Cascas de laranja e limão contêm ivermectina e cloroquina e curam a Covid-19 #boato

Boato – Casca de laranja e limão possuem ivermectina e cloroquina naturais e suco com as duas frutas pode prevenir e curar a Covid-19. 

Ainda ontem, falávamos sobre como a pandemia da Covid-19 tem sido produtiva para disseminadores de fake news. A verdade é que histórias falsas têm pipocado nas redes sociais. E pra piorar: muitas dessas histórias acabam recuperando outras fake news já desmentidas. Infelizmente, esse tipo de situação apenas serve para recuperar e reforçar essas mentiras, dificultando o trabalho de quem desmente esse tipo de informação e induzir muitas pessoas ao erro.

A história de hoje, infelizmente, não é diferente. Nos últimos dias, um vídeo tem feito sucesso nas redes sociais. Nele, um homem afirma que as cascas de laranja e de limão possuem o princípio ativo da ivermectina e da cloroquina. De acordo com ele, beber suco de laranja e limão com casca poderia ser a solução para prevenir e curar a Covid-19. Segundo o homem, a receita seria simples: dois copos por dia para prevenção e quatro copos por dia para a cura. Ainda de acordo com o homem, os efeitos colaterais seriam minimizados, já que se tratam de produtos naturais. Confira:

Confira o desmentido em vídeo:

Versão 1: “Pesquise A Cloroquina esta na casca do limão e laranja Bata no liquidificador para diminuir o amargo da casca use Mel”. Versão 2: Cloroquina e Ivermectina naturais, na.casca da laranja e do limão Ensina como fazer e tomar, seja como. preventivo ou para curar

Versão 3: “Cloroquina está na casca da laranja e do limão. É uma coisa que a gente tem em casa, em abundância, e é baratinho, baratinho, tá? Como é que a gente vai fazer? A gente vai pegar uma laranja e um limão, vai cortar ele em pedaços, com casca e tudo, que o princípio ativo dos dois remédios, do ivermectina e do cloroquina, tá na laranja e no limão, na casca dos dois. Então, a gente vai cortar com tudo, pedaços e colocar dentro do liquidificador, com um copo de água e uma colher de mel ou de açúcar, à sua preferência, porque ele amarga um pouquinho. Vai bater, vai fazer um suco. Se você não tem o Covid-19, você vai tomar dois copos por dia, um de manhã e um à tarde. Se você já está com o Covid-19, você vai tomar quatro copos, dois de manhã e dois de tarde. Aqui tá o princípio ativo desses medicamentos que são usados nos hospitais que os médicos estão passando, tá? Vamos fazer o uso em casa. Passe pro máximo de pessoas que você conhece, pois isso nós não podemos ser egoístas. Se nós temos o remédio caseiro, barato, em casa, vamos fazer o uso dele. Isso, durante uma semana, você vai fazer, tá? Todos os dias. Não fica caro, é baratinho e dá pra gente fazer e evitar um mal maior. Vamos acabar com esse vírus, o mais rápido possível. Tá aqui, em nossas mãos, a cura. Que Deus abençoe vocês e tenham um ótimo final de semana. Fique com Deus”.

Cascas de laranja e limão contêm ivermectina e cloroquina e curam a covid-19?

A informação causou burburinho nas redes sociais, especialmente entre aqueles que acreditam cegamente na ivermectina e cloroquina como uma forma de cura para a Covid-19. Mas será que essa história de que beber suco de laranja e limão com casca, pois eles possuem ivermectina e cloroquina natural, para prevenir e curar a Covid-19 é real? A resposta é não!

Vamos aos fatos! Para começo de história, a publicação apresenta diversas características de fake news na internet. Ela é vaga (não fala sobre estudos que possam embasar a recomendação), bastante alarmista, possui erros de português e não cita fontes confiáveis.

Além disso, o Boatos.org está recheado de histórias sobre curas milagrosas contra a Covid-19, como a que dizia que respiridina da casca de laranja poderia curar o coronavírus. Também a que indicava que gargarejo de limão, bicarbonato de sódio e água morna poderia matar o coronavírus na garganta e, por fim, a que apontava que a água tônica poderia curar o coronavírus, porque tem quinino da cloroquina.

Também é importante destacar que tanto a ivermectina quanto a cloroquina, de acordo com estudos científicos, não conseguem combater o vírus no organismo humano. Tanto é que a cloroquina foi retirada do mais recente projeto da OMS para investigação de medicamentos já existentes com potencial de combate ao SARS-CoV-2. A substância também demonstrou grandes efeitos colaterais nos pacientes, aumentando o risco de desenvolvimento de problemas cardíacos.

A ivermectina segue o mesmo caminho. Até o momento, não existem pesquisas científicas que comprovem seus benefícios contra à Covid-19. Pelo contrário, estudos mostram que a dose eficaz para inibir a replicação do vírus chega a 100 vezes o limite considerado seguro para humanos. O uso da substância também não é recomendado pela OMS.

O último absurdo dessa história toda é que a ivermectina e a cloroquina vêm da casca do limão e da laranja. A história da ivermectina começa no final dos anos 1960. O microbiologista Satoshi Ōmura coletou amostras de solo de todo o Japão e enviou o material para o pesquisador William Campbell, de Nova Jersey (EUA), para análise. Lá, William identificou uma bactéria com grande potencial para combater vermes. O componente ativo da bactéria, chamado avermectina, foi quimicamente modificado para aumentar seu potencial de combater vermes e sua segurança em humanos. A partir da avermectina, surgiu a ivermectina, em laboratório.

Algo muito parecido ocorreu com a cloroquina. A substância foi sintetizada, pela primeira vez, em 1934, pelo pesquisador alemão Hans Andersag. A cloroquina nasceu a partir da análise estrutural da molécula de quinina (encontrada em arbustos do tipo Cinchona, na América do Sul). Ou seja, nenhum das duas substâncias é natural. Ambas foram sintetizadas em laboratório.

Em resumo: a história que diz que as cascas de laranja e limão possuem ivermectina e cloroquina e podem curar a Covid-19 é falsa! Nem a ivermectina e muito menos a cloroquina são encontradas de forma “natural”. Ambas são sintetizadas em laboratório. Além disso, nenhuma das suas substâncias são eficazes contra à Covid-19. Pesquisas científicas já indicaram que as substâncias não são eficientes e, em casos onde conseguiram inibir a reprodução do vírus, a dosagem é muito maior do que o limite recomendado para humanos. Por fim, ainda não existe uma cura e nem podemos falar em uma cura tão cedo, uma vez que nem uma vacina e nem um remédio eficiente ainda existem. Ou seja, tudo não passa de balela! Até a próxima.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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