Ivermectina aniquila Covid-19 se usada preventivamente #boato

Boato – Médico Pierre Kory afirma, no Senado dos EUA, que ivermectina é a “cura milagrosa” para a Covid-19. Remédio aniquila coronavírus se usada preventivamente. 

Nas últimas semanas, o início da vacinação contra a Covid-19 na Inglaterra acendeu a luz da esperança no restante do mundo. Antes disso, a Rússia também já havia iniciado uma campanha de vacinação com um imunizante local, a Sputnik V. E isso levou outros países a andarem a passos largos no que diz respeito ao início da vacinação contra a doença, como os Estados Unidos, que já autorizou o uso emergencial da vacina da Pfizer.

Enquanto a vida segue o seu percurso normal, em busca da erradicação da doença, parece que algumas pararam no tempo. Exemplo disso é a história de hoje. De acordo com uma publicação, o uso da substância ivermectina, de forma preventiva, conseguiria aniquilar a Covid-19.

A prova ficaria por conta de uma fala do médico Pierre Kory, feita no Senado dos Estados Unidos (EUA). Segundo o médico, uma equipe de profissionais teria feito uma revisão na literatura científica e descoberto uma “cura milagrosa” para a doença após o uso da ivermectina. “MÉDICOS NOS EUA: IVERMECTINA ANIQUILA COVID USADO NO INÍCIO OU PREVENTIVAMENTE!”, diz a publicação.

Ivermectina aniquila Covid-19 se usada preventivamente?

O vídeo, claro, tem feito grande sucesso nas redes sociais, especialmente, no WhatsApp e já conta com quase 100 mil visualizações em somente uma publicação. Apesar disso, a história não passa de balela.

Há algum tempo essa história de que o uso da ivermectina poderia combater o SARS-CoV-2 já circula na internet. Exemplo disso são os inúmeros desmentidos sobre o assunto somente aqui no Boatos.org. Já desmentimos a história de que a ivermectina seria a cura contra o coronavírus. Também a que indicava que a ivermectina poderia matar a Covid-19 em apenas dois dias com dose única e, por fim, a que apontava que a Anvisa teria liberado o uso da ivermectina e estipulado uma dose para o tratamento da Covid-19.

Apesar da fala do médico no senado dos EUA, a explicação de hoje é mais do mesmo. A ivermectina, de fato, foi estudada em pesquisas científicas. Entretanto, os resultados não foram nada positivos. O estudo foi conduzido, no início da pandemia, por cientistas da Universidade Monash em parceria com o laboratório de infecções virais do Hospital Real de Melbourne, na Austrália.

Os resultados encontrados pelos pesquisadores foram divulgados em um artigo científico intitulado “A droga ivermectina aprovada pela FDA inibe a replicação do SARS-CoV-2 in vitro”, publicado na revista Antiviral Research, em junho de 2020.

E é aí que as coisas começaram a ser reveladas. Os cientistas, de fato, conseguiram inibir a replicação do novo coronavírus com o uso da ivermectina, mas em células in vitro (isto é, em células dentro do laboratório, não em seres humanos). Além disso, o estudo mostrou que a dosagem eficaz durante o estudo foi 50 a 100 vezes maior do que a dosagem considerada segura para um ser humano.

A pesquisa até chegou a receber investimentos para prosseguir com o estudo na fase 2, isto é, quando se avalia a eficácia terapêutica, a relação dose/resposta e a determinação da dose terapêutica. Isso ocorreu em junho de 2020 e, até o momento, não existem notícias sobre o andamento da pesquisa.

Em abril de 2020, quando o primeiro artigo foi publicado, dois cientistas independentes procuraram a revista científica para realizar uma revisão informal do estudo. O professor Mark Sullivan, diretor da empresa de Desenvolvimento de Medicamentos para a Saúde Global, acusou que para uma pessoa chegar aos níveis iniciais do estudo, precisaria ingerir uma dosagem 10 a 30 vezes maior daquelas estudadas em seres humanos. Após toda a confusão, a cientista responsável pelo estudo, a dra. Kylie Wagstaff, afirmou ter dados positivos, não publicados, com dosagens menores. Apesar disso, os resultados nunca foram divulgados. Com isso, o próprio governo australiano alertou sua população para que não se automedique com a ivermectina, uma vez que não existiriam provas dos benefícios do medicamento.

Se isso não bastasse, a fala do médico Pierre Kory foi feita durante um encontro do Comitê de Assuntos Governamentais e de Segurança Interna. Na oportunidade, os senadores convidaram profissionais que defendem tratamentos e medidas de mitigação alternativos contra a Covid-19 nos Institutos Nacionais de Saúde. O encontro, que ocorreu no dia 8 de dezembro de 2020, reuniu diversos defensores da ivermectina e hidroxicloroquina e também profissionais que criticaram o uso da máscara e do distanciamento social. Nenhum senador democrata participou do encontro.

É claro que a fala do médico não passou despercebida pelos serviços de fact-checking nos Estados Unidos. De acordo com o site AP News, a FDA (agência reguladora de medicamentos nos EUA) afirmou que a ivermectina não está aprovada para o tratamento da Covid-19 no país.

Por fim, mas não menos importante, infectologistas do mundo todo reforçam a posição contrária ao tratamento precoce da Covid-19, justamente por não existirem medicamentos com eficácia comprovada no tratamento contra a doença. Vale ressaltar também que a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) já afirmou que não existem tratamentos profiláticos contra a Covid-19.

Em resumo: a história que diz que a ivermectina aniquila a Covid-19 é falsa! O vídeo usado como prova, na realidade, é mais do mesmo. As imagens mostram um médico que participou de um encontro, promovido pelo Senado dos EUA, que buscava ouvir médicos que defendiam tratamentos e mitigações alternativos. Até o momento, as pesquisas científicas têm mostrado que a ivermectina não serve como medida profilática contra a Covid-19. Os resultados positivos, na verdade, foram conquistados em laboratório e com uma dosagem acima da recomendada a seres humanos. Ou seja, a história não passa de balela.

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