Ivermectina reduz mortes por Covid-19 em 56% e teria salvo 250 mil no Brasil, diz Oxford #boato

Boato – Universidade de Oxford comprova que ivermectina reduz número de óbitos por Covid-19 em 56% e que Brasil poderia ter salvo 250 mil pessoas.

Quando a gente achou que não precisaria mais falar sobre um assunto que inundou de desinformação as redes sociais, durante a pandemia, vem a internet e nos brinda com mais conteúdo falso, sem noção e que coloca em risco a vida das pessoas.

Dessa vez, uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais aponta que um estudo da Universidade de Oxford, enfim, comprovou a eficácia da ivermectina no combate à Covid-19.

E mais! De acordo com as publicações, o estudo teria constatado que o uso da ivermectina conseguiu reduzir em 56% o número de óbitos em casos moderados e graves. Ainda segundo a história, o estudo também concluiu que 250 mil óbitos por Covid-19 poderiam ter sido evitados no Brasil. Confira:

Versão 1: “Estudo liderado pela Universidade de Oxford, esclarece que cerca de 250.000 óbitos por covid-19 poderiam ter sido evitados no Brasil com o uso da ivermectina, que segundo esse estudo, reduz em 56% os óbitos nos casos moderados e graves da doença”. Versão 2: “Através da ivermectina, mais de 250 mil vidas teriam sido salvas no Brasil. É o que conclui um estudo liderado pela Universidade de Oxford. Segundo esse estudo, publicado no Fórum Aberto de Doenças Infecciosas da própria instituição e assinado por cientistas de seis das principais universidades do Reino Unido, entre elas a Universidade de Liverpool e a Imperial College, a ivermectina reduz em 56% a mortalidade de pacientes em estado moderado e grave de Covid-19. Ou seja, se parte da imprensa e políticos esquerdistas não tivessem militado tanto contra a ivermectina, mais de 250 mil brasileiros teriam sido salvos. Deixa eu repetir pra você: aquele político e aquele jornalista de esquerda que fez chacota da ivermectina, que falou que não existia remédio cientificamente comprovado é o grande responsável por sua mãe, seu pai, seu filho, qualquer outro parente seu ter morrido de Covid-19. Os donos da mídia, o poder que militaram tudo contra, que alienaram tudo o povo, que fizeram uma lavagem cerebral que você recusasse ou não tivesse acesso ao medicamento barato, que poderia ter salvo sua família. São eles os responsáveis por essas mortes. Desviaram dinheiro da saúde, tiveram tempo, mas não preparam os hospitais, fecharam a economia, causando falência, desemprego, miséria e, ainda por cima, lutaram para que o povo não tomasse medicamentos que poderiam sim ter salvo mais da metade das vítimas de Covid. Esses são os verdadeiros genocidas, gente. Por quanto tempo mais, minha gente, você se deixará conduzir pelos lobos que querem a sua morte e da sua família?”.

Ivermectina reduz mortes por Covid-19 em 56% e teria salvo 250 mil no Brasil, diz Oxford?

A informação fez um grande sucesso nas redes sociais, em especial, no Twitter e no Facebook, e foi amplamente divulgada entre grupos bolsonaristas. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta do próprio trabalho usado como fonte de informação.

Não é preciso nem lembrar da quantidade de histórias falsas sobre a ivermectina que já desmentimos aqui no Boatos.org, certo? Lidamos com as mais variadas abordagens sobre o mesmo assunto que, no final das contas, tinham apenas o mesmo objetivo: vangloriar um medicamento que não possui eficácia comprovada cientificamente contra a Covid-19. E a situação foi tão intensa que a equipe do Boatos.org chegou até a fazer um especial sobre o assunto.

