Vídeo mostra que “não devemos ter esperança” nas vacinas #boato

Boato – Um vídeo mostra que “não devemos ter esperança nas vacinas”. Várias informações veiculadas em telejornais e falas de médicos que os imunizantes não funcionam e são um perigo para a saúde.

Vários países já iniciaram a vacinação contra a Covid-19. E, enquanto aguardamos o anúncio das datas previstas para dar a largada do plano nacional de imunização aqui no Brasil, outra preocupação assombra a população: a enchente de fake news sobre a eficácia das vacinas.

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Em mais uma série das “vacinas falsas”, uma publicação que começou a circular recentemente nas redes sociais, por exemplo, principalmente no WhatsApp, traz um vídeo com uma espécie de compilação de matérias jornalísticas, de diferentes veículos, com informações supostamente comprovadas sobre os imunizantes que, por sua vez, levariam à conclusão de que “não devemos ter esperança nas vacinas”.

O compilado traz trechos de matérias publicadas em telejornais brasileiros, cada um trazendo uma notícia diferente sobre o suposto “perigo” da vacinação contra o novo coronavírus. No primeiro, há uma matéria que fala que um voluntário teria morrido nos testes clínicos da vacina de Oxford. Em seguida, outras três que falam de efeitos colaterais e suposta reação alérgica de uma profissional de saúde após tomar a vacina Pfizer/BioNTech no Alaska. Mais à frente, outra informação dada por uma figura jornalística falando que a vacina não presta porque foi feita com pressa e que morreram dois por causa da Pfizer.

No vídeo, também não faltou matéria falando que a vacina não veda a transmissão do vírus e, ao final, outra pessoa apontando que os médicos infectologistas são contra a vacina, que o plano de imunização foi rápido demais, que a vacina vai atacar mulheres grávidas, mudar o DNA e até causar mutação no vírus. Esse é o texto original da publicação que está compartilhando o vídeo: “Para vocês que estão com esperança Nessas “VACINAS””.

Vídeo mostra que “não devemos ter esperança nas vacinas”?

O vídeo viralizou rapidamente na internet, gerando vários compartilhamentos. No entanto, as informações dadas como comprovadas no compilado de matérias jornalísticas não procedem. E para você entender melhor como se deu o equívoco em cada uma delas, nós decidimos separá-las e explicá-las em tópicos:

Fake #1 – Morte de voluntário da vacina de Oxford foi culpa da vacina

Esta é uma daquelas informações distorcidas sobre uma notícia real. De fato, um voluntário brasileiro que participava dos testes da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford morreu por complicações da Covid-19. No entanto, o óbito não se deu por causa da vacina, já que ele sequer tomou o imunizante. Ele fazia parte do grupo de controle, que não recebe a vacina durante os estudos, mas sim o placebo.

Fake #2 – Não devemos ter esperança na vacina porque profissional de saúde passou mal no Alasca

De fato, houve uma profissional de saúde que passou mal dez minutos após tomar a vacina Pfizer/BioNTech no Alasca. No entanto, ninguém morreu, já que a reação alérgica é considerada um efeito colateral normal do imunizante, sem riscos graves à saúde. Além do mais, isso não é nada comparado ao número atual de mortes por coronavírus no mundo (mais de 1,8 milhão).

Fake #3 – Vacina porque foi feita às pressas e não funciona

Na verdade, diferente do que estão espalhando por aí, não foram puladas etapas na fabricação e aprovação das vacinas. Todos os imunizantes seguiram as mesmas fases de pesquisas e estudos (fases I, II e III) necessárias para serem liberadas para a população (o que só pode acontecer após a fase III). Tudo foi muito rápido porque teve investimento e dedicação para isso (inclusive, com disponibilidade de voluntários), como é muito bem explicado nesta matéria da BBC.

Para você entender melhor, cada etapa na elaboração das vacinas contra a Covid-19 acontece da seguinte forma: na fase I, os testes são feitos em grupos pequenos de humanos (20 a 100) saudáveis e que não tenham a doença. São testadas vias de administração, doses e interação com outras medicações e álcool. A intenção é verificar a segurança da medicação. Se ele se mostrar perigoso, os testes são suspensos.

