Vacina chinesa causa dano genético e causou reações adversas graves em grande número de voluntários #boato

Boato – A vacina chinesa contra a Covid-19, apoiada por João Doria, causa dano genético nas pessoas. A prova disso é que um grande número de voluntários apresentaram reações adversas graves.

Temos uma notícia boa e uma ruim para vocês. A boa é que a vacina contra a Covid-19 está cada vez mais próxima. A má é que o movimento antivacinas está a todo vapor divulgando informações falsas sobre os imunizantes. Hoje vamos falar sobre duas distorções que estão circulando na internet e são relacionadas à vacina chinesa contra a Covid-19 produzida pela empresa Sinovac e chamada de Coronavac.

Uma delas surgiu após a divulgação dos resultados da fase 2 de testes da vacina. Textos apontando para o número total de pessoas que apresentaram reações adversas dão a entender que a vacina não se mostrou segura. Mais do que isso: elas apontam que a vacina chinesa contra a Covid-19 causaram “reações não divulgadas em um grande número e pessoas”. Leia uma das mensagens que viralizou na internet:

Confira também: 6 fake news sobre vacinas que circularam na internet

Um pouquinho de realidade sobre a vaChina do Dória. A quantidade de pacientes que apresentou reações adversas é grande. Você acha seguro tomar? Os resultados não foram publicados em revista cientifica com o detalhamento desses efeitos colaterais. Estamos de olho. Vacina chinesa provocou efeitos colaterais em 2.650 voluntários na China

Junto com a divulgação em questão, começou a circular na internet uma suposta “denúncia bomba de um jornalista”. Ele teria apontado que a “vacina contra o vírus chinês causa danos genéticos irreversíveis”. Leia trechos do texto que circula na internet e foi publicado em redes sociais e sites por aí:

As vacinas que estão sendo produzidas, a toque de caixa, por gente ligada a Bill Gates e outros, são chamadas de ‘vacinas de mRNA de última geração’. Na escola aprendemos que o RNA mensageiro (ou mRNA) é o acido ribonucleico que transfere o código genético do DNA, do núcleo da célula para o ribossomo no citoplasma. […]

Essas vacinas de mRNA interferem diretamente no material genético da pessoa, ou seja, alteram o material genético individual de uma vez por todas. O que representa uma manipulação genética. Algo que já foi proibido e até considerado criminoso.” Esse novo tipo de vacina pode provocar “danos genéticos”, que serão fatalmente “irreversíveis” e “irreparáveis”.

Não tem volta. Não tem conserto. Depois que você tomar uma vacina dessas e tiver algum efeito colateral adverso, não vai haver tratamento. Você vai ter que conviver com as consequências, porque os problemas que estiverem instalados no seu corpo, não poderão mais ser consertados.” […]

Vacina chinesa causa dano genético e causou reações adversas graves em grande número de voluntários?

As duas mensagens circularam muito na internet na última semana. Por isso, estamos aqui para dizer que a informação que aponta que a vacina chinesa contra a Covid-19 causa danos genéticos é falsa. E a que aponta que muitos voluntários tiveram uma reação adversa grave? Também é falsa.

Vamos falar sobre a tese que denuncia que as vacinas causem dano genético. Na realidade, ela já foi desmentida algumas vezes aqui no Boatos.org. Já tivemos que desmentir versões norte-americanas, alemãs e italianas da notícia falsa. Infelizmente e apesar dos desmentimos, tem gente que continua espalhando a desinformação e dando oxigênio ao fake. Como o que falamos na época vale para hoje, relembre o que foi dito:

Já explicamos que a vacina do tipo mRNA não consegue alterar o DNA, uma vez que não promove alterações no núcleo da célula (onde se encontra o DNA). O mRNA é um tipo de RNA que tem como função levar a mensagem do DNA ao ribossomo para a correta síntese proteica. A vacina do tipo mRNA contém o mRNA do gene que codifica a proteína Spike (utilizada pelo novo coronavírus para se ligar e entrar nas células humanas). Relembre o que foi escrito e dito:

[…] E como essa vacina funciona no nosso organismo? Essa questão é facilmente respondida pelo canal de divulgação científica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A doutora e professora de imunologia da UFVJM, Leida Calegário, explica que as nanopartículas de gordura que carregam o mRNA do vírus se fundem facilmente com as membranas das nossas células. O mRNA do vírus, então, entra na célula e se dirigem aos nosso ribossomos. A partir daí, o mRNA do vírus induz os ribossomos a produzirem proteínas do tipo spike (comuns em vírus, mas não fabricadas pelo organismo humano). Dessa forma, as proteínas Spike são reconhecidas pelo sistema imunológico como algo fora do normal. Esse processo induz o sistema imunológico a produzir uma resposta imunológica, não só por meio de anticorpos, mas também por meio do LTCD8+ (um tipo de linfócito citotóxico que é capaz de destruir células onde ele identifique a presença de proteínas estranhas, como a Spike, levando à eliminação do vírus), induzindo à memória imunológica (quando o organismo sabe identificar o invasor e eliminá-lo). Entretanto, vale ressaltar que esse tipo de tecnologia é nova e nunca foi usada antes.

A partir daí, fica fácil entender que não é possível que a vacina induza novas infecções por Covid-19, uma vez que a vacina possui apenas o mRNA de uma proteína específica do vírus e não seu RNA completo. O mesmo vale para a teoria de alteração de DNA e “seres geneticamente modificados”. O DNA humano continua intacto. A mRNA do vírus, contido na vacina, vai atuar somente na tradução da informação, ou seja, no ribossomo e não no núcleo das nossas células (onde fica o DNA). O mRNA do vírus vai produzir uma proteína estranha para que o sistema imunológico gere uma resposta imune, aprenda a combater o “agente estranho” e memorize esse processo de “defesa” para repetir em novos ataques. Uma mutação a nível de DNA precisaria de muito mais, como uma exposição à altas doses de determinados tipos de radiação, por exemplo. […]

Confira o desmentido em vídeo:

A denúncia de que muitos voluntários apresentaram reação adversa desconhecida e que a vacina não se mostrou segura também não procede. Ela é uma distorção de uma informação real. Nesta semana, pesquisadores chineses divulgaram o resultado de testes com mais de 50 mil voluntários da vacina da Sinovac.

Na divulgação, foi dito que o percentual de pessoas que apresentaram reações adversas foi de 5,36%. Detalhe: todos os efeitos colaterais foram considerados sem gravidade. Dos 5,36% que apresentaram reações graves, 3,08% tiveram dor no local da aplicação, 1,53% tiveram fadiga e 0,21% apresentaram febre leve. Apenas 0,03% apresentaram efeitos considerados um pouco mais graves como dor de cabeça, fadiga e febre.

Ou seja: além de não ser real que mais de 2 mil voluntários apresentaram reações graves, não é possível aferir que os efeitos colaterais apontem que vacina não seja segura. Isso porque a percentual de pessoas que apresentaram reações leves é condizente com o que ocorre em vacinas homologadas (com a contra o vírus influenza). E é claro que nenhuma das reações adversas têm a ver com “dano genético”.

Resumindo: a história que aponta que a vacina chinesa contra a Covid-19 causa danos genéticos e que causou danos graves em muitos voluntários é falsa. Uma das teses já foi desmentida diversas vezes por aqui e a outra é uma distorção de uma divulgação de estudos.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet