvendamos todo o mistério. O ano de 2015 não tem nada a ver com a data do registro da patente. A teoria, na verdade, surgiu em 2020 e circulou muito na língua inglesa. Na época, a história acabou desmentida pelo serviço de checagem da agência Reuters.

De acordo com a Reuters, o dado que aponta o ano de 2015 não faz nenhuma menção à Covid-19. E segundo a checagem da agência, a data de prioridade (que diz respeito ao ano de 2015) é a data de depósito de uma família de pedidos de patentes relacionados ou a data em que alguém solicitou uma patente referente à primeira característica de uma invenção particular (isso ocorre, geralmente, para evitar plágios em pesquisas onde os objetos estão em alta, isto é, muito explorados).

E bem, de acordo com a Reuters, o pesquisador Richard Rothschild fez um pedido provisório dentro de uma família de patentes, no dia 13 de outubro de 2015. Posteriormente, o pesquisador fez pedidos para um sistema e método para uso, processamento e exibição de dados biométricos. E a patente US-2020279585-A1 veio só depois. É importante ressaltar que a patente US-2020279585-A1 compartilha recursos semelhantes com os pedidos antigos, como o uso de dados biométricos. Por isso, os pedidos de 2015 aparecem como antecessores da patente, porque eles, na realidade, são recursos que além de terem sido solicitados pelo mesmo pesquisador, também são usados na patente dos testes de Covid.

Por fim, o próprio número da série mostra que ela foi feita em 2020 (e não antes). O número 2020 não foi por acaso. Na verdade, o número da patente segue um formato padrão, onde o ano que aparece na descrição é o ano em que a patente foi emitida.

Em resumo: a história que diz que a patente US-2020279585-A1, dos testes de Covid-19, foi solicitada em 2015 é falsa! O número de registro da patente não é por acaso. O registro segue um formato padrão e o ano que aparece no número de registro é o ano em que a patente foi emitida. Além disso, o ano de 2015 que aparece na patente diz respeito ao pedido de uma tecnologia que está presente na patente dos testes de Covid-19, mas que foi desenvolvida antes. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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