Porcentagem dos candidatos em São Paulo prova fraude nas eleições 2020 #boato

Boato – Apuração de votos em São Paulo (SP) prova fraude nas eleições, porque porcentagem de Bruno Covas, Guilherme Boulos, Celso Russomano e Márcio França se manteve estável.

O primeiro turno das eleições municipais 2020 já chegou ao fim, mas deixou muita gente com os nervos à flor da pele. Em alguns municípios, já temos a definição completa dos próximos governantes. Porém, outros municípios vão enfrentar o segundo turno para o cargo de prefeito.

Em São Paulo (SP), o resultado para o segundo turno surpreendeu muita gente. O candidato Guilherme Boulos (PSOL) vai disputar o segundo turno junto com o candidato Bruno Covas (PSDB).

O assunto causou burburinho e, claro, um monte de fake news. De acordo com uma história que vem circulando nas redes sociais, as parciais da apuração de votos em São Paulo teriam evidenciado uma fraude nas eleições. Isso porque, segundo a história, os números se mantiveram “praticamente estáticos” do início ao fim da apuração. Confira:

“Presidente! Tome providências! A fraude e clara!!! *Vejam que maravilha foi a contagem de votos em São Paulo.* Prestem atenção para a *PORCENTAGEM dos quatro primeiros Candidatos que desde a primeira parcial com 0,39%, até 99,67%,* permaneceu praticamente *ESTÁTICA,* sem se mover um décimo. *Com 0,39% os resultados estavam assim:* Covas. 32,58%; Boulos. 20,33%; França. 13,95%; Russomano. 10,44%. *Com 37,77% das urnas apuradas, as porcentagens seguiram assim:* Covas. 32,79%; Boulos. 20,32%; França. 13,65%; Russomano. 10,52%. *Já com 57,77%, as porcentagens seguiram INTACTAS.* Covas 32,81%; Boulos. 20,85%; França. 13,65%; Russomano. 10,49%. *E na última atualização já com 99,67% das Urnas apuradas, as porcentagens seguiram EXATAMENTE as mesmas* Covas. 32,85%; Boulos. 20,24%; França. 13,65%; Russomano. 10,50%. *Da pra acreditar num FENÔMENO desses?*. VOTO NO PAPEL JÁ!!! Como antigamente. PELO FIM DAS FRAUDES!”.

Porcentagem dos candidatos em São Paulo prova fraude nas eleições 2020?

A história, realmente, fez grande sucesso nas redes sociais. Ela acabou circulando em diversas delas, como Facebook, WhatsApp, Twitter e YouTube. Por conta disso, a história já conta com milhares de compartilhamentos. Apesar disso, ela não passa de balela.

Basta olhar a mensagem para perceber que a mensagem apresenta diversas características de fake news, como o caráter vago, bastante alarmista, os erros de português e a falta de fontes confiáveis.

Além disso, há algum tempo, o processo eleitoral vem sendo questionado e atacado sem nenhum tipo de prova. A equipe do Boatos.org já desmentiu diversas histórias sobre o assunto, como a que dizia que o TSE teria vendido as eleições em São Paulo para Boulos e a esquerda. Também a que indicava que as urnas eletrônicas estariam saindo de Brasília com os votos já computados e, por fim, a que apontava que um ataque hacker revelaria fraude nas urnas eletrônicas com aval do TSE.

Apesar do grande alarde nas redes sociais, uma porcentagem equilibrada não quer dizer que houve irregularidades na apuração dos votos. Pelo contrário, apenas indica que houve uma estabilidade. O candidato Bruno Covas (PSDB) venceu em todas as 58 zonas eleitorais e, como é possível ver, os números se mantiveram bastante equilibrados em grande parte das zonas eleitorais.

Após toda a repercussão do caso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronunciou sobre o assunto. De acordo com o TSE, conforme os boletins de urna são recebidos, já são contabilizados pelo sistema de totalização, consolidados e figuram, imediatamente, nos resultados preliminares.

Nota de esclarecimento. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que a estabilidade no percentual de votos em candidatos durante a totalização não constitui indício de fraude e indica apenas homogeneidade nos votos recebidos durante a totalização. Conforme os boletins de urna são recebidos pelo sistema de totalização, eles são consolidados e têm os resultados preliminares imediatamente divulgados. O TSE ressalta ainda que os resultados da totalização das eleições são completamente transparentes e podem ser verificados por qualquer cidadão. Cada urna eletrônica emite um Boletim de Urna (BU), que é impresso ao final da votação e pode ser comparados com os dados dos boletins recebidos pelo TSE. A partir desses boletins de urna, qualquer cidadão pode verificar a totalização feita pelo Tribunal.

Se isso não bastasse, outros serviços de fact-checking da Coalizão para Checagem (projeto do TSE com os checadores do Brasil) já desmentiram a informação. O site e-Farsas explicou que a mesma situação ocorreu nas eleições municipais de 2016. De acordo com o serviço de checagem, na época, todos os candidatos tiveram porcentagens parecidas ao longo da apuração (que elegeu João Doria (PSDB) à Prefeitura da cidade). O serviço de fact-checking Ao Fatos também desmentiu a história. A página de checagem ouviu um pesquisador que apontou que a constância da porcentagem ao longo da apuração dos votos não é algo inesperado.

Em resumo: a história que diz que porcentagem “praticamente estática” nas eleições municipais de São Paulo (SP) indica fraude é falsa! A constância nas porcentagens ao longo da apuração dos votos não tem nada a ver com fraude. Mas sim com um envio de votos de maneira bem distribuída. De acordo com especialistas, uma grande oscilação nas porcentagens ocorre somente quando os dados das urnas eletrônicas são enviados de forma desigual por regiões (onde um candidato tem concentração dos votos, por exemplo). Ou seja, a história não passa de balela e não prova nada. Não compartilhe!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99458-8494.

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