O melhor de 2015 no Boatos.org, por Edgard Matsuki

Editor do Boatos.org faz seleção dos textos que mais gostou de escrever em 2015.

Não sei se você, querido leitor do Boatos.org, tem sentido o mesmo do que eu em relação a este ano, mas para mim 2015 parece que ainda não terminou (e nem está perto de acabar). Não sei se foi a turbulência política, a crise econômica ou a sensação de que algo ainda pode acontecer para melhorar este ano, mas escrevo o balanço deste ano com medo que seja surpreendido e aconteça algo depois que eu escrevo.

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Este texto, já “tradicional”, é para falar um pouco do que eu mais gostei no trabalho do Boatos.org em 2015 e faz parte da nossa retrospectiva (já publicamos material sobre o assunto aqui e aqui). Mas antes de falar sobre os textos em si, queria agradecer a você, leitor, pelo prestígio que nos deu em 2015.

Em meio a altos e baixos, fechamos o ano com cerca de 6,8 milhões de visualizações de páginas e Facebook, chegamos a quase 40 mil seguidores. Mas, para além dos números, ficamos felizes por saber que ajudamos na missão de tornar a internet um lugar um pouco melhor para viver. Esperamos que em 2016 vocês continuem nos prestigiando. Dito isso, vamos aos meus favoritos:

5º Feijão assassino

Para começar a lista, eu vou com um campeão de audiência. Por mais que o ano fosse recheado de boatos sobre o governo, golpe militar, confisco, terrorismo e outros temas, o texto que mais teve visualizações no ano foi o desmentido de um áudio do WhatsApp que falava que dez pessoas haviam morrido após comer feijão contaminado.

Coloco ele na lista por dois motivos: pelo alcance que teve (o que prova que fez o papel) e pela forma que foi sugerido. Soube da informação por meio do grupo do Boatos.org no WhatsApp. Sim, tentamos criar um grupo por lá para averiguar boatos. Infelizmente, a experiência não deu certo. Mas conseguimos o texto mais bombado do ano por lá.

4º Guerra fraterna entre militares vai acontecer no Brasil

O quarto lugar na nossa lista é uma história que circulou semanas antes dos protestos contra o governo em março deste ano. Pelo WhatsApp, um áudio de um suposto militar apontava que haveria uma guerra entre militares de esquerda e direita em “pouco tempo”.

A história, claro, não tinha um pingo de verdade. Mas mesmo assim, muitas pessoas acreditavam que uma guerra civil sangrenta poderia acontecer no Brasil. A gente até desmentiu a história. Esperamos ter tranquilizado algumas pessoas.

3º Ex-deputado é dono de lotérica de aposta premiada

Quando o maior prêmio da história da Mega-Sena saiu em novembro, diversos boatos começaram a circular na internet. Um deles falava que o dono da lotérica em que o prêmio saiu era de um ex-deputado (Nasser Youssef Nasr) condenado por corrupção.

Esse boato entrou na nossa lista pela circunstância da apuração. Em um sábado à tarde, assessoria da Caixa me ligou falando da história e dizendo que havia conversado com o dono da lotérica e ele havia garantido que não era o ex-deputado. Desconfiado, pedi uma prova e ele ficaram de pedir ao homem um vídeo ou o telefone. Nunca mais retornaram.

Por conta, comecei a procurar algum documento que provasse que os Nasser não eram a mesma pessoa. Fiquei quase quatro horas vasculhando a internet até que achei a informação que o CPF dos dois era diferente. Mais do que isso, um nasceu em 1938 e outro em 1955. No fim, eles eram xarás.

2º Brasil alvo do Estado Islâmico?

Em termos de impacto instantâneo, os atentados do Estado Islâmico em Paris foi o fato que mais gerou boatos na internet (inclusive suscitou boatos relacionados ao desastre em Mariana). Escolhemos o que mais circulou no Boatos.org.

Entre os muitos textos que fiz sobre o assunto, um deles falava que o Brasil seria o próximo alvo do Estado Islâmico. A história assustou tanto as pessoas que o nosso desmentido acabou sendo um dos textos mais lidos do ano. E isso fez de novembro o mês em que mais tivemos leitores.

1º Casal do Paraguai sequestra crianças

O primeiro lugar na nossa lista não foi tão lido, mas pessoalmente foi o texto mais marcante. Quando a história que um casal do Paraguai estaria sequestrando crianças, logo lembrei do caso da mulher morta no Guarujá (SP) após um boato. Pesquisando, descobri que o boato já havia se espalhado por diversos estados do país e até em outros países da América Latina.

Ao contrário do que no caso que resultou em morte, logo escrevemos um texto. Depois, diversos sites copiaram o nosso conteúdo e até alguns veículos de mídia (a Hellen até deu uma entrevista junto com a mulher que era apresentada na imagem do boato) falaram sobre o boato, que se dissipou. De fato, o nosso desmentido nos deixou com a sensação que cumprimos com o nosso dever. E vai saber se não salvamos uma vida.

Leia também:

Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

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