Miriam Leitão teve pensão de R$ 27 mil (Bolsa Ditadura) cortada pelo governo #boato

Boato – Ministra Damares Alves suspende benefício (Bolsa Ditadura) da jornalista Miriam Leitão no valor de R$27 mil. Acabou a mamata da “Amélia”. 

Não é de hoje que a gente vê uma “guerra de argumentos” entre o governo e a Globo. E, de acordo com mensagens que está circulando na internet, o real motivo para tanto desgosto teria sido uma decisão da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.

De acordo com a história que está circulando nas redes sociais, a jornalista da Globo Miriam Leitão estaria recebendo uma pensão de R$27 mil oriunda da “Bolsa Ditadura”. Ainda segundo as publicações, a ministra Damares Alves teria suspendido o benefício recebido pela jornalista, causando revolta na emissora. Ainda de acordo com as publicações, Damares também teria suspendido o benefício de outras 2200 pessoas. Confira:

“Míriam Leitão teve seu benefício de R$27.000,00 cortado pela ministra Damares. Fim do bolsa ditadura pra ex-guerrilheira “Amélia” e mais 2.200 vagabundos”.

Miriam Leitão teve pensão de R$ 27 mil (Bolsa Ditadura) cortada pelo governo?

A informação foi um prato cheio para os defensores do governo Bolsonaro e contrários à Rede Globo. O mesmo texto tem sido compartilhado dezenas de vezes no Facebook (e mais ainda no WhatsApp). Apesar disso, a história não é real!

Ao olhar a tal mensagem, logo de cara, ficamos desconfiados. Isso porque ela apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, alarmista, os erros de português e a falta de fontes confiáveis.

Além disso, não precisa procurar muito para saber que a jornalista Miriam Leitão já foi vítima de diversas fake news relacionadas à ditadura na internet. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que Miriam Leitão teria pedido desculpas por lutar contra a ditadura. Também a que indicava que Miriam Leitão teria sido fotografada pela guerrilha segurando um fuzil (furadeira) e, por fim, a que apontava que Miriam Leitão teria participado do assalto ao banco Banespa, em 1968.

Também não é necessário procurar muito para saber que essa história de que o governo Bolsonaro teria cancelado as “bolsas ditaduras” não é nova. Publicações sobre o assunto já circulam desde o início de 2020. Na época, a equipe do Boatos.org chegou a desmentir a informação. De acordo com as nossas checagens, apesar do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos estar dificultando a concessão dos benefícios, a concessão é um direito garantido pela Lei nº 10.559. Ou seja, nem Damares Alves e muito menos Bolsonaro podem simplesmente suspender e acabar com o benefício.

Além disso, o desmentido também mostra que Miriam Leitão nunca teve o benefício cortado, uma vez que nunca foi beneficiária da indenização. Na realidade, a história de hoje circula desde 2019 e nada mais é do que um desdobramento desse conteúdo. Em 2019, o serviço de fact-checking Fato ou Fake desmentiu toda a história. Na época, o serviço de fact-checking conseguiu contatar o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. De acordo com o Ministério, Miriam Leitão não recebe o benefício.

E, na verdade, nem é preciso uma declaração do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para constatar a verdade. No módulo de consultas, no site da Comissão de Anistia, o nome da jornalista (Miriam Azevedo de Almeida Leitão) não consta em requerimentos, muito menos em beneficiários.

Em resumo: a história que diz que a jornalista Miriam Leitão teve sua pensão de R$27 mil (Bolsa Ditadura) pela ministra Damares Alves é falsa! Miriam Leitão nunca foi beneficiária da indenização concedida às pessoas perseguidas pela ditadura no Brasil. Além disso, a ministra Damares Alves também não acabou com a indenização de Miriam. A concessão do benefício aos perseguidos pela ditadura é um direito previsto em lei!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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