Seção eleitoral de Miami não foi contabilizada nas eleições e prova fraude contra Bolsonaro #boato

Boato – Seções 3235, 3150, 3376 e 3345, de Miami (EUA), não foram contabilizadas e provam a fraude das eleições contra Bolsonaro.

Não é de hoje que os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro têm causado problemas não só na internet, mas também na vida real. Se não bastasse a disseminação de histórias falsas sobre as eleições e os candidatos que concorreram à Presidência da República em 2022, eles também estão causando revolta em boa parte da sociedade.

Após a divulgação dos resultados das eleições de 2022, os apoiadores de Bolsonaro interromperam o fluxo de rodovias, começaram a se mobilizar em frente a quartéis do Exército e estão comemorando informações falsas sobre supostas fraudes nas eleições como se fossem verdadeiras.

Para piorar a situação, esse tipo de história não para de pipocar nas redes sociais. De acordo com uma história que está sendo compartilhada por aí, diversas seções eleitorais de Miami (EUA) não foram contabilizadas pelo TSE. Segundo a publicação, as seções 3235, 3150, 3376 e 3345 não aparecem no histórico de votação do segundo turno das eleições de 2022. Ainda segundo a publicação, essa seria a prova de que as eleições de 2022 teriam sido fraudadas para impedir a vitória de Bolsonaro. Confira:

Versão 1: “Olá, gente. É, então, depois que houve aquele vídeo do argentino, trazendo alguma fumaça aí sobre o que pode ter acontecido com as eleições, a gente foi procurar, aqui da minha casa. E são três votos aqui: o meu, o da minha esposa e o do meu filho. E, é, nós votamos aqui em Orlando. Eu quero mostrar aqui pra vocês o comprovante. Esse aqui é o meu, zona 01, seção 3235. O da minha esposa, seção 3150. E o do meu filho, seção 3376. E agora a gente vai aqui procurar essas seções e essas zonas da seguinte forma: a gente vai para o exterior, que tá a votação dando no exterior, dados de urna, zona 01 de Miami ZZ e aqui tão as seções ou as urnas. Vai subindo, vai subindo e o último número lá, a última zona, a última seção é a 3068, 3068. Repetindo, os nossos são: 3235, 3150 e 3376. Portanto, três votos que a gente quer saber pra onde é que foi, se eles foram realmente computados, porque foram três votos 22, no presidente Jair Bolsonaro”.

Versão 2: “Meu e-Título. Tá aqui: Miami ZZ, zona 1, seção 3345, ok? Então, vamos lá, agora eu vou mostrar pra vocês aqui, desse jeitão aqui. Eu tô lá no banco de dados do STE. Zona Miami ZZ,só tem 01, aqui onde a gente vota. Ok? Ok. Tá lá, minha seção, é, zona. Seção 3345, ok? Começa 0210 e agora vai. Vamos lá, 0730, 3044, 3068 e não tem mais. 3345 não existe. Eu votei duas vezes, primeiro e segundo turno. Me desloquei de onde eu moro e fui pra Orlando, fiz vídeo, fiz foto, coloquei o povo lá e o meu voto não aparece na contagem do TSE. Eu quero uma explicação, TSE, acerca do meu voto que eu fiz aqui nos Estados Unidos em Bolsonaro. Não foi computado o voto de uma… milhares de pessoas lá em Orlando. A esquerda produziu o maior golpe da República brasileira, enganando, dizendo que defendem a democracia. Vocês não vão passar. Ladrão! Vocês roubaram o país!”.

Seção eleitoral de Miami não foi contabilizada nas eleições e prova fraude contra Bolsonaro?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Facebook e deixou muitos eleitores do presidente Jair Bolsonaro revoltados. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta de uma ação de junção de seções eleitorais.

Ao ver a mensagem, logo de cara ficamos com a pulga atrás da orelha. Isso porque ela apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, extremamente alarmista e a falta de notícias sobre o assunto em veículos de comunicação confiáveis.

Além disso, nas últimas semanas, histórias falsas sobre supostas fraudes nas eleições têm se multiplicado na internet. A equipe do Boatos.org já desmentiu dezenas delas, como a que dizia que um relatório de fraude teria sido entregue e mostraria que outras eleições no Brasil também foram fraudadas. A que indicava que as Forças Armadas teriam descoberto a fraude nas urnas eletrônicas e escrito um documento de 70 páginas que provaria toda a situação e, por fim, a que apontava que a fraude nas urnas do Nordeste teria sido comprovado e virado notícia no exterior.

Ao buscar pelas seções citadas nos vídeos no site do TSE, também não encontramos as seções em questão. Mas descobrimos um comunicado do próprio TSE sobre o caso. De acordo com a nota do TSE, as seções citadas nos vídeos não sumiram. Na realidade, elas foram agregadas a outras e não aparecem na página de resultados. Segundo o TSE, isso aconteceu, porque as seções em questão possuíam poucos eleitores e o gasto para mantê-las era muito alto. Por conta disso, elas foram agregadas a outras seções, sem prejuízo para os eleitores. Ainda de acordo com o TSE, essa situação ocorreu em 24.163 seções eleitorais no Brasil e em mais de mil seções no exterior. O resultado com todas as seções (inclusive, as agregadas) pode ser visto no Portal de Dados Abertos do TSE.

Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal ainda informou que no caso do eleitor da seção 3345, a pesquisa foi feita de maneira incorreta. Segundo o TRE-DF, o município que aparece no título de eleitor do homem é Miami, porque se trata de sua cidade de residência. Entretanto, o local de votação do homem é em Orlando. Ainda segundo o TRE-DF, todos os votos foram computados e puderam ser vistos no boletim de urna impresso ao final da votação. De acordo com o TRE-DF, a seção 3345 foi agregada à seção principal 1346, que funcionou no Valencia College West Campus.

Em resumo: a história que diz que seções eleitorais, em Miami (EUA), não foram contabilizadas e isso prova a fraude eleitoral contra Bolsonaro é falsa! As seções citadas nos vídeo tratam-se de seções agregadas a outras (principais). Esse tipo de ação, além de ser prevista em lei, ocorre com frequência, para otimizar os custos operacionais das eleições (principalmente, no exterior). Apesar disso, toda a ação ocorre de forma a não prejudicar os eleitores. De acordo com o TSE, todos os votos foram computados e podem ser vistos no boletim de urna impresso ao final da eleição ou no Portal de Dados Abertos do TSE. Além disso, o TRE-DF informou que, em um dos vídeos, o homem consulta a informação de maneira equivocada, uma vez que Miami é sua cidade de residência, mas ele vota em Orlando, na Flórida. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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