Afeganistão proíbe telefones celulares, os destroem e passa a punir com pena de morte #boato

Boato – Vídeo mostra governo do Afeganistão destruindo celulares, que agora são proibidos no país e tem pena de morte.

O Afeganistão viveu momentos de angústia em agosto de 2021. Após invadirem o palácio presidencial e pressionarem o ex-presidente Ashraf Ghani a fugir do país, o Talibã tomou o poder em Cabul, capital do Afeganistão, e no restante do país.

Desde o dia 15 de agosto de 2021, quando o grupo conseguiu invadir o palácio presidencial e anunciou a tomada de poder, muita coisa aconteceu, incluindo denúncias de violações de direitos humanos.

E de acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, parece que a situação é ainda pior do que aparenta. Segundo as publicações na internet, o Afeganistão teria proibido o uso de telefones celulares e a prova seria um vídeo que está sendo compartilhado nas redes sociais. Ainda de acordo com a história, o Afeganistão estaria destruindo os aparelhos encontrados e punindo os afegãos com pena de morte. Confira:

Confira o desmentido em vídeo:

“*NOTÍCIAS ESTRANGEIRAS* Os telefones celulares agora são proibidos no Afeganistão. Todos enviaram voluntariamente seus telefones ao *governo afegão.* Qualquer pessoa encontrada com telefone celular enfrentará pena de morte, diz a nova lei”.

Afeganistão proíbe telefones celulares, os destrói e passa a punir com pena de morte?

A informação deixou muita gente revoltada nas redes sociais, em especial, no Twitter. Apesar disso, a história não é verdadeira. A explicação fica por conta da origem do vídeo e pela falta de fontes confiáveis.

Ao ler a mensagem é possível perceber que ela apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, extremamente alarmista e a falta de fontes confiáveis.

Além disso, desde que o Talibã retomou o poder no Afeganistão, diversas informações falsas pipocaram nas redes sociais. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que o Talibã teria enforcado um homem em um helicóptero dos EUA no Afeganistão. Também a que indicava que missionárias cristãs teriam sido colocadas em sacos plásticos em praça pública, no Afeganistão, e por fim, a que apontava que o Talibã teria feito um leilão com meninas cristãs no Afeganistão.

Ao buscar pela tal lei em sites de notícias, nada encontramos. E antes de mais nada, é importante destacar que denúncias sobre restrições e violações de direitos humanos no Afeganistão são recorrentes. Desde a retomada do poder pelo Talibã, diversas restrições foram anunciadas, como o uso obrigatório do véu para mulheres, a impossibilidade de mulheres trabalharem como atrizes e até a volta de execuções e amputações em praça pública. Entretanto, a pena de morte pelo uso de celulares não é uma delas.

E ao procurar pelo vídeo, descobrimos que as imagens não tem nenhuma relação com o Afeganistão. Na realidade, a mesma história circulou em outras línguas. Na Índia, a fake news foi desmentida. De acordo com o serviço de checagem do site D-FRAC, a farda usada pelos soldados que aparecem no vídeo mostram a bandeira do Paquistão e não do Afeganistão, como diz a mensagem. Ainda de acordo com o site, a farda usada pelos homens pertence à alfândega do Paquistão.

Já segundo as informações do serviço de checagem do site India Today, na verdade, as imagens mostram a destruição de mercadorias contrabandeadas por funcionários da alfândega, em Karachi, no Paquistão. Ainda segundo o site, esse tipo de prática não é nova e acontece de maneira contínua. Dentre os itens destruídos pela alfândega estão bebidas alcoólicas, narcóticos, telefones celulares etc.

Em resumo: a história que diz que o Afeganistão proibiu o uso de celulares e está destruindo os aparelhos e aplicando pena de morte para quem contrarie a lei é falsa! O vídeo usado como prova, na verdade, não possui nenhuma relação com o país. As imagens, na realidade, mostram uma destruição de mercadorias apreendidas pela alfândega do Paquistão. É possível ver a bandeira do país na vestimenta usada pelos homens que aparecem no vídeo. E todos os emblemas da farda comprovam que o uniforme pertence à alfândega do Paquistão. Ou seja, a história não passa de balela!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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