Médico Michael Yeadon (ex-vice da Pfizer) diz que vacina a -80°C é um agente de transfecção de células e material genético #boato

Boato – Ex-vice-presidente da Pfizer, Michael Yeadon, afirma que vacinas a -80ºC transferem material genético a células humanas.

O mundo inteiro já vê uma luz no fim do túnel quando o assunto é a pandemia de Covid-19. Tudo isso porque o desenvolvimento das vacinas contra a doença avançaram de forma rápida e já estão sendo utilizadas em campanhas de imunização mundo afora.

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A vacina da Pfizer/BioNTech foi a primeira a ter o uso aprovado fora dos testes clínicos. Uma idosa de 90 anos, da Inglaterra, foi a primeira a receber o imunizante e comemorou o feito.

Apesar disso, fake news sobre as vacinas, mais especificamente sobre a vacina da Pfizer/BioNTech, insistem em inundar a internet. De acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, o médico Michael Yeadon, ex-vice-presidente da Pfizer, teria afirmado que qualquer vacina mantida a -80ºC não se trata de um imunizante, mas “um agente de transfecção” que seria usado para transferir material genético a células humanas. Confira:

Versão 1: “Pesquisem quem é Michael Yeadon. E pesquisam o que ele andou falando. Não se espantem se, de uma hora pra outra, este homem aparecer morto”. Versão 2: “O médico no witter (conta que foi removida) disse o seguinte: ‘Qualquer vacina que precise ser enviada e armazenada a -80 º C não é uma vacina. ‘É um agente de transfecção, mantido vivo para infectar suas células e transferir material genético. Não os deixe enganar você. ‘Isso é manipulação genética de humanos em grande escala’”. Versão 3: “SABE QUEM É? MICHAEL YEADON, FALOU TUDO SOBRE O PLANO DAS VACINAS E FOI DEMITIDO ELE ERA SIMPLESMENTE O VICE PRESIDENTE DA PFIZER! A ÚLTIMA DELE FOI ESSA QUE ESTÁ NA LEGENDA E O QUE ACONTECEU!? SUA CONTA DO TWITTER FOI DELETADA”.

Médico Michael Yeadon (ex-vice da Pfizer) diz que vacina a -80 °C é um agente de transfecção de células e material genético?

A informação logo viralizou nas redes sociais, em especial, no Twitter e no Facebook e voltou a trazer desconfiança sobre as vacinas. Apesar disso, a história não passa de balela.

Ao buscar por mais informações sobre o assunto, descobrimos que Michael Yeadon, de fato, é ex-vice-presidente da farmacêutica Pfizer. Entretanto, mesmo tendo representado uma das maiores farmacêuticas do mundo, Yeadon não passou isento pelas fake news. Ao longo da pandemia, o ex-executivo da Pfizer já compartilhou diversas informações falsas sobre a Covid-19.

Em novembro de 2020, a equipe do Boatos.org já havia desmentido uma informação disseminada por ele. Na época, mais precisamente no dia 16 de outubro de 2020, Michael Yeadon teria afirmado, em um artigo assinado por ele, que a pandemia havia acabado na Inglaterra e, por isso, as pessoas não precisavam se vacinar. No Brasil, diversas pessoas retiraram a informação (que já estava errada) de contexto e fizeram parecer que Yeadon teria dito que a pandemia acabou no mundo todo.

E bem, apesar de Michael Yeadon ter alcançado a fama “internacional” ao espalhar diversas informações falsas sobre a pandemia da Covid-19, a história de hoje não tem nada a ver com o ex-vice-presidente da Pfizer. Ao traduzir a tal citação para o inglês, descobrimos que ela surgiu de forma aleatória na internet. Em dezembro de 2020, o serviço de fact-checking da The Associated Press desmentiu a história. Na oportunidade, o nome de Michael Yeadon não foi citado e o serviço de checagem indicou que a publicação surgiu no Twitter.

Além disso, Michael Yeadon não é médico. Quando trabalhou na farmacêutica Pfizer, de 1995 a 2011, ele passou pelos cargos de bioquímico, desenvolvendo pesquisas nas áreas de alergia e doenças respiratórias, e de executivo (vice-presidente).

Por fim, essa história de que vacinas do tipo mRNA, como da Pfizer/BioNTech, podem alterar geneticamente o organismo das pessoas é pura balela. Já desmentimos essa história diversas vezes no Boatos.org. Na realidade, vacinas do tipo mRNA não conseguem fazer alterações genéticas nas células, uma vez que ela não atua sobre o DNA humano.

[…] E como essa vacina funciona no nosso organismo? Essa questão é facilmente respondida pelo canal de divulgação científica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). A doutora e professora de imunologia da UFVJM, Leida Calegário, explica que as nanopartículas de gordura que carregam o mRNA do vírus se fundem facilmente com as membranas das nossas células. O mRNA do vírus, então, entra na célula e se dirigem aos nosso ribossomos. A partir daí, o mRNA do vírus induz os ribossomos a produzirem proteínas do tipo spike (comuns em vírus, mas não fabricadas pelo organismo humano). Dessa forma, as proteínas Spike são reconhecidas pelo sistema imunológico como algo fora do normal. Esse processo induz o sistema imunológico a produzir uma resposta imunológica, não só por meio de anticorpos, mas também por meio do LTCD8+ (um tipo de linfócito citotóxico que é capaz de destruir células onde ele identifique a presença de proteínas estranhas, como a Spike, levando à eliminação do vírus), induzindo à memória imunológica (quando o organismo sabe identificar o invasor e eliminá-lo). Entretanto, vale ressaltar que esse tipo de tecnologia é nova e nunca foi usada antes.

A partir daí, fica fácil entender que não é possível que a vacina induza novas infecções por Covid-19, uma vez que a vacina possui apenas o mRNA de uma proteína específica do vírus e não seu RNA completo. O mesmo vale para a teoria de alteração de DNA e “seres geneticamente modificados”. O DNA humano continua intacto. A mRNA do vírus, contido na vacina, vai atuar somente na tradução da informação, ou seja, no ribossomo e não no núcleo das nossas células (onde fica o DNA). O mRNA do vírus vai produzir uma proteína estranha para que o sistema imunológico gere uma resposta imune, aprenda a combater o “agente estranho” e memorize esse processo de “defesa” para repetir em novos ataques. Uma mutação a nível de DNA precisaria de muito mais, como uma exposição à altas doses de determinados tipos de radiação, por exemplo. […]

Em resumo: a história que diz que o médico Michael Yeadon, ex-vice-presidente da Pfizer, teria dito que vacinas a -80ºC são agentes de transfecção para transferir material genético às células é falsa! Michael Yeadon, de fato, é ex-vice-presidente da Pfizer, mas não é médico e muito menos fez tal afirmação. A fala circula no Twitter desde meados de novembro de 2020 e foi desmentida em dezembro de 2020. E apesar de Yeadon compartilhar diversas informações falsas sobre a pandemia, dessa vez, a afirmação não foi feita por ele. Além disso, essa história de que vacinas do tipo mRNA podem alterar geneticamente os organismos é quase tão velha quanto a própria pandemia (e já foi desmentida várias vezes aqui no Boatos.org).

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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