Pfizer incluiu secretamente trometamina às vacinas para diminuir número de infartos #boato

Boato – Para diminuir o número de infartos e tromboses, a Pfizer incluiu secretamente a trometamina às vacinas contra a Covid-19.

Não há dúvidas! O mesmo movimento que, no ano passado, visou atacar as vacinas Coronavac está ocorrendo contra as vacinas da Pfizer. Tanto que hoje vamos falar sobre mais um ataque aos imunizantes que vão ser utilizados em crianças.

A última das histórias aponta para uma denúncia de que a Pfizer teria incluído secretamente a trometamina para evitar infartos e tromboses nas pessoas que foram vacinadas. A origem da história é dos Estados Unidos, mas negacionistas proeminentes no Brasil também viralizaram o conteúdo por aqui. Leia algumas das mensagens que circulam online:

Versão 1: Quando a Seringa Pfizer para CRIANÇAS recebeu o OK do FDA, a lista de ingredientes incluía os agora excluídos cloreto de sódio e cloreto de potássio. Passou a incluir a Trometamina (redutor de ácido no sangue para ESTABILIZAR PESSOAS com ataques cardíacos).

Versão 2: Alerta! Pfizer acrescenta secretamente remédio para estabilizar ataque cardíaco em vacinas para crianças O FDA foi notificado de que a formulação infantil do medicamento contém trometamina, remédio para estabilizar ataque cardíaco

Versão 3: Removerem 10 micro litros nas doses das vaxxinas infantil, porem colocaram a trometamina para diminuir o poder de coagulação, isso não vai diminuir os problemas vasculares, isso deveria ser investigado e não abafado como os politicos e mídias estão fazendo com o suporte jurídico.

Pfizer incluiu secretamente trometamina às vacinas para diminuir número de infartos?

Não demorou para a história se espalhar com todas as forças entre grupos antivacinas e, claro, servir como argumento para quem joga contra a ciência. Porém, é falso que a Pfizer incluiu a trometamina de forma secreta. Também é falsa a informação que aponta que a inclusão foi para “reduzir o número de infartos”.

Para começar, toda a história se baseia em uma tese falsa: a de que as vacinas contra a Covid-19 são perigosíssimas e que é melhor pegar a Covid-19 do que se imunizar. Ao contrário do que aponta a tese, as vacinas (que não são “experimentais”) já passaram por diversas fases de testes (inclusive de segurança) e não apresentam perigo maior do que a própria Covid-19.

É consenso científico que os benefícios de se tomar a vacina contra Covid-19 superam, e muito, os riscos de contrair a doença. Estudos (como apontamos aqui) mostram que o risco de problemas cardiovasculares é muito maior em quem contrai a Covid-19 do que em quem toma a vacina contra doença.

Dito isso, vamos, especificamente, à história. Quando o vídeo, gravado, claro, por um militante antivacina, começou a se espalhar na internet, a informação foi desmentida por diversos sites de checagem nos Estados Unidos. Encontramos artigos refutando a história por parte de sites como o da CBS, do USA Today e da Agência Reuters.

Para começar, não tem nada de a trometamina ser um “ingrediente secreto” das vacinas. Como o próprio vídeo aponta (e se contradiz), a inclusão da trometamina não se deu de forma secreta. É possível encontrar o ingrediente na bula da vacina no site da FDA (a “Anvisa” dos Estados Unidos).

Além disso, a inclusão do ingrediente (como apontam os sites de checagem e especialistas ouvidos por eles) não se deu por conta de “ataques cardíacos”. O motivo é simples: a substância não é um remédio para que se evite ataques cardíacos.

Na realidade, a trometamina (como aponta este texto) é utilizada na vacina para alongar o tempo de vida útil da vacina. Ou seja: é um elemento para evitar que a vacina estrague em refrigeração de 2º a 8º (no momento, as vacinas duram entre 8 a 10 semanas nesta temperatura).

Resumindo: é falsa a informação que aponta que a Pfizer incluiu a trometamina nas vacinas contra a Covid-19 para “evitar infartos” e que fez isso “secretamente”. Trata-se apenas de mais uma informação falsa que está circulando entre grupos antivacinas.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet