NSA (dos EUA) diz que Bolsonaro ganhou eleições de 2018 no 1º turno, mas que urnas foram fraudadas #boato

Boato – A National Security Agency (NSA), dos EUA, apontou para fraude no sistema eletrônico de votação nas eleições de 2018. Na realidade, Bolsonaro ganhou no 1º turno.

As eleições de 2020 estão chegando e os primeiros boatos relacionados ao pleito são, em sua maioria, uma “parte 2” de balelas das eleições de 2018. Na história de hoje, novamente, o alvo está nas urnas eletrônicas (podem se preparar porque muitos boatos do tipo vão aparecer nos próximos meses).

De acordo com a história de hoje, a National Security Agency (NSA), agência de segurança nacional dos Estados Unidos, descobriu (olha só) que as urnas eletrônicas foram fraudadas em 2018 e que o presidente Jair Bolsonaro teria ganho o pleito já no primeiro turno. Leia a mensagem que está circulando online:

Confira o desmentido em vídeo:

A fraude no Sistema Eletrônico de Votação foi apurada pela National Security Agency, EUA. As provas estão com a PF. Bolsonaro ganhou em primeiro turno. Muitos serão presos e julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

NSA disse que Bolsonaro ganhou eleições de 2018 no 1º turno, mas que urnas foram fraudadas?

A mensagem se espalhou muito no Twitter e em outras redes sociais (que utilizou o print do tuíte em questão). E, apesar de algumas pessoas ter utilizado a (falsa) ideia preconcebida de que há uma fraude nas urnas eletrônicas no Brasil para compartilhar a história, ela é falsa.

Como falamos lá no início do texto, estamos acompanhando os primeiros boatos relacionados a urnas eletrônicas nas eleições. Há poucos dias (como vocês podem ver abaixo), desmentimos a informação falsa (e reciclada de 2018) de que a Ursal estaria preparando uma grande fraude nas urnas para 2020.

Assim como no caso citado acima, a teoria de que a NSA descobriu a fraude nas urnas no Brasil não tem qualquer lastro na realidade. Ao procurar pela fonte da informação, descobrimos que ela surgiu em um tuíte de uma conta que chega a citar a famigerada (e falsa) Operação Storm nos comentários. Porém, a pessoa se “esquece” de citar ou mostrar qualquer documento da NSA que comprove a tal fraude.

Ao procurar por mais informações a respeito do assunto, inclusive, em informativos da própria NSA, nada encontramos. Ou seja: a informação não surgiu da NSA. Surgiu na mente de alguém que, pelo que vimos, não parece fazer parte do serviço secreto dos EUA.

Para terminar, tem uma questão lógica que derruba a tese em questão. Se houve fraude nas urnas eletrônicas, por que Bolsonaro ganhou as eleições? Será que o “povo fraudador” é tão amador que não consegue modificar os números de forma que o resultado das eleições não fosse alterado? Difícil acreditar, né?

Resumindo: a história que aponta que a NSA apontou que Bolsonaro venceu as eleições no primeiro turno em 2018 e foi vítima de uma fraude nas urnas é mais falsa do que nota de três (ou trezentos) reais. Além de não ter muita lógica, ela se baseia em informações que não estão balizadas em fontes confiáveis e em teses falsas como a de que a “Operação Storm vem aí”.

Atualizando em 03/10: no início de outubro de 2020, surgiu na internet uma nova versão da história. Nela, foi apontado que a Polícia Federal havia recebido uma denúncia que apontava que, na realidade, Bolsonaro havia ganho no 1º turno das eleições. Apesar do alarde em relação ao assunto em 2020, a denúncia em questão é antiga e foi julgada improcedente. Leia o posicionamento do TSE sobre o assunto:

Em razão de notícias nas redes sociais sobre suposta fraude nas eleições de 2018, o TSE informa que apenas um pedido foi protocolado no tribunal sobre o tema, logo após o pleito e assinado por um advogado e um engenheiro. Em janeiro de 2020, em decisão administrativa e ainda na gestão da ministra Rosa Weber, a Diretoria Geral do Tribunal encerrou o procedimento porque os relatórios técnicos não indicaram falhas.

Aqui um resumo do caso:

– A denúncia foi protocolada em 26 de outubro de 2018 pelo advogado Ricardo Freire Vasconcelos e pelo engenheiro Vicente Paulo de Lima sobre possíveis indícios de materialidade de divergência de dados em apuração eleitoral e transparência no processo eleitoral;

– Ao analisar o processo, a Coordenadoria de Sistemas Eleitorais, área vinculada à Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE, sugeriu total improcedência do pedido. O parecer do setor, emitido em 15 de fevereiro de 2019 explicou que, no tocante à Totalização e Divulgação de Resultados, uma vez impresso o boletim de urna pela urna eletrônica, todo o procedimento de totalização é 100% auditável. Qualquer possível ou eventual fraude no procedimento de totalização seria facilmente detectável pela conferência do boletim de urna impresso com o boletim de urna divulgado pelo TSE.

– A coordenadoria de Infraestrutura da Corte também divulgou, no dia 26 de abril de 2019, análise sobre os pontos expostos e ressaltou que as razões apresentadas à época na denúncia são constituídas sobre fatos que não possuem base sólida, sobre confusões ou sobre inverdades. No documento, a coordenadoria explicou que, nas eleições de 2018, a empresa contratada para a divulgação dos resultados não suportou o volume de acessos. Isso ocasionou instabilidades que impediam o correto acesso aos dados da Justiça Eleitoral. A dificuldade de acesso aos dados da Justiça Eleitoral foi reclamada por diversas agências de notícias. Devido a essa ocorrência, nenhuma emissora possuía dados com total coerência em tempo real. Conclui-se que as divergências percentuais apontadas na inicial da denúncia são fruto de uma coleta de dados equivocada, e não por problemas da Justiça Eleitoral.

– Qualquer alteração nos números da totalização ou divulgação de resultados seria descoberta pela simples comparação entre o resultado constante dos boletins de urna IMPRESSOS e os resultados individualizados publicados no sistema “Boletim de urna na WEB”. No entanto, não houve qualquer registro de divergência. Demonstra-se assim que o processo de apuração realizado pela urna eletrônica gera elementos que inviabilizam qualquer fraude a ser realizada nos processos de totalização, realizado sobretudo em banco de dados, e na divulgação de resultados.

– Depois de um período de análise sobre o tema, a Diretoria-Geral do TSE emitiu ofício, no dia 28 de janeiro de 2020, com um resumo de toda a tramitação do processo, ratificando as notas técnicas elaboradas pelas unidades técnicas e rechaçando a denúncia formulada em outubro de 2018, informando que a divulgação da evolução dos resultados não tem qualquer impacto no resultado final, visto que o resultado final é definido pela situação imposta pelas urnas e materializada pelos boletins de urna.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet