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Bruno Araújo Pereira e Dom Philips eram extremistas que estavam de forma ilegal em reserva indígena quando sumiram #boato

Bruno Araújo Pereira e Dom Philips eram extremistas que estavam de forma ilegal em reserva indígena quando sumiram, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – Bruno Araújo Pereira e Dom Philips estavam de maneira ilegal em reserva indígena onde sumiram e eram extremistas políticos. 

O sumiço do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista Dom Philips na Amazônia é o assunto mais comentado dos últimos dias no Brasil. Os dois sumiram no dia 5 de junho de 2022 e nunca mais foram vistos.

Dom Philips estava na região para levantar dados para um livro que estava escrevendo sobre como salvar a floresta. Ele já conhecia o indigenista Bruno Pereira, com quem realizou outros trabalhos no Brasil.

Mas de acordo com uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais, Bruno Araújo Pereira e Dom Philips seriam extremistas que estariam de forma ilegal em uma reserva indígena quando sumiram. Segundo a publicação, os dois estariam no local sem autorização da FUNAI e dos órgãos competentes. Ainda segundo a história, as reportagens de Dom Philips estariam sendo financiadas por Bill Gates. Confira:

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“Repassando como recebi. Uma rápida pesquisa para saber melhor quem são os dois personagens desaparecidos na Amazônia. Bruno Araújo Pereira é ex-funcionário da FUNAI, exonerado em 2019 por condutas extremistas e incorretas ao cargo. Esteve envolvido no episódio da queima das balsas há uns meses atrás e tinha vários inimigos na região, não só por questões legais mas também por questões pessoais. Entrou na área de reserva do Javari com o repórter inglês,sem autorização da FUNAI e dos órgãos competentes.

Já o inglês Dom Philips… este tem uma outra história, que é a ponta de um iceberg que a esquerda mundial, o PT, PSOL e a mídia farão de tudo para desviar a atenção, pois foi um tiro no pé, tal qual o caso da Mariele. Ele fazia uma reportagem  em reservas indígenas, sem autorização legal da FUNAI, do IBAMA e sem o conhecimento do Governo Estadual e Federal. Ele trabalha para uma “Fundação Internacional de Jornalistas Engajados”, chamada Fundação Alicia Patterson. Procurem no site. Buscando quem financia estas reportagens, quem oferece bolsas, etc ..eis que encontrei.. ele mesmo: Bill Gates e outros gigantes que querem controlar a mídia e o mundo”.

Bruno Araújo Pereira e Dom Philips eram extremistas que estavam de forma ilegal em reserva indígena quando sumiram?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Twitter e tem sido utilizado como uma forma de amenizar o caso. Entretanto, essa história não é verdadeira. A explicação fica por conta da falta de provas e das informações equivocadas contidas no texto.

Logo ao ler a mensagem, ficamos desconfiados. O texto apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, extremamente alarmista, a falta de fontes confiáveis e a ausência de notícias sobre o assunto em veículos de comunicação confiáveis.

Além disso, histórias falsas que tentam desmoralizar vítimas de crimes bárbaros para tentar justificar suas mortes não são novidade por aqui. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que Marielle Franco estava engajada com bandidos e foi morta por traficantes. Também a que indicava que João Pedro, jovem morto pela polícia, teria posado com armas e drogas em um vídeo e, por fim, a que apontava que a mãe de um jovem morto no Jacarezinho teria posado com um fuzil na mão em uma festa.

Ao analisar a mensagem, percebemos que o texto apresenta diversas informações erradas. A primeira delas é a afirmação de que Bruno Araújo Pereira é ex-funcionário da FUNAI e foi exonerado em 2019 por condutas extremistas e incorretas ao cargo.

Não existe qualquer informação de que Bruno tenha sido exonerado do cargo por condutas extremistas. Na verdade, matérias apontam que ele perdeu o cago quando o governo mudou. Além disso, ele acabou exonerado de sua função após uma operação contra garimpeiros da terra indígena Yanomami, mas sem um motivo claro. Se combater o garimpo ilegal é algo extremista, não sabemos mais o que é legalidade.

A segunda informação equivocada é a afirmação de que Bruno Araújo Pereira e Dom Philips teriam entrado na reserva do Javari sem autorização da FUNAI e dos órgãos competentes. Logo após o sumiço, a FUNAI chegou a afirmar que eles não tinham autorização para estarem no local, mas foi desmentida na sequência. Bruno Araújo Pereira solicitou o ingresso em terras indígenas na última quinzena de maio de 2022 para realizar reuniões com lideranças indígenas e foi autorizado pela FUNAI. Já o lugar onde Bruno e Dom Philips estavam no momento do sumiço não necessitava de nenhum tipo de autorização.

O terceiro equívoco é a afirmação de que Don Philips fazia uma reportagem em reservas indígenas sem autorização da FUNAI, do IBAMA e sem o conhecimento do governo estadual e federal. Como acabamos de citar, o local onde Don Philips e Bruno estavam não necessitava de nenhum tipo de autorização. Além disso, até onde se sabe, nenhum dos dois teriam entrado em áreas indígenas durante o percurso.

O quarto equívoco é a afirmação de que Dom Philips trabalha para a Fundação Internacional de Jornalistas Engajados, também conhecida como Fundação Alicia Patterson, que tem fundos advindos de Bill Gates e outras pessoas. A informação é falsa. Dom Philips trabalhava como jornalista freelancer e publicava seu material em alguns sites e jornais renomados. Dom estava no Brasil para coletar dados para seu livro. De acordo com um amigo, Dom Philips teria conseguido um financiamento da Fundação Alicia Patterson para o projeto de seu livro.

Em resumo: a história que diz que Bruno Araújo Pereira e Dom Philips eram extremistas e estavam em uma reserva indígena de maneira ilegal antes de sumirem é falsa! Nenhum dos dois homens eram extremistas. Bruno Araújo Pereira foi exonerado do seu cargo da FUNAI após uma operação contra garimpeiros, sem explicações claras. Já Dom Philips é um jornalista freelancer e estava trabalhando no projeto de um livro. Além disso, o local onde os dois homens estavam antes de sumirem não necessitava de autorização ou comunicação prévia. Ou seja, a história é falsa e apenas tenta desmoralizar a reputação dos dois para tentar justificar um possível crime.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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