Também não precisamos nos alongar sobre os usos recomendados da ivermectina e seus efeitos colaterais em superdosagens. Até o momento, sabemos que a ivermectina é bastante eficaz para tratar casos de parasitoses, como infestação de piolhos e sarnas. Por outro lado, não existem estudos que comprovem a eficácia da ivermectina contra a Covid-19. O único estudo que apontou algo de positivo nessa questão (e que continua sendo usado, de forma completamente equivocada, para defender o uso da substância) não possui validade no mundo real. Isso porque a pesquisa que apontou alguma eficácia da ivermectina no combate à Covid-19 foi realizada em células de laboratório e em uma dosagem 10 vezes maior do que a dosagem máxima recomendada (e segura para seres humanos). Além disso, tomar medicamentos sem orientação médica é uma prática bastante perigosa. No caso da ivermectina, a intoxicação pelo medicamento pode levar à toxicidade do sistema nervoso central, causar hepatite medicamentosa e agravar quadros de asma (sem falar nos outros efeitos colaterais, como dor de cabeça, náusea, vômito, dores musculares, dores de cabeça, taquicardia e inchaço pelo corpo).

Mesmo com todas essas informações, diversos negacionistas ainda insistem em distorcer estudos e divulgar desinformação sobre o assunto na internet. Em junho de 2021, por exemplo, a equipe do Boatos.org desmentiu uma história que afirmava que um estudo da Universidade de Oxford comprovava a eficácia da ivermectina contra a Covid-19. A verdade é que grupos antivacina acabaram distorcendo um comunicado da Universidade de Oxford.

No caso de hoje, a história não é muito diferente. Ao pesquisar mais sobre o assunto, descobrimos que o tal estudo da Universidade de Oxford, na realidade, trata-se de uma meta-análise, isto é, uma compilação de diversos estudos. Em uma pesquisa de meta-análise, o pesquisador reúne diversas pesquisas sobre o mesmo assunto, usando técnicas estatísticas para produzir uma síntese de literatura (isto é, reunir de maneira simples e compacta os mais diversos resultados sobre uma mesma questão de pesquisa).

Se isso não bastasse, ao acessar o estudo, publicado no dia 6 de julho de 2021, encontramos muitas informações que, simplesmente, acabam com a história de hoje. Para início de conversa, o estudo foi elaborado por pesquisadores de diversas instituições de ensino ao redor do mundo, mas coordenado (e assinado como autor principal) por Andrew Hill, um pesquisador da Universidade de Liverpool, na Inglaterra.

Além disso, o resumo do estudo é bastante claro: trata-se de uma meta-análise que reúne dados de 24 estudos randomizados sobre o uso da ivermectina no tratamento da Covid-19. Entretanto, a pesquisa destaca que “muitos estudos incluídos na investigação não foram revisados por pares”. Isso por si só já coloca em xeque a credibilidade da meta-análise, uma vez que mistura trabalhos de alto rigor científico com pesquisas que sequer tiveram o aval de outros cientistas (sobre as boas práticas, rigor metodológico etc, isto é, processos importantes para a produção do conhecimento).

Se isso não bastasse, no dia 9 de agosto de 2021, a equipe que realizou a meta-análise publicou uma retratação no Open Forum Infectious Diseases, jornal científico que publicou o estudo (e é distribuído pela editora da Universidade de Oxford). No comunicado, a equipe informa que descobriu que um dos estudos incluídos em sua meta-análise utilizou dados falsos e, por esse motivo, o trabalho seria revisado.

Além disso, o estudo também aponta que “uma rede de grandes ensaios clínicos está em andamento para validar os resultados vistos até o momento”. Ou seja, os próprios pesquisadores indicam a necessidade de mais testes para se concluir algo a respeito do assunto. Por fim, serviços de checagem brasileiros também já desmentiram a informação, como o Projeto Comprova e a Agência Lupa.

Em resumo: a história que diz que um estudo da Universidade de Oxford indicou que a ivermectina reduziu 56% dos óbitos em casos moderados e graves e poderia ter evitado 250 mil mortes no Brasil é falsa! O que o vídeo faz é vomitar acusações sem embasamento ou provas, promover desinformação e incitar o ódio. O estudo não foi feito pela Universidade de Oxford e ainda apresentou problemas. Além disso, a pessoa que criou a história parece não saber ler artigos científicos (ou acreditou que muita gente não abriria o link do estudo). A pesquisa, na verdade, trata-se da reunião de diversos trabalhos sobre o assunto sem critério científico (unindo trabalhos de alto rigor científico com trabalhos que sequer foram revisados por outros cientistas). E a única conclusão ao final da pesquisa é que mais testes são necessários para se concluir alguma coisa. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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