Maxaranguape zerou óbitos e internações por Covid-19 com tratamento precoce e ivermectina #boato

Boato – Prefeito de Maxaranguape (RN) afirma que zerou óbitos e internações por Covid-19 depois de tratamento precoce com ivermectina.

Nas últimas semanas, o grande número de mortos pela Covid-19 no Brasil fez com que um antigo assunto da pandemia voltasse à tona: o uso de tratamentos precoces sem comprovação científica.

E o tema mais discutido nos últimos dias, nas redes sociais, não tem sido outro. Recentemente, uma história envolvendo o tratamento precoce com ivermectina se espalhou na internet.

De acordo com uma publicação, o município de Maxaranguape (RN) teria zerado óbitos e internações por Covid-19 após adotar o tratamento precoce com ivermectina. A prova ficaria por conta de um vídeo, onde o prefeito da cidade comenta sobre a situação positiva no município durante uma entrevista. Confira:

Versão 1: “O município de Maxaranguape (RN) não registrou nenhum óbito e não teve nenhum caso de UTI e urgência devido à covid desde o início da segunda onda da pandemia. E adivinhem como o prefeito Luís Eduardo conseguiu tal feito!”. Versão 2: “O município de Maxaranguape (RN) não registrou nenhum óbito e não teve nenhum caso de UTI e urgência devido à covid desde o início da segunda onda da pandemia do vírus chinês. Em entrevista na semana passada, o prefeito da cidade afirmou que o sucesso no combate à pandemia deve-se ao tratamento precoce com ivermectina e outras iniciativas, incluindo barreiras sanitárias e fiscalização”.

Maxaranguape zerou óbitos e internações por Covid-19 com tratamento precoce e ivermectina?

A informação caiu como uma bomba nas redes sociais, especialmente, no Facebook e até foi compartilhada por políticos negacionistas. Entretanto, a história não é real.

Não faz muito tempo, diversas histórias falsas sobre milagres envolvendo tratamentos precoces em cidades brasileiras pipocaram na internet. A equipe do Boatos.org desmentiu várias delas, como as que falavam sobre os municípios de São Lourenço (MG), Rancho Queimado (SC) e Búzios (RJ).

Pois bem, essa história de que o medicamento ivermectina poderia curar ou tratar a Covid-19 surgiu em 2020. Na época, um estudo científico mostrou, em testes in vitro (em laboratório), que a ivermectina poderia eliminar o SARS-CoV-2. Entretanto, a dose necessária para isso acontecer seria 100 vezes maior do que a dose máxima recomendada para adultos. Ou seja, uma dose extremamente tóxica em testes laboratoriais (onde os resultados poderiam não se repetir em testes in vivo, isto é, em humanos). Na época, infelizmente, muitas pessoas acabaram divulgando a pesquisa de maneira equivocada, falando apenas sobre o suposto benefício, sem citar a dosagem tóxica. E foi aí que tudo começou. Em fevereiro de 2021, a farmacêutica MSD, fabricante do medicamento, emitiu um comunicado onde afirmou que a ivermectina não possui eficácia contra a Covid-19.

Além disso, no dia 24 de março de 2021, o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC/Unicamp) identificou o primeiro caso de hepatite medicamentosa pelo uso do chamado “kit Covid”. De acordo com a instituição, o paciente foi encaminhado de outro hospital de São Paulo com a indicação de transplante de fígado.

Se isso não bastasse, no próprio vídeo, o prefeito não coloca o “tratamento precoce” como principal medida de proteção. De acordo com o prefeito Luis Eduardo, a ênfase maior ficou por conta de medidas de restrição, barreiras sanitárias e fiscalização. Tanto é que quando questionado sobre o tratamento precoce, o prefeito Luis Eduardo é categórico: o remédio só é fornecido com prescrição médica (o que, claro, também não está certo, mas em um nível de absurdo, essa ação está um pouco mais distante do topo).

Infelizmente, essa história de zero mortes e internações por Covid-19 não é mais uma realidade. Dados da Prefeitura de Maxaranguape (RN) mostram que uma pessoa morreu pela Covid-19 entre os dias 18 e 20 de março de 2021. Enquanto isso, no último boletim divulgado pela Prefeitura, o município registrou 2 hospitalizações. Vale ressaltar que, de acordo com dados do IBGE 2020, o município possui cerca de 12.500 habitantes. Ou seja: é um município pequeno.

Em resumo: a história que diz que Maxaranguape (RN) zerou óbitos e internações por Covid-19 após usar tratamento precoce com ivermectina é falsa! No vídeo, o prefeito afirma que adotou outras medidas de restrição, como barreiras sanitárias e fiscalização. Além disso, comprovadamente, o uso da ivermectina não traz benefícios contra a Covid-19.  Por fim, essa história de zero óbitos e internações não é mais real. Entre os dias 18 e 20 de março de 2021, o município registrou uma morte e duas hospitalizações. Ou seja, a história não passa de boato.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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