Estudo da USP comprova eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina contra a Covid-19 #boato

Boato – Em estudo, USP comprova que hidroxicloroquina e azitromicina são eficazes no tratamento contra a Covid-19. 

2021 chegou e, de longe, acreditávamos que as fake news também iriam evoluir. Mas, ao contrário daquilo que esperávamos, as notícias falsas parecem ter regredido. Assuntos que já eram dados como encerrados voltaram a viralizar nas redes sociais.

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Exemplo disso são as inúmeras histórias sobre medicamentos sem comprovação científica que estão circulando na internet. Nos últimos dias, uma história que está circulando nas redes sociais afirma que um estudo da Universidade de São Paulo (USP) teria comprovado a eficácia da hidroxicloroquina e da azitromicina no tratamento contra a Covid-19. Confira:

“Chinavirus: estudo da USP comprova cientificamente a Hidroxicloroquina, Azitromicina… Isso era para estar na manchete de todos os jornais do país inteiro. Era para ter sido notícia, com a bancada dando a notícia em ritmo de festa”.

Estudo da USP comprova eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina contra a Covid-19?

A informação caiu como uma bomba nas redes sociais, especialmente, no Facebook e no WhatsApp e animou os apoiadores do uso das substâncias no tratamento contra a Covid-19. Apesar disso, a história não passa de balela.

Como dissemos anteriormente, nas últimas semanas, um boom de informações falsas sobre medicamentos sem comprovação científica voltaram a inundar a rede. A equipe do Boatos.org já desmentiu diversas delas, como a que dizia que o Facebook teria admitido que errou ao “censurar” a hidroxicloroquina. Também a que indicava que países que usaram a hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19 tiveram uma taxa de mortalidade 79% menor do que aqueles países que proibiram o uso e, por fim, a que apontava que a ivermectina imunizaria mais do que a vacina e poderia ter colocado um ponto final na pandemia.

Pois bem, dito isso, precisamos ressaltar uma informação importante: diversas autoridades em saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), já alertaram que a cloroquina não cura a Covid-19. Desde julho de 2020, a OMS recomendou a descontinuação de testes envolvendo o uso da substância contra a Covid-19. A própria Anvisa, no Brasil, emitiu um comunicado sobre a falta de evidências científicas no uso da hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da doença (e, após divergências políticas, foi retirado do ar). O mesmo vale para a azitromicina, que não tem respaldo científico para ser utilizada no combate a Covid-19.

Resolvemos, então, buscar por mais informações e descobrimos que a história de hoje surgiu de uma distorção do estudo publicado pela USP. Na realidade, a pesquisa desenvolvida por cientistas da USP, de Ribeirão Preto (SP), buscava identificar os benefícios do antiinflamatório colchicina na recuperação de pacientes infectados pela Covid-19. De acordo com o estudo, a colchicina (um medicamento usado há décadas no tratamento da gota) conseguiu ajudar no combate à inflamação pulmonar e acelerar a recuperação de pacientes infectados pela Covid-19 em estado moderado e grave.

Entretanto, é importante ressaltar que o estudo clínico não contou com a participação expressiva de voluntários. O número de participantes foi pequeno (75 pessoas, sendo que apenas 72 delas chegaram ao fim da pesquisa – 36 do grupo placebo e 36 do grupo que fez uso da colchicina) e os próprios pesquisadores ressaltaram que ainda são necessários mais estudos para cravar a eficácia e o benefício do medicamento.

A confusão da história de hoje começou com uma leitura equivocada da pesquisa. Na verdade, o hospital onde o estudo foi conduzido já fazia o uso de hidroxicloroquina, azitromicina e outras substâncias no tratamento contra a Covid-19. Quando o estudo foi iniciado, todos os participantes seguiram fazendo uso dos medicamentos. O que ocorreu de diferente foi que uma parte dos voluntários também passou a tomar a colchicina. Segundo os resultados obtidos pelos pesquisadores, o grupo que fez uso da colchicina apresentou melhoras, o que pode atestar os benefícios do antiinflamatório (e não da hidroxicloroquina, azitromicina etc, uma vez que o grupo de controle não mostrou a mesma evolução).

Se isso não bastasse, outros serviços de fact-checking também desmentiram a informação. A Agência Lupa ressaltou que o medicamento usado no estudo não age diretamente sobre o vírus, mas sim sobre a “tempestade de citocina” causada pela doença. Já o site Aos Fatos conversou com um dos professores responsáveis pelo estudo. Ele ressaltou que nenhuma das substâncias que já estavam sendo usadas pelos voluntários podem ser colocadas como responsáveis pela redução do tempo de internação e do uso de oxigênio.

Em resumo: a história que diz que um estudo da USP comprovou a eficácia da hidroxicloroquina e azitromicina no tratamento contra a Covid-19 é falsa! A história, na verdade, surgiu de uma interpretação equivocada da pesquisa. O estudo clínico envolveu 75 participantes, sendo que apenas 72 concluíram os testes. Quando o estudo começou, o hospital onde a pesquisa foi conduzida já fazia o uso combinado de hidroxicloroquina, azitromicina e outras substâncias. Por conta disso, no estudo clínico, os grupos foram divididos em pessoas que apenas fizeram o uso dos medicamentos já utilizados pelo hospital e pessoas que seguiram fazendo o uso dos mesmos medicamentos combinado com o uso da colchicina. Os resultados mostraram que apenas os voluntários que tomaram a colchicina apresentaram melhoras. Ou seja, a história não passa de uma balela das grandes!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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