Fraude nas urnas no Nordeste foi comprovada e é notícia no exterior #boato

Boato – Notícia que fraude em urnas eletrônicas no Nordeste foi comprovada graças à lei de Benford virou destaque em site internacional. 

O segundo turno das eleições de 2022 mal acabou e o resultado já anda causando confusão por aí. No dia 30 de outubro de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito o novo presidente do Brasil.

Entretanto, os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro não gostaram nada do resultado, especialmente porque Lula venceu de virada, após o início da contagem na região Nordeste. Além disso, fake news e acusações não param de pipocar na internet.

Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais, uma fraude nas urnas eletrônicas do Nordeste teria sido comprovada. Segundo a publicação, a fraude, inclusive, teria virado notícia em sites internacionais. Ainda segundo a história, um grupo teria aplicado a lei de Benford, uma estatística, para analisar os resultados e teria encontrado diversas inconsistências na apuração dos votos. Confira:

“FRAUDE NAS URNAS DO NORDESTE JÁ É NOTÍCIA NO EXTERIOR URGENTE: Peritos forenses alertam para “bandeiras vermelhas” no primeiro turno da eleição presidencial brasileira, citando anomalias estatísticas detectadas pela lei de Benford”.

Fraude nas urnas no Nordeste foi comprovada e é notícia no exterior?

A informação causou um verdadeiro burburinho nas redes sociais, em especial, no Twitter e animou muitos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da falta de provas.

As eleições de 2022 ficaram marcadas pelo enorme número de fake news sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas. A equipe do Boatos.org já desmentiu diversas delas, como a que dizia que Luciano Hang teria gravado um áudio falando que as Forças Armadas vão entregar provas de fraude nas urnas para Bolsonaro. Também a que indicava que os militares teriam encontrado fraudes nas urnas em apuração paralela e desagradado o TSE e, por fim, a que apontava que Bolsonaro teria recebido um relatório de fraude nas eleições em reunião e assinado o artigo 142 para intervenção no sistema eleitoral.

Não é de hoje que esse tipo de história circula na internet. E incrivelmente, todas elas têm algo em comum: a falta de provas. São sempre acusações e afirmações sem nenhum embasamento (ou citam fontes que não podem ser nomeadas ou simplesmente não indicam ninguém que possa sustentar as alegações). No caso de hoje, ainda há o bônus de que bolsonaristas não aceitam a derrota de Bolsonaro no Nordeste (base política de Lula, desde as eleições de 2002)

Desde que as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas no processo eleitoral brasileiro, nunca houve uma perseguição tão grande de acusações. Antes de qualquer eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza auditorias públicas com convidados de universidades e instituições que realizam análises para identificar possíveis problemas. Além disso, ainda existem lacres de segurança que garantem a integridade do processo.

Se isso não bastasse, a tal lei de Benford não serve para verificar fraudes em eleições. O próprio TSE desmentiu a informação. De acordo com a instituição, a lei de Benford, por si só, não é capaz de provar irregularidades. Além disso, segundo o TSE, existem diversos estudos científicos que demonstram que a lei de Benford não é confiável para analisar dados eleitorais. O TSE ainda aponta que, em 2014, uma história parecida começou a circular na internet, mas destaca que uma auditoria paralela, solicitada por um partido, demonstrou que não houve nenhum tipo de irregularidade nas eleições daquele ano.

Vale ressaltar que, em 2018, diversos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro também atacaram as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, indicando supostas fraudes e irregularidades. Entretanto, quando Bolsonaro acabou eleito, ninguém mais falou sobre o assunto (até as eleições de 2022). Se a urna não é confiável em 2014 e 2022, por que seria em 2018? O que muda, além do candidato eleito ser Bolsonaro?

Por fim, o material usado como prova não se trata de uma notícia, mas sim de uma análise de opinião. Ao analisar o conteúdo, pudemos perceber que se trata de uma fake news. Além disso, uma rápida volta pelo site é o suficiente para identificar outras histórias falsas já desmentidas por aqui, como teorias conspiratórias sobre a Covid-19, o grande reset mundial e outras fake news políticas dos EUA e do Brasil.

Em resumo: a história que diz que a fraude nas urnas no Nordeste foi comprovada e a informação virou notícia internacional é falsa! Não é de hoje que esse tipo de história circula na internet e todas têm algo em comum: a falta de provas. Além disso, diversos estudos apontam que a metodologia conhecida por lei de Benford não é recomendada para analisar dados eleitorais e comprovar irregularidades no processo eleitoral. Se isso não bastasse, o material usado como prova, na verdade, não é uma notícia, mas uma análise de opinião. Por fim, o site contém diversas outras fake news publicadas. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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