Vídeo prova que sistema da urna eletrônica pode ser fraudado #boato

Boato – Um vídeo prova que o sistema da urna eletrônica pode ser fraudado. No tutorial, o homem mostra um teste de “modo fraude” (aplicando um código) e consegue adulterar os votos.

O primeiro turno das eleições municipais ocorreu no último fim de semana em todos os estados brasileiros (exceto Distrito Federal). E, como acontece todos os anos, até a realização do segundo turno, em 29 de novembro, não devem faltar fake news para tentar atrapalhar a candidatura de políticos e partidos e, é claro, colocar em “xeque” a segurança das urnas eletrônicas e confundir os eleitores.

Exemplo disso é um vídeo que começou a circular recentemente nas redes sociais, principalmente no Facebook. Nas imagens, um homem, que aparenta entender de eletrônica, mostra um tutorial que supostamente prova que o sistema da urna eletrônica pode ser fraudado. Para isso, ele realiza uma espécie de experimento, o qual ele chama de “modo fraude”, aplicando um código no aparelho que adultera os votos computados.

A urna usada na gravação é uma réplica (feita com processador Arduino), o que ele mesmo deixa claro no vídeo, além de ressaltar que, sem esse código de “modo fraude”, o sistema funciona normalmente. Isto é, só haveria fraude caso alguém inserisse o tal código no aparelho antes da votação. Durante o teste, primeiro, ele simula uma votação sem o “modo fraude” e, depois, já com o código, os votos inseridos, de fato, aparecem alterados.

A ideia do vídeo, segundo o autor, é demonstrar a “fragilidade” da urna, já que é uma tecnologia “muito complexa” e que, por isso, nas palavras dele, seria “muito difícil garantir que aquilo que está acontecendo ali é 100% certeza”. Confira, a seguir, as versões do texto original das publicações que estão rodando online:

Versão 1: É possivel fraudar uma urna eletrônica? link do vídeo completo: [link] Versão 2: VEJA COMO É FÁCIL FRAUDAR UMA URNA! Versão 3: COMO “FRAUDAR” a URNA!!! …

Vídeo prova que sistema da urna eletrônica pode ser fraudado?

Obviamente, o vídeo tutorial viralizou e deixou muitos eleitores com um “pé atrás” em relação à segurança das urnas nas eleições. Porém, apesar de quase convincente, a informação não procede.

Para começo de conversa, boatos online sobre “fraude nas urnas eletrônicas” são bastante comuns, especialmente em período eleitoral. Inclusive, nós já desmentimos vários deles aqui no Boatos.org, como, por exemplo, o que dizia que um ataque hacker teria revelado fraude nas urnas eletrônicas com chancela do TSE; outro sobre as urnas já estarem supostamente saindo de Brasília para outros estados com votos já computados; e uma história que tenta “desenterrar” as últimas eleições presidenciais, denunciando que a NSA (dos EUA) teria dito que Bolsonaro ganhou as eleições de 2018 no primeiro turno, mas que as urnas foram fraudadas.

Em segundo lugar, o vídeo em questão é um tipo de experiência, simulando o que poderia acontecer em uma urna eletrônica (e não o que realmente acontece, já que a que é usada nas imagens é uma réplica feita com processador Arduino), e o próprio homem explica que não significa que haja fraude no sistema. Prova disso é que ele mesmo, após a repercussão do vídeo, deletou o vídeo do canal no YouTube.

Além disso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronunciou sobre o assunto. Em nota, o órgão esclarece que o vídeo do youtuber mostra, de forma didática, como fazer uma urna utilizando um kit simples (com Arduino), mas que uma urna eletrônica real não poderia ser clonada. Isso porque não se trata de um computador simples, e sim, de um dispositivo projetado conforme exigências estabelecidas pelo TSE para garantir a segurança de seu hardware.

Dentre as várias especificidades, o aparelho é feito com perímetro criptográfico, além de ter teclado diferente do apresentado no vídeo (com microcontrolador próprio e perímetro criptográfico que o identifica como teclado de urna, e não como um teclado qualquer), proteção que evita que softwares alheiros à Justiça Eleitoral sejam carregados e executados no sistema e perfis operacionais exclusivos e limitados para fabricantes, desenvolvedores e testadores.

Ainda, a nota ressalta que os códigos-fonte dos softwares e dos firmwares das urnas eletrônicas são abertos à consulta durante seis meses antes das eleições para qualquer pessoa que queira verificar a existência de qualquer mecanismo malicioso e comunicar à Justiça Eleitoral. Antes do pleito, também são realizados testes públicos de segurança, nos quais os participantes podem expor vulnerabilidades que alterem o resultado da votação ou revelem o voto, quebrando o seu sigilo.

Resumindo: O vídeo que tenta mostrar que é possível fraudar o sistema das urnas eletrônicas não é verdadeiro. Além de tudo não passar de um experimento didático, feito com uma réplica da urna (feita com processador Arduino), o aparelho real é impossível de ser clonado, já que este é projetado com especificações exclusivas, seguindo exigências estabelecidas pelo TSE para garantir a segurança de seu hardware.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99458-8494.

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