El Mercurio, do Chile, publicou charge de Bolsonaro e “morte comunista” #boato

Boato – O jornal El Mercurio, do Chile, publicou uma charge sobre o plebiscito no país. Nela, Bolsonaro não deixa “morte comunista” entrar no Brasil.

Um ano depois do início de protestos populares, os chilenos decidiram, por ampla maioria, que o país terá uma nova constituição. A escolha acarretou em comemoração por parte de muitos chilenos e “tristeza” por parte de grupos conservadores. A prova disso está em uma imagem que começou a viralizar aqui no Brasil.

A imagem mostra a imagem da “morte” (aquele clássico com foice na mão). A principal diferença da morte da ilustração estava no rosto dela: o símbolo do comunismo (foice e martelo). A imagem mostra também quatro portas. As duas primeiras têm um rastro de sangue e as bandeiras da Venezuela e Argentina. A terceira tem a bandeira do Brasil e o presidente Jair Bolsonaro com uma metralhadora na mão. A quarta tem a bandeira do Chile e a “morte batendo nela”.

Junto à mensagem, há a informação de que a charge em questão foi criada e publicada no jornal El Mercurio, um dos mais tradicionais do Chile. “O país mais desenvolvido da região também sucumbindo ao populismo e ao socialismo. Triste ver o que está acontecendo no Chile. Charge do Jornal chileno El Mercurio de hoje”, diz a mensagem. Veja a imagem:

El Mercurio, do Chile, publicou charge com Bolsonaro e “morte comunista”?

A história se espalhou muito na internet e a informação que apontou para o site em questão viralizou por aí. Porém, não é verdade que o jornal El Mercurio publicou a charge sobre a “morte comunista”, Chile e Bolsonaro.

As características da mensagem e o histórico já nos deixaram desconfiados. Isso porque a mensagem é vaga (inclusive em relação à data), alarmista e com erros de português. Para além disso, “capas de publicações” são um “prato cheio” para fake news na web. Já desmentimos capa da Time, da Veja, do Charlie Hebdo e tantos outros veículos.

Com base nisso, começamos a fazer algumas pesquisas. Com a ajuda da ferramenta CrowdTangle, descobrimos que a primeira publicação em páginas ou grupos no Facebook, perfis no Twitter e no Instagram que citavam a “publicação de hoje do El Mercurio” se deu na manhã do dia 23. A partir daí, resolvemos buscar por edições do El Mercurio da semana em questão.

O perfil no Twitter do jornal publica gifs das principais páginas (inclusive com a editoria de opinião, no qual constam as charges). No dia 23, a charge tinha o nome “Problemas a Bordo”. No dia 22, a charge tinha o título de “Distancia Social”. No dia 21, a charge era “Folleto de Turismo”. No dia 20 a charge era “Sin Dios Ni a Ley”. Ou seja, nem no dia 23 nem nos anteriores, o jornal publicou a charge.

É importante citar que o perfil da publicação (que compara o plebiscito como uma “ameaça comunista”) não condiz com o perfil editorial do jornal. Enquanto o meme é totalmente enviesado (quase ufanista), o jornal é de caráter informativo.

Fizemos mais algumas buscas e descobrimos que a imagem já circulava antes do crédito ao El Mercurio antes do dia 23 de outubro. No dia 20, vimos a charge em uma página de direita em espanhol sem qualquer menção ao jornal chileno.

É importante citar que a “charge’ na mais é do que uma releitura de um meme famoso. Antes da “morte comunista” bater à porta do Chile, a imagem já foi utilizada em memes como esse que mostra o Bayern de Munique e o jogador Lewandowski arrasando os adversários na Champions League de 2020.

Resumindo: não é verdade que o jornal El Mercurio do Chile publicou uma charge de Bolsonaro defendendo o Brasil da “morte comunista”. Na realidade, a imagem já circulava em páginas de direita e só nos últimos dias ganhou o crédito errado.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet