Fachin proibiu polícia de entrar em favelas para esquerda, tráfico, Antifas e chineses atacarem o governo #boato

Boato – Proibição de polícia em favelas do RJ visa ajudar a esquerda, o tráfico, os Antifas e chineses a atacarem o governo.

A morte do jovem João Pedro, de apenas 14 anos, em São Gonçalo (RJ), no dia 18 de maio de 2020 gerou comoção nacional. João Pedro morreu durante uma operação entre a Polícia Federal e a Polícia Civil, que dispararam mais de 70 vezes contra a casa onde João Pedro e os primos brincavam.

A brutalidade do caso levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a proibir operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro durante a quarentena. Em casos de extrema necessidade, as autoridades terão que justificar a ação ao Ministério Público do Rio de Janeiro.

Porém, de acordo com uma publicação que está circulando nas redes sociais, o motivo para a proibição de policiais em comunidades seria outro. Segundo a história, a decisão teria sido motivada para ajudar a esquerda, o tráfico, os Antifas e os chineses a atacarem o governo de Jair Bolsonaro no caso de uma intervenção militar. Confira:

“DENÚNCIA GRAVE Com a decisão do Ministro do supremo Edson Fachin de proibir a policia de entrar nas favelas, a esquerda e o crime organizado, com dinheiro chinês, mandou distribuir e esconder uma grande quantidade armas em lugares estratégicos nas favelas do Rio e SP, para colocar na mão de muita gente, de forma remunerada, para combater o governo no caso de intervenção militar. Estão formando exércitos mercenários. Vários estrangeiros com formação militar devem somar forças. José Dirceu, entre outros, disse que o poder será tomado a força.

Soube que na favela da maré RJ existe treinamento de guerrilha por angolanos… Lindemberg Farias foi visto recentemente organizando sovietes na favela do Vidigal RJ… Provavelmente farão ataques e saques simultâneos e as forças estaduais e municipais não conseguirão coibir e a população ficará apavorada. Já estamos veladamente no meio de uma guerra. Os 35 mil presos foram libertados com uma missão. Os serviços de inteligência devem investigar e o ministério da defesa adotar medidas preventivas… As manifestação dos ANTIFAS com apoio da mídia irá estimular o espírito bélico e a vontade de guerrear das hordas. TODOS devemos nos preparar. Deus no comando”.

Fachin proibiu polícia de entrar em favelas para esquerda, tráfico, Antifas e chineses atacarem o governo?

O texto foi compartilhado diversas vezes e levou muita gente a criticar a decisão do ministro do STF Edson Fachin. Mas será que essa história de que Fachin teria proibido a polícia em comunidades do Rio de Janeiro para ajudar a esquerda, o tráfico, os Antifas e chineses a atacarem o governo é real? Não é!

Vamos aos detalhes! Para começo de história, o texto apresenta diversas características de fake news, como o caráter vago. O texto sempre usa palavras genéricas, como “Antifas”, “chineses”, “vários estrangeiros” e “lugares estratégicos nas favelas do Rio e SP”, nunca informando nomes ou lugares exatos, dificultando a checagem e aumentando a sobrevida do boato. Além disso, o texto é bastante alarmista. Por exemplo, ele usa uma técnica bastante comum nos boatos atuais, alertando para um possível golpe contra o governo e usando grupos contrários como vilões.

O texto ainda apresenta erros de português e de nomes, como o do senador Lindbergh Farias, e não cita fontes confiáveis, como veículos de comunicação ou documentos oficiais, que possam embasar a história.

Além disso, o histórico de informações falsas sobre guerras civis no Brasil é extensa (e, geralmente, surgem de intervencionistas que buscam apenas um motivo para a implementação da ditadura). A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que uma guerra civil teria sido declarada no Brasil, por causa da Reforma da Previdência e da OAB. Também a que indicava que policiais federais, civis e militares teriam invadido o Congresso e descoberto um golpe contra Bolsonaro e, por fim, a que apontava que o grupo terrorista Antifa, de George Soros, teria chegado ao Brasil para impedir manifestações pró-Bolsonaro.

É importante destacar que a denúncia é gravíssima, mas em nenhum momento o texto apresenta provas. Ao buscar por mais informações sobre o assunto, também não encontramos nada.

Pois bem, não existe nada de dinheiro chinês no tráfico brasileiro para derrubar o governo. Muito menos estrangeiros militares, uma vez que o Brasil estava com as fronteiras fechadas para a chegada de pessoas estrangeiras no país. Já a história do treinamento de angolanos para traficantes brasileiros é tão absurdo que, inclusive, já foi desmentida por um site local. O embaixador de Angola no Brasil, Alberto Correia Neto, afirmou que mais de 90% dos angolanos que moram no Brasil nunca tiveram contato com o Exército de Angola e, portanto, não possuem capacidade para treinar qualquer grupo guerrilheiro.

Em resumo: a história que diz que Fachin proibiu a polícia de entrar em favelas para que a esquerda, o tráfico, os Antifas e chineses pudessem atacar o governo é falsa! A publicação junta ideias mirabolantes, absurdos e informações sem sentido para criar uma história surreal. Além dela apresentar diversas características de boatos (como o caráter vago, alarmista e a falta de fontes confiáveis), também não apresenta nenhuma prova. Por fim, não conseguimos encontrar nenhuma informação que pudesse confirmar a história. Ou seja, tudo não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164.

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