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Foto que mostra um ônibus anfíbio circulando no Rio Tietê nos anos 40 é fake criado por IA

Foto mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê, em São Paulo, nos anos 40, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Um ônibus anfíbio teria navegado pelo Rio Tietê, em São Paulo, durante a década de 1940.

Análise

Uma imagem com uma estética antiga, que remete a meados do século passado, tem chamado a atenção nas redes sociais ao retratar uma cena bastante inusitada. A foto em questão mostra o que seria um ônibus anfíbio — um veículo capaz de se locomover tanto em terra quanto na água — navegando pelas águas do Rio Tietê, em São Paulo, e seria um registro datado da década de 1940.

A narrativa que acompanha o registro sugere um capítulo esquecido da história do transporte público paulistano, despertando grande curiosidade entre os internautas. “A imagem é de um ônibus antigo anfíbios que círculo no Rio Tietê anos 40”, diz a mensagem. Veja a foto:

Checagem

O Rio Tietê, historicamente ligado ao desenvolvimento da capital, já serviu como via de transporte e lazer. No entanto, o registro de um veículo anfíbio em circulação regular no período sugerido levantou rapidamente questionamentos sobre sua autenticidade.

Para verificar a veracidade da imagem que supostamente mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê nos anos 40, investigamos o seguinte: 1) A foto mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê, em São Paulo, nos anos 40? 2) Como foi feita a foto que mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê, em São Paulo, nos anos 40? 3) Há fake news similares?

A foto mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê, em São Paulo, nos anos 40?

Não há qualquer registro histórico ou documental que corrobore a alegação de que um ônibus anfíbio circulou no Rio Tietê na década de 1940. Pesquisas em acervos de São Paulo e sobre a história do transporte urbano não apontam para a existência ou uso de tal veículo no período. O que existe são iniciativas pontuais e muito mais recentes.

Em 2014, por exemplo, um veículo anfíbio chegou a realizar uma navegação experimental no trecho urbano do rio, com o objetivo de conscientização, mas isso não se compara a um registro antigo de circulação regular. Além disso, a própria imagem do Rio Tietê não corresponde exatamente ao que era visto na paisagem da década de 1940, o que reforça a suspeita sobre sua autenticidade histórica.

Como foi feita a foto que mostra um ônibus anfíbio no Rio Tietê, em São Paulo, nos anos 40?

A imagem do ônibus anfíbio no Tietê é, na realidade, uma criação digital. O conteúdo foi gerado por meio de ferramentas de inteligência artificial (IA), que são capazes de produzir fotografias e ilustrações com um alto grau de realismo e com a estética de fotos antigas. Essa técnica, contudo, costuma apresentar falhas em detalhes, como a distorção em legendas e caracteres no veículo — um indício de manipulação digital.

Há fake news similares?

O uso de inteligência artificial para criar imagens históricas falsas não é um fato isolado. Nos últimos tempos, boatos com a mesma característica — o uso de IA para criar narrativas falsas com apelo visual — têm circulado amplamente na internet.

Podemos citar a imagem falsa que alegava que Isabella Boyer seria o rosto da Estátua da Liberdade ou a foto que sugeria um Megalodon pescado na Alemanha no início do século XX. Outro exemplo é o vídeo de Emmanuel Macron dançando em uma discoteca, que também se provou ser uma manipulação digital.

Conclusão

A imagem que circula nas redes sociais, sugerindo a existência de um ônibus anfíbio circulando no Rio Tietê na década de 1940, é falsa. Não existe nenhum registro histórico que comprove a circulação desse tipo de veículo no período. Na realidade, trata-se de um conteúdo criado inteiramente por inteligência artificial, que manipula a estética de fotos antigas para dar credibilidade a uma história inventada, inserindo-se no contexto de outros boatos fabricados digitalmente.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)