Associação Brasileira de Infectologia (ABI) obriga médicos a assinar termo para não receitarem “tratamento precoce” #boato

Boato – A Associação Brasileira de Infectologia (ABI) obrigou médicos a assinar termo para não receitarem “tratamento precoce” contra a Covid-19. Isso porque quem banca a associação é a Pfizer.

Mesmo com o aumento de casos de Covid-19 no Brasil, chegando à triste marca de mais de 292 mil mortes pela doença, nos deparamos com informações na internet que visam confundir a população no enfrentamento à pandemia. Nas redes sociais, enquanto alguns seguem as medidas necessárias para combater o avanço do coronavírus e aguardam avanços que possam ampliar as chances de vencer a infecção, outros insistem em espalhar fake news sobre táticas ineficazes e até perigosas que colocam o Brasil na contramão do caminho ideal para dar fim à situação.

Desta vez, uma publicação que está circulando no Facebook dá conta de que a Associação Brasileira de Infectologia (ABI) estaria obrigando médicos a assinar termo para não receitarem “tratamento precoce” contra a Covid-19. A informação é dada através de um vídeo em que um homem aparece contando que a “conhecida” de uma amiga dele que mora em Belém supostamente seria infectologista e teria denunciado a existência do tal documento. Mais que isso, o homem afirma que a associação seria bancada pela empresa Pfizer (fabricante da vacina contra Covid-19) e, por isso, haveria a proibição de prescrição do tratamento precoce. Confira, a seguir, a transcrição do vídeo que e a mensagem que está rodando online:

Texto: Denúncia grave. A Associação Brasileira de Infectologia, ABI, a qual tem apenas 4 integrantes e como presidente o pai do Boulos, isso mesmo o pai do Boulos, e bancada pela Pfizer e por meio dessa pseudoassociação proíbe que infectologistas possam dar parecer em favor 

Transcrição: “Vou fazer uma denúncia muito grave. Eu tenho uma conhecida de Belém que mora aqui em São Paulo e que tem uma funcionária que pegou Covid e, ela, por antecipação, foi fazer o tratamento precoce. Esse mesmo tratamento ela bancou para a funcionária, porque no Governo de São Paulo, eles indicam o que? Um antitérmico e um antialérgico. Isso, possivelmente, faz com que a pessoa entre em crise e chegue nos hospitais tarde demais. Por isso, os números tão elevados e, assim como acontece em São Paulo, acontece nos outros estados, porque os governadores têm essa atitude genocida com a população. Estão matando brasileiros. Bom, essa minha amiga tem uma conhecida lá em Belém que é infectologista e que está muito chateada em não poder prescrever o tratamento precoce. Por que não pode? Você pergunta, né? Bom, a Associação Brasileira de Infectologistas fez com que todos os infectologistas assinassem um documento onde eles ficam proibidos de medicar o tratamento precoce. Vocês ouviram isso? Os infectologistas do Brasil foram obrigados a assinar um documento onde eles são proibidos de prescrever qualquer tratamento precoce. E sabe o que é pior? Sabe quem banca os eventos e muitas coisas que acontecem pela Associação dos Infectologistas do Brasil? A Pfizer. É, brasileiros! A nossa luta não é fácil. Tem muita gente forte em tudo isso. Acorda, desperta, enxergue o mundo como ele é e vamos à luta. Guarde o medo no bolso, coloque a máscara na cara, se preferir, mas desafie, enfrente esses políticos que querem nos transformar numa Venezuela e querem somente fazer com que o país degringole nessa circunstância já dramática que o Covid é por si mesmo, não é? Vamos lutar, patriotas. A luta é grande”.

Associação Brasileira de Infectologia (ABI) obrigou médicos a assinar termo para não receitarem “tratamento precoce”?

O vídeo com a denúncia viralizou entre os internautas, gerando uma série de reações e comentários no Facebook. No entanto, a informação não procede.

Isso porque, para começar, não existe eficácia comprovada no tal “tratamento precoce” contra a Covid-19. Os medicamentos usados no chamado “Kit Covid” não possuem comprovação científica de que realmente podem prevenir ou tratar a doença. Em segundo lugar, sabemos que o que não falta na internet é boato sobre o uso de Ivermectina e Cloroquina para “curar” a Covid-19 e, também, sobre o tal “tratamento precoce”.

Aqui mesmo, no Boatos.org, nós já desmentimos vários do tipo, como aquele que dizia que a Ivermectina supera as vacinas ao ter 83% de eficácia contra a Covid-19, outro que apontava que um suposto estudo da USP teria comprovado eficácia da hidroxicloroquina e da azitromicina contra a doença, e até aquele fake sobre o tal tratamento precoce ter feito Búzios (RJ) zerar os casos de Covid-19.

A partir daí, resolvemos, então, buscar por mais detalhes sobre essa história de tratamento precoce e sobre a tal proibição de infectologistas prescrevê-lo. E foi aí que descobrimos que sequer existe uma associação de Infectologistas com esse nome. A única “ABI” que existe é a da imprensa, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Na verdade, o que há é a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e o presidente não é o pai do Boulos (que é médico), mas sim o infectologista Clovis Arns da Cunha. Além disso, o Estadão checou a denúncia e a SBI informou que não pede assinatura de qualquer termo que impede os médicos de fazerem o tratamento precoce (apesar de não recomendar).

E, por fim, a ilação com a Pfizer apontada pelo homem no vídeo também não faz muito sentido. Primeiro, porque a vacina da farmacêutica não é a que é mais usada no Brasil. Então, não teria motivos para a empresa interferir ou tentar atrapalhar o tal tratamento precoce. Em segundo lugar, de “indústria por indústria”, gigantes farmacêuticas também vendem remédios inclusos no chamado “Kit Covid” do tratamento precoce. Logo, seguindo essa lógica, a denúncia também poderia ser o contrário (dessas empresas estarem tentando “empurrar” a ideia para tentar prejudicar a vacinação).

Resumindo: A publicação que dá conta de que A Associação Brasileira de Infectologia (ABI) está obrigando médicos a assinar termo para não receitarem tratamento precoce é falsa. Isso porque sequer existe uma ABI na medicina. O que existe é a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), que negou a existência do tal documento, apesar de não recomendar o tratamento precoce contra a Covid-19.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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