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É falso que a Ivermectina previna o Alzheimer com “efeito neuroprotetor”

Ivermectina tem efeito neuroprotetor que previne o Alzheimer, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – A ivermectina, um medicamento antiparasitário, possui ‘efeito neuroprotetor’ e pode ser uma aliada na prevenção do Alzheimer.

Análise

A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência no mundo, sendo uma condição neurodegenerativa complexa caracterizada pelo acúmulo de proteínas tóxicas que levam à morte progressiva das células cerebrais. No momento, a medicina se concentra em terapias que buscam retardar a progressão dos sintomas e em medidas preventivas centradas em um estilo de vida saudável.

Em meio à busca por tratamentos e prevenções, uma mensagem viral tem circulado amplamente, tentando vincular a ivermectina, um medicamento antiparasitário de baixo custo, a um suposto “efeito neuroprotetor” contra o Alzheimer. O texto, que utiliza uma linguagem que simula artigos científicos, cita termos técnicos como “estresse oxidativo” e “canais de íons” alega que a droga poderia prevenir a doença. Leia:

Ivermectina e Alzheimer: o efeito neuroprotetor revelado pela ciência Nos últimos anos, a ciência vem redescobrindo o potencial terapêutico de substâncias já conhecidas, e uma das mais surpreendentes é a ivermectina. Originalmente desenvolvida como antiparasitário, ela tem demonstrado, em estudos recentes, efeitos neuroprotetores que despertaram o interesse de pesquisadores do mundo todo. Pesquisas conduzidas por universidades e centros de neurociência vêm apontando que a ivermectina pode reduzir processos inflamatórios no cérebro, além de modular a comunicação entre os neurônios. Isso é particularmente relevante no contexto do Mal de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa caracterizada pela morte progressiva das células cerebrais e pelo acúmulo de placas tóxicas conhecidas como beta-amiloides.

Estudos in vitro e em modelos animais sugerem que a ivermectina pode impedir a formação dessas placas, além de estimular mecanismos de defesa celular contra o estresse oxidativo, um dos fatores que mais aceleram o envelhecimento cerebral. Há também indícios de que o composto atua sobre os canais de íons neuronais, ajudando a manter o equilíbrio elétrico e funcional do cérebro. Os cientistas destacam, contudo, que esses resultados ainda são preliminares e exigem ensaios clínicos em larga escala antes de qualquer recomendação terapêutica. Mesmo assim, o potencial é promissor: a ivermectina, uma molécula simples e de baixo custo, pode se tornar uma aliada inesperada na proteção e regeneração das células cerebrais, oferecendo esperança para milhões de pessoas afetadas por doenças neurodegenerativas. O que antes era apenas um antiparasitário comum agora começa a revelar um novo papel: o de protetor do cérebro humano, uma descoberta que abre caminho para futuras terapias e amplia a compreensão da relação entre imunidade, inflamação e saúde neurológica.

Checagem

Apesar da eloquência na mensagem, a alegação de que a ivermectina funciona como neuroprotetor e pode prevenir ou curar o Alzheimer é, de fato, falsa. Para desmistificar essa informação, que se baseia em resultados preliminares e distorcidos, analisamos três questões chave: 1) Ivermectina tem efeito neuroprotetor que previne o Alzheimer? 2) O que pode ser feito para a prevenção da doença de Alzheimer? 3) Há outras fake news que citam a Ivermectina como cura ou tratamento milagroso?

Ivermectina tem efeito neuroprotetor que previne o Alzheimer?

Não há comprovação científica relevante em estudos clínicos com seres humanos que apoie a ideia de que a ivermectina possa prevenir ou curar o Alzheimer. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para o Alzheimer não inclui a ivermectina em nenhuma de suas recomendações de tratamento ou prevenção, um sinal claro da ausência de evidências de eficácia e segurança para esse fim.

O que pode ser feito para a prevenção da doença de Alzheimer?

A prevenção da doença de Alzheimer, de acordo com as principais autoridades de saúde como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil (referência), não está ligada a medicamentos milagrosos, mas sim à adoção de um estilo de vida saudável e à gestão de fatores de risco. As diretrizes enfatizam a necessidade de manter a atividade física regular, ter uma dieta balanceada (como o padrão mediterrâneo), e promover o estímulo cerebral constante por meio de novos aprendizados e interações sociais. Controlar condições crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade também são medidas cruciais para a proteção da saúde neurológica.

Há outras fake news que citam a Ivermectina como cura ou tratamento milagroso?

Infelizmente, sim. A ivermectina se tornou alvo de uma série de boatos e informações falsas, especialmente após ter sido erroneamente promovida como um “kit de tratamento” durante a pandemia de Covid-19. Além da falsa alegação de prevenção do Alzheimer, a droga já foi citada em outras fake news afirmando, sem respaldo científico, que ela cura ou trata eficazmente câncer, dengue, e que reduziria significativamente a mortalidade por Covid-19, o que não foi confirmado por ensaios clínicos robustos em larga escala.

Conclusão

A alegação de que a ivermectina tem um “efeito neuroprotetor” capaz de prevenir o Alzheimer é infundada e não possui comprovação em ensaios clínicos com seres humanos. A prevenção do Alzheimer permanece ancorada em um estilo de vida saudável e no controle de fatores de risco, conforme orientações do Ministério da Saúde e da OMS.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)