Cientistas descobrem que a cloroquina é a cura para variante Ômicron #boato

Boato – Estudo da Universidade de Cambridge mostra que cloroquina cura casos da variante Ômicron, que causa Covid-19.

Sem dúvida alguma, o chamado Kit Covid (um grupo de medicamentos sem comprovação científica contra a Covid-19, mas que foram divulgados como eficazes contra a doença) foi um dos assuntos mais abordados pelas fake news relacionadas à pandemia.

Como se não fosse suficiente o grande número de grupos antivacina e negacionistas compartilhando desinformação e causando pânico por aí, alguns veículos de comunicação também andam publicando notícias ambíguas que geram dúvidas e interpretações equivocadas.

Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, cientistas teriam descoberto que a cloroquina seria a cura para a variante Ômicron. Ainda de acordo com a história, as diferenças da variante Ômicron com outras cepas da doença significariam que a cloroquina seria eficaz no tratamento de casos envolvendo a variante Ômicron. Confira:

Versão 1: “Globo e O Antagonista publicaram o furo de reportagem do ano. A Cloroquina tem se mostrado eficaz no combate à variante Ômicron, segundo estudos da Universidade de Cambridge. E AGORA?”. Versão 2: “Globo publicou ontem que um estudo de Cambridge sugere “aquele” remédio pra malária com possível ação contra a Ômicron. Nada como um dia atrás do outro! CLOROQUINA !!! IVERMECTINA !!!”.

Versão 3: “Moral da historia: descobriram que cloroquina trata omicron e resolveram trocar para influenza. A midia mata dois coelhos de uma vez (carnaval e razao ao bonoro)”. Versão 4: “Ômicron é menos agressiva porque entra pela ‘porta dos fundos’, diz estudo preliminar. Diferença em relação a outras variantes poderia indicar que, agora, a cloroquina poderia ser testada para possível tratamento”.

Cientistas descobrem que a cloroquina é a cura para variante Ômicron?

A informação viralizou rapidamente nas redes sociais, em especial, no Twitter e no Facebook e ganhou mais credibilidade por causa de prints de veículos de comunicação. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta de uma interpretação equivocada das notícias em questão.

Não é preciso nem lembrar que as histórias falsas sobre o uso da cloroquina contra a Covid-19 fizeram um verdadeiro estrago na vida real. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que Vladimir Zelenko iria ganhar o prêmio Nobel da Paz por ter defendido o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19. Também a que indicava que a Pfizer teria anunciado a hidroxicloroquina como antiviral contra a Covid-19 e, por fim, a que apontava que a nebulização com hidroxicloroquina seria a cura para a Covid-19.

Ao analisar a história, descobrimos que as reportagens usadas como fonte não afirmam que a cloroquina é a cura para a variante Ômicron. O que ocorreu foi que boa parte dessas matérias citam no título ou no subtítulo da reportagem um outro estudo relacionado à cloroquina. Como grande parte desses veículos de comunicação utilizam o sistema paywall (onde apenas os assinantes conseguem ter acesso ao conteúdo na íntegra), muita gente fez uma interpretação equivocada sobre o estudo.

Na realidade, a pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge buscava explicar o motivo da variante Ômicron ser menos mortal e mais amena em comparação a outras variantes, como a Delta. Os pesquisadores descobriram que o que torna a cepa Ômicron mais amena é o caminho que ela faz para entrar nas células humanas. Ainda segundo os cientistas, existem duas formas do SARS-CoV-2 entrar nas células humanas e dentre todas as cepas, apenas a variante Ômicron escolhe o segundo caminho.

Em um determinado trecho da reportagem, é citado que a pesquisa da Universidade de Cambridge remete a um achado de janeiro de 2021. Na época, um estudo divulgado pelo Instituto The Scripps Research, nos Estados Unidos, demonstrou que o caminho feito pela variante Ômicron para entrar nas células humanas é o mesmo utilizado pela cloroquina. E de acordo com um especialista ouvido pela reportagem, essa seria a explicação para o medicamento não funcionar contra as outras cepas da Covid-19.

Além disso, o comunicado emitido pelos pesquisadores da Universidade de Cambridge aponta que, agora, há razões para a cloroquina ser investigada contra as infecções pela variante Ômicron, uma vez que a substância atua no mesmo mecanismo celular que a cepa. A ação da cloroquina é na regulação do ambiente celular, o deixando menos ácido (o que auxilia no combate à penetração do vírus nas células humanas). Entretanto, os cientistas ressaltam que a ideia é apenas uma teoria e ainda são necessários muitos estudos para se fazer qualquer afirmação.

Por fim, mas não menos importante, é necessário destacar que a cloroquina já foi alvo de diversos estudos contra outras cepas da Covid-19 e não demonstrou qualquer eficácia contra a doença. Como já estamos cansados de repetir por aqui, a hipótese que surgiu a partir da pesquisa da Universidade de Cambridge é, até agora, apenas uma hipótese. Ainda são necessários diversos testes e estudos para conseguirmos comprovar tal ideia. E mesmo que, futuramente, a resposta seja positiva, a substância só seria eficaz contra as infecções pela variante Ômicron. Dessa forma, nada justifica o uso indiscriminado do medicamento.

Em resumo: a história que diz que cientistas descobriram que a cloroquina seria a cura para a variante Ômicron é falsa! Na realidade, o estudo noticiado buscava mostrar o motivo da variante Ômicron ser menos mortal e mais amena que outras cepas da Covid-19. A pesquisa identificou que a variante Ômicron fazia um caminho diferente para entrar nas células humanas e esse era o motivo pelo qual a variante era mais amena. As até o momento tudo se trata de hipótese e que outros estudos seriam necessários para comprovar a teoria. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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