O melhor do Boatos.org em 2018, por Carol Lira

Na quarta parte da retrospectiva 2018 do Boatos.org, Carol Lira escolhe os cinco desmentidos de boatos (ou fake news) que mais a marcaram no ano.

O ano está, finalmente, chegando ao fim. Copa do Mundo, desastres, atentados, eleições e escândalos políticos marcaram o ano e viraram manchete na imprensa e no mundo dos boatos. Em 2018, o termo “fake news” entrou definitivamente no vocabulário brasileiro, isso ninguém pode negar. A proliferação de notícias falsas fez da frase clichê “não acredite em tudo o que você lê na internet” quase um mantra (que por sinal eu sigo fielmente).

Não podemos dizer que esse é um ano que vai deixar saudade – pelo menos não dos boatos. Com uma lista que vai de fraude nas eleições a esquerdistas atacando crianças, as mentes brilhantes não deixaram a desejar. E eu, prestes a completar três anos nesse time, encerro o ano de 2018 com a sensação dever cumprido e grata pela oportunidade de construir um mundo melhor. Com vocês os cinco boatos que mais gostei de desmentir.

Veja também: Equipe do Boatos.org escolhe os boatos que mais marcaram o ano (com vídeo):

5) Mulher morre após tentar colar vagina com Super Bonder no Piauí

Em quinto lugar, mulher morre após tentar colar vagina com Super Bonder no Piauí. Esse, sem dúvidas, foi um dos boatos mais sem noção que eu desvendei esse ano. A história contava que uma mulher, querendo enganar seu noivo e parecer virgem, morreu após tentar colar sua vagina com Super Bonder. Mas, apesar da criatividade das mentes brilhantes, a história não passou de uma mentira inventada por um site de fake news.

4) Esquerdistas atacam crianças em desfile de 7 de setembro no Acre 

Em quarto lugar, esquerdistas atacam crianças em desfile de 7 de setembro. O assunto deu o que falar e teve grande repercussão na rede, principalmente, porque endossava o “Fla-Flu” político. A história começou a circular com um vídeo em que um homem aparecia jogando gás de pimenta durante o desfile cívico em comemoração à Independência do Brasil. O incidente, de fato, aconteceu. Porém, ao contrário do que se imagina, não se tratava de um “esquerdista” ou mesmo de pessoas ligadas a partidos políticos. Isso porque, na verdade, o gás lacrimogêneo foi lançado acidentalmente por um militar durante o desfile cívico.

3) Ratinho revela quem é o culpado pela morte de Marielle Franco

Mais uma da categoria “sem noção”, a história de que o Ratinho revelou quem é o culpado pela morte de Marielle Franco foi só a ponta do iceberg. O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) movimentou o debate sobre a segurança pública, deixou algumas pessoas convictas que o crime foi político (essa que vos fala é uma delas) e também se tornou pauta para os mais variados tipos de boatos, que chegaram a enganar uma desembargadora e uma deputado. Depois disso não é estranho dizer o porquê que o nome da vereadora está no top 3 dessa lista.

2) Febre amarela é uma farsa criada pelo governo para vender vacina

Na segunda posição, entra um texto que considerei importante desmentir. E isso por dois motivos: porque causou muita confusão Brasil adentro e outro está ligado ao fato de que o compartilhamento de fake news fez com que a cobertura de vacinas caísse no Brasil, o que por sinal é bastante preocupante.

O boato começou a circular com um vídeo que apontava que a febre amarela foi uma farsa criada pelo governo para desviar recursos públicos. As mensagens apontavam ainda que a “vacina não era segura” e que não possuíam comprovação clínica. Surpreendente, não? Porém, tão surpreendente quanto o vídeo era o fato de que a história não passava da união de alarmismo e falta de informação.

1) Exército diz que eleição será anulada e será em papel se fraude nas urnas for confirmada

No primeiríssimo lugar dessa lista está a história: Exército diz que a eleição será anulada e será em papel se fraude nas urnas for confirmada. As eleições presidenciais no Brasil deram o que falar – e inventar também. Em 2018, a eleição foi meu assunto preferido. E, como sempre, a história de fraude em urnas eletrônicas fizeram sucesso na internet. Tudo começou com um suposto pronunciamento do Exército Brasileiro. No final, o boato foi desmentido pelo próprio órgão que afirmou que não cabe à instituição o papel de “validadora da inviolabilidade das urnas eletrônica”.

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