Na fase II, há um número um pouco maior de voluntários (100 a 300) e, de certa forma, repete os testes da fase I. A intenção é, ainda, atestar a segurança. Apenas na fase III que a eficácia começa a ser testada. Nesta fase, entre 5 a 10 mil pessoas são testadas e são feitos testes duplo-cego. Uma parcela dos voluntários recebe a medicação enquanto outra recebe um placebo. A partir daí, é definido o melhor tratamento e se o produto é eficaz. A partir da fase III, o pedido de registro já pode ser feito. E nenhuma vacina foi aprovada sem esses protocolos.

Fake #4 – Morreram duas pessoas que tomaram a vacina da Pfizer

Outra informação sem qualquer comprovação. Não encontramos nenhum caso de morte em decorrência da vacina da Pfizer/BioNTech. Inclusive, nossa equipe aqui do Boatos.org já desmentiu vários fakes sobre o assunto, como, por exemplo, aquele que dizia que um homem teria morrido de ataque cardíaco após tomar a vacina e outro sobre a suposta morte de 26 idosos que tomaram a vacina no Reino Unido. Ou seja, boato já manjado.

Fake #5 – Não devemos ter esperança na vacina porque cobram máquina de reanimação nos locais de vacina

Não há nada de espantoso na medida. Trata-se apenas de uma forma de garantir segurança aos pacientes que, porventura, apresentem reações alérgicas graves e que precisem ser reanimados.

Fake #6 – Não devemos ter esperança na vacina porque ela não veda a transmissão do vírus

É verdade que as vacinas contra a Covid-19 não vedam a transmissão do vírus. Porém, elas ajudam a reduzir e muito as chances de contaminação, o que diminui significativamente as taxas de mortalidade pela doença, muito melhor do que optar por não tomá-las.

Fake #7 – Infectologistas são contra devido aos efeitos colaterais

Mais uma mentira. O próprio vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, defende que todos devem ser vacinados, inclusive, quem já teve Covid-19. Apenas médicos negacionistas são “contra a vacinação”.

Fake #8 – Vacina a longo prazo vai alterar o DNA

Segue a mesma pegada da balela (ridícula) sobre “quem tomar a vacina ser transformado em jacaré”. Não há qualquer comprovação científica de que as vacinas contra o novo coronavírus possam provocar alterações ou sequer interagir com o DNA humano.

Todos os imunizantes, mesmo com tecnologias diferentes, têm um único objetivo: estimular o sistema imune a produzir anticorpos contra uma determinada doença. Isto é, ensinar o organismo humano a se defender da doença. Apenas isso. Inclusive, já derrubamos essa teoria várias vezes, explicando tudinho aquiaqui e aqui.

Fake #9 – Não devemos ter esperança na vacina porque mulheres grávidas podem ter problemas

Sim. Tanto que elas, assim como no caso de menores de idade, não poderão tomar a vacina, por pertencerem a grupos que não fizeram parte dos estudos e testes clínicos dos imunizantes. Daí, a importância de pessoas de outros grupos tomarem para gerar a imunidade de todo o rebanho. Ou seja: a vacina não fará mal porque grávidas, no início (assim como tantos outros grupos) não tomarão.

Fake #10 – Vacina porque pode causar mutação mortal no vírus

As mutações do coronavírus já são uma realidade mesmo sem a vacina. Ao contrário disto, a lógica é que, com a toma do imunizante e redução de infecções, haverá uma queda nesse histórico de mutações do vírus. Além disso, algumas vacinas contra a Covid-19 até asseguram a possibilidade de respostas positivas contra às novas mutações do coronavírus, como é o caso da Pfizer/BioNtech.

Resumindo: O vídeo que está compartilhando a mensagem de que “não devemos ter esperança nas vacinas” traz uma série de informações falsas ou distorcidas sobre a eficácia ou efeitos colaterais das vacinas contra a Covid-19. Por isso, antes de compartilhar qualquer notícia sobre o assunto, verifique em fontes confiáveis.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99458-8494.

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