Jarbas Passarinho inventou apelido de “noivinha do Aristides” para Bolsonaro #boato

Boato – O apelido ao presidente Jair Bolsonaro de “noivinha do Aristides” surgiu de declaração de Jarbas Passarinho sobre o presidente em 2011.

Há pouco, o Boatos.org desmentiu a informação falsa que apontava que fotos que estão circulando em redes sociais são do presidente Jair Bolsonaro e o “Sargento Aristides”. Só que se engana que as únicas informações falsas sobre a história estão nas imagens.

Junto aos arquivos estão circulando na internet a suposta fonte de onde teria saído a tal alcunha “noivinha do Aristides” que teria irritado o presidente da República. A história teria saído do ex-senador Jarbas Passarinho (morto em 2016). Ele teria dito que “Aristides” seria o sargento que Bolsonaro iria chorar as mágoas nas noites quentes de verão. Leia alguns dos textos que circulam online:

Confira o desmentido em vídeo:

Versão 1: A senhora foi detida por chamar o genocida de “Noivinha do Aristides”. Aristides era o sargento em cuja cama, segundo Jarbas Passarinho, o então tenente ia chorar as mágoas, nas noites quentes de verão dos aquartelados. #noivinhadoaristides

Versão 2: “MULHER É DETIDA PELA PRF ACUSADA DE XINGAR BOLSONARO DE “NOIVINHA DO ARISTIDES” EM RODOVIA DO RIO”. ARISTIDES ERA O SARGENTO EM CUJA CAMA, SEGUNDO JARBAS PASSARINHO, O ENTÃO TENENTE IA CHORAR AS MÁGOAS, NAS NOITES QUENTES DE VERÃO DOS AQUARTELADOS.

Jarbas Passarinho inventou apelido de “noivinha do Aristides” para Bolsonaro?

Vamos lá gente. Acabamos de explicar que, primeiro, não há qualquer prova de que a mulher tenha chamado Bolsonaro de “noivinha do Aristides”. Não há nada disso no boletim de ocorrência feito pela PRF, não há qualquer vídeo que comprove isso e, de quebra, “bomba” (de acordo com pesquisas por meio da ferramenta Crowd Tangle) surgiu de um perfil “pega-trouxa esquerdista” no Twitter (sim, existem perfis assim).

Segundo: a tal tese sobre Bolsonaro ser “noivinha do Aristides” não só é de um mau gosto terrível (de caráter homofóbico) como também não é comprovada. Se Bolsonaro tinha namorado, namorada ou sei lá o que, isso não deveria influenciar no debate político. Terceiro: as “fotos que seriam a prova” são, como mostramos, de outras situações”.

E, finalmente, quarto (e novidade neste texto): Jarbas Passarinho nunca fez qualquer menção a sargento Aristides ou mesmo sobre Bolsonaro “dormir com ele em noites de verão”.

Como falamos no artigo que acabamos de escrever, as mensagens, por si só, já deveriam suscitar muitas dúvidas. Elas têm características de boatos online como o caráter vago, alarmista e a falta de citação que comprovem que a tese.

Além disso, não é de hoje que fake news de cunho homofóbico visam atingir o presidente. Já desmentimos histórias falsas que apontam que o filho de Bolsonaro é gay e tem “um caso com o primo” e uma tese que Bolsonaro teria trocado a namorada Rita Lee por um “menino”.

Assim como nos outros casos, a história que aponta que a “revelação” se deu por conta de Jarbas Passarinho não procede. Ao buscar qualquer registro que aponte para a ligação entre Jarbas Passarinho, Bolsonaro e o termo “noivinha do Aristides” nada encontramos além de mensagens sem nenhuma prova e uma série e “copia e cola” delas.

Na realidade, a tese surgiu por meio de um telefone sem fio. Em 2011, Jarbas Passarinho deu uma entrevista a Terra Magazine (que está sendo reproduzida aqui) em que deu a seguinte declaração: “Ele irrita muito os militares também, porque quando está em campanha, em vez de ele ir ao Clube Militar, como oficial, ele vai pernoitar no alojamento dos sargentos (risos). Pra ganhar a popularidade dele”.

Note que na fala de Jarbas Passarinho (e em nenhum outro momento da entrevista) há qualquer menção a “chorar as mágoas, nas noites quentes de verão”, sobre “relacionamento com outro militar” ou mesmo sobre o tal do Aristides. A fala é clara no sentido que Bolsonaro se aproximava dos militares no período eleitoral e depois os abandonava.

É importante citar que a fala de Jarbas Passarinho não faz referência ao tempo que Bolsonaro era “tenente do Exército” e sim ao tempo que ele virou político e candidato a deputado federal (quando já era capitão da reserva).

Para terminar, a “menção a Jarbas Passarinho” falar sobre “noivinha do Aristides” surgiu (coincidentemente) de perfis do mesmo naipe que espalhou que havia a tal relação (algo que, por sinal, não tem qualquer comprovação).

Resumindo: é falsa a informação que aponta que Jarbas Passarinho disse que Bolsonaro era “noivinha do Aristides”. O senador, morto em 2016, não deu tal declaração e a informação de que ele seria “fonte” de algo que brotou na web veio por meio de uma distorção de uma entrevista dele em 2011.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet