Ivermectina supera vacinas ao ter 83% de eficácia contra Covid-19 #boato

Boato – Estudo do Reino Unido mostra que ivermectina possui 83% de eficácia e é mais segura do que vacina contra Covid-19.

Sai dia, entra dia e parece que algumas fake news seguem se perpetuando ao longo do tempo. Nesta pandemia, alguns assuntos se tornaram recorrentes e, volta e meia, acabam aparecendo em histórias cada vez mais cabeludas.

Um exemplo são os tratamentos precoces. Sejam naturais ou medicamentosos, o tema se tornou um verdadeiro pesadelo na vida dos checadores. Quanto mais o assunto é rebatido, mais ele retorna em histórias cada vez mais absurdas.

A situação de hoje não é diferente. De acordo com uma publicação que está circulando nas redes sociais, a ivermectina seria mais eficaz no combate à Covid-19 do que as vacinas. Segundo a história, um estudo do Reino Unido teria comprovado que o medicamento possui 83% de taxa de eficácia. Ainda de acordo com a publicação, as vacinas seriam “experimentais e perigosas”, induzindo mais infecções e mortes do que proteção. Confira:

“IVERMECTINA supera vacinas: mais de 83% de eficácia contra a Covid-19, revela a ciência Um estudo do Reino Unido revela que a ivermectina promove uma taxa de sobrevivência acima de 83 por cento contra o coronavírus Covid-19, superando as vacinas Covid-19 que são experimentais e perigosas, que tem induzido mais infecção e mortes do que proteção”.

Ivermectina supera vacinas ao ter 83% de eficácia contra Covid-19?

A informação caiu como uma bomba nas redes sociais, em especial, no Facebook e deixou muitos negacionistas em polvorosa. Apesar disso, a história não tem nada de real.

Como mencionamos anteriormente, histórias envolvendo medicamentos como tratamento preventivo ou até mesmo cura da Covid-19 acabaram viralizando nas redes sociais. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que a ivermectina teria o poder de aniquilar a Covid-19 se usada preventivamente. Também a que indicava que a Anvisa teria liberado o uso da ivermectina e mudado dose para tratamento da Covid-19 e, por fim, a que apontava que um estudo randomizado teria provado que a ivermectina tem 90% de eficácia contra a Covid-19.

Em um especial sobre o assunto no Boatos.org, nossa equipe destacou que toda essa história em torno da ivermectina surgiu no dia 3 de abril de 2020, quando um estudo da Universidade de Monash, na Austrália, conseguiram bons resultados em um teste in vitro (laboratório). Infelizmente, para replicar resultados parecidos nos testes em humanos a dosagem a ser utilizada teria que ser 100 vezes maior do que a dosagem máxima recomendada para humanos adultos.

Já a história de hoje se baseia em uma distorção de um estudo feito no Reino Unido. Na oportunidade, pesquisadores da Universidade de Liverpool revisaram 11 estudos sobre a ivermectina e mostraram que essas pesquisas associaram a ivermectina à redução da inflamação causada pela Covid-19, a uma possível eliminação do SARS-CoV-2 e à redução da mortalidade e do tempo de internação.

Entretanto, o autor da revisão, doutor Andrew Hill, afirmou que, individualmente, nenhum dos estudos é robusto o suficiente para provar que a ivermectina possui alguma eficácia contra a Covid-19. O pesquisador também destacou que não recomenda a aprovação do uso da ivermectina até que mais estudos científicos sobre o assunto sejam feitos.

Pois bem, se isso não bastasse, a afirmação de que a vacina pode causar mais infecções e mortes não é verdadeira. Desmentimos essa informação há algum tempo. E até agora, ninguém morreu em decorrência da vacina no Brasil.

Além disso, a comparação entre as supostas eficácias é o auge do ridículo. Como se pode comparar a eficácia de uma vacina, utilizada para evitar a contaminação e infecção pela doença com um medicamento que estaria associado à redução da mortalidade dos infectados? Não faz o menor sentido.

Por fim, o uso indiscriminado de ivermectina pode levar a quadros graves de hepatite medicamentosa. No início de 2021, diversos médicos e pessoas relataram casos de hepatite desencadeados pelo uso indiscriminado da ivermectina. Em uma das situações, relatada pelo médico Frederico Fernandes, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), o paciente estaria aguardando exames e a evolução do caso para saber se precisaria se submeter à um transplante de fígado, após tomar ivermectina durante uma semana.

Em resumo: a história que diz que um estudo indicou que a ivermectina tem 83% de eficácia e é melhor do que a vacina é falsa! A história surgiu a partir de uma distorção de um estudo científico conduzido no Reino Unido. A pesquisa, na verdade, revisou 11 estudos sobre o uso da ivermectina contra a Covid-19 que, de acordo com o autor da pesquisa, individualmente não são capazes de provar eficácia nenhuma. Além disso, essa história de que as vacinas fazem mal não são novidade (e também não merece ser levada em consideração). Por fim, o uso indiscriminado de ivermectina causa sérios problemas no fígado. Ou seja, a história não passa de balela. Não compartilhe!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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