Boato – Um policial matou um menino de 12 anos após o jovem cuspir em seu rosto durante uma abordagem policial.
Análise
Um vídeo compartilhado em perfis do Instagram, TikTok e outras redes sociais tem provocado forte repercussão entre internautas. Nas imagens, dois policiais abordam um garoto que afirma ter 12 anos de idade e faz declarações sobre envolvimento com o crime. Em determinado momento, ele cospe no rosto de um dos agentes.
Na sequência, o policial aparece atirando contra o menino. O desfecho é acompanhado por uma conversa entre os agentes, na qual um deles questiona a atitude do colega e recebe como resposta a frase de que teria cortado o “mal pela raiz”. O conteúdo gerou milhares de comentários, incluindo manifestações de apoio à violência retratada na gravação. Leia mensagens que acompanham o vídeo (que não será exibido aqui):
Ele cuspiu na cara do policial veja o resultado assista o vídeo até o final…. ELE CUSPIU NA CARA DO POLICIAL NOSSA QUE DOIDEIRA O QUE VOCÊ ACHA DESSA SITUAÇÃO? SIGA NOSSA PAGINA!
Checagem
O vídeo chamou atenção pela violência da cena e pela quantidade de comentários tratando a situação como verdadeira. Para explicar o caso, vamos responder às seguintes questões: 1) O policial mata o menino que cuspiu em sua cara durante a abordagem? 2) Como foi feito o vídeo que aponta essa situação? 3) Há fake news similares sobre cenas encenadas em casos policiais?
Policial mata menino que cuspiu em sua cara durante abordagem?
Não. Não há qualquer registro confiável de um caso envolvendo um policial que tenha executado um menino após receber uma cuspida durante uma abordagem nos moldes mostrados pelo vídeo viral. Um episódio dessa gravidade teria ampla repercussão jornalística, investigações formais e registros em órgãos de segurança pública.
Além disso, buscas em veículos de imprensa, bancos de dados de ocorrências e fontes oficiais não apontam qualquer ocorrência compatível com a narrativa apresentada nas redes sociais. O conteúdo circula apenas em perfis que reproduzem vídeos de entretenimento, dramatizações e encenações voltadas para gerar engajamento.
Como foi feito o vídeo que aponta que um policial matou um menino que cuspiu em sua cara durante uma abordagem?
O vídeo não retrata um fato real. Trata-se de uma encenação produzida para redes sociais, seguindo um formato bastante comum em páginas que publicam pequenas histórias dramatizadas sobre criminalidade, violência e situações de impacto emocional.
A própria conta responsável pela divulgação publica diversos conteúdos semelhantes, sempre com personagens interpretando papéis específicos e roteiros que buscam provocar indignação, revolta ou apoio a determinadas atitudes. Em muitos casos, os vídeos são editados para parecerem registros espontâneos, mas na realidade funcionam como uma espécie de “novelinha” criada para atrair visualizações e compartilhamentos.
Há fake news similares sobre cenas encenadas em casos policiais?
Sim, o uso de representações teatrais gravadas em formato de câmera amadora é uma tática recorrente que costuma enganar o público nas redes sociais. Um exemplo clássico envolveu um vídeo de jovens simulando um arrastão na Praia de Copacabana, que causou pânico desnecessário. Em outra ocasião, uma gravação encenada sugeria que um policial teria matado um suposto bandido que hostilizava cristãos.
O mesmo formato de encenação já foi aplicado para simular crimes cotidianos, como o caso de mulheres usando maquininhas de cartão por aproximação para golpes nas ruas, ou a curiosa história de falsas mulheres vestidas de freiras que realizavam assaltos usando pó branco escondido em bíblias. Todos esses casos eram peças de ficção compartilhadas fora de contexto.
Conclusão
O vídeo que mostra um suposto policial atirando em um menino de 12 anos após receber uma cuspida no rosto não retrata um acontecimento real, mas sim uma produção dramatizada criada exclusivamente para entretenimento e engajamento digital, sem qualquer lastro com fatos reais ou ocorrências policiais verdadeiras.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

