Voluntário que morreu de Covid-19 tomou a vacina de Oxford #boato

Boato – Voluntário brasileiro desenvolveu sintomas de Covid-19 e morreu após tomar de vacina de Oxford e da AstraZeneca.

O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a Covid-19 está a todo o vapor. Diversos laboratórios, centros de pesquisas e instituições de ensino estão na corrida contra o tempo para chegar à uma imunização que seja capaz de frear a disseminação do novo coronavírus.

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Mas, nos últimos dias, a morte de um voluntário brasileiro (que participava dos testes da vacina de Oxford), causou um rebuliço ao redor do mundo. E é claro, as fake news não demoraram a chegar.

As redes sociais ficaram inundadas de publicações sobre o caso. Uma delas nos chamou a atenção. De acordo com o texto, o voluntário brasileiro, que era médico, teria morrido em decorrência da vacina da Oxford. Ainda segundo a publicação, a atitude do paciente em se voluntariar pode salvar a vida de muita gente. Confira:

Versão 1: “Voluntário vítima da vacina de Oxford para a cura do covid19. Era médico e ex-aluno da UFRJ. Que Deus te receba com um grande abraço”. Versão 2: “Ele morreu para ajudar na cura do covid19. Sua morte não será esquecida. Mas sim honrada , pois ele deu sua vida pela nossa saúde”.

Voluntário que morreu de Covid-19 tomou a vacina de Oxford?

A informação teve uma grande repercussão nas redes sociais, especialmente, no WhatsApp, no Facebook e no Twitter. Esses foi um dos assuntos mais comentados nas últimas horas. Apesar da enorme repercussão, não é verdade que o voluntário morreu por causa da vacina de Oxford.

A morte do voluntário brasileiro, de fato, é real. Entretanto, não teve nada a ver com a vacina. Antes de tudo, precisamos entender como funciona a pesquisa de vacinas para a Covid-19 (e tantas outras pesquisas).

A pesquisa para o desenvolvimento da vacina de Oxford utiliza um método estatístico “padrão ouro”, isto é, uma testagem controlada aleatória, onde nem os pacientes sabem o que tomaram, muito menos os cientistas envolvidos no estudo. Esse teste é conhecido como duplo-cego. A partir de critérios de inclusão e exclusão, os pesquisadores recrutam os participantes. Depois, os voluntários são separados, de forma aleatória (randomizada), nos grupos que irão receber a vacina ou o placebo. Isso tudo é feito para diminuir as chances de influências externas no processo e também para prevenir que voluntários específicos sejam escolhidos para determinado grupo de estudo. Isto é, isso ajuda a trazer mais confiabilidade a um estudo.

No meio disso tudo, ainda existe um comitê independente que recebe e analisa informações sobre os testes, principalmente, sobre reações ou problemas relacionados ao estudo. Quanto a morte do voluntário ocorreu, o Comitê Internacional de Avaliação de Segurança (composto por profissionais que não tem ligação com o estudo ou com os pesquisadores) passou a investigar o caso.

Oficialmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi notificada sobre o ocorrido no dia 19 de outubro de 2020. Por conta de protocolos de confidencialidade, todas as instituições envolvidas na pesquisa recebem apenas dados parciais sobre a investigação e a decisão do comitê (isso é feito para garantir a idoneidade da apuração dos fatos).

Dias depois, informação com o nome do voluntário brasileiro chegou ao público de outra maneira (e de forma questionável, dando margem à interpretação). Muitos veículos de comunicação do Brasil, inclusive, destacavam em seus títulos que um voluntário brasileiro da vacina de Oxford teria morrido.

Horas depois que o caso se tornou uma verdadeira confusão na internet, uma fonte não identificada ligada ao estudo afirmou à emissora Bloomberg, nos Estados Unidos, que o voluntário não recebeu a vacina, mas sim um placebo. O médico acabou morrendo por complicações da Covid-19 e agora entende-se o porquê: ele não estava protegido.

É importante citar que ao contrário do que algumas mensagens sugerem, não há chance de alguém “ser infectado pela vacina contra Covid-19”. A vacina de Oxford utiliza a tecnologia de vetores virais recombinantes (VVR). Nesse caso, um vírus, o adenovírus, é geneticamente modificado para produzir proteínas específicas do novo coronavírus. Por serem atenuados (“enfraquecidos”), eles são incapazes de causar doenças, mas fazem com que o organismo gere uma resposta imune, levando à imunização.

Vale ressaltar que, até o momento, não há casos registrados de mortes relacionados à vacina. Aqui no Boatos.org, inclusive, já desmentimos algumas histórias que também tentaram enganar as pessoas, como a que dizia a vacina chinesa teria destruído uma família, após matar três irmãos. Também a que indicava que a filha de Vladimir Putin teria morrido após tomar a vacina russa contra a Covid-19 e, por fim, a que apontava que a primeira voluntária a tomar a vacina, em São Paulo (SP), teria passado mal.

Em resumo: a história que diz que voluntário brasileiro da vacina de Oxford morreu após tomar a vacina é falsa! Na realidade, o médico que participou dos teste da vacina de Oxford morreu por complicações da Covid-19 e não por conta dos testes. Além disso, fontes ligadas ao estudo já indicaram que o voluntário fazia parte do grupo de placebo e não da dose de vacina. Se isso não bastasse, o comitê independente que analisa informações sobre os testes não identificou nada anormal na morte do voluntário, isto é, a morte não tem relação com a vacina. Ou seja, a história não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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