Máscaras causam danos neurológicos irreversíveis #boato

Boato – As máscaras contra a Covid-19 causam danos neurológicos irreversíveis. A médica alemã Dra. Margareta Griesz Brisson alerta que a privação de oxigênio pode causar problemas permanentes ao nosso cérebro.

O uso de máscaras faciais, sejam estas descartáveis ou feitas em casa, tornou-se obrigatório no Brasil e em outros países do mundo para conter a contaminação pelo coronavírus. E mesmo há mais de um ano de pandemia, estes itens ainda não têm aceitação unânime entre a população, seja por queixas em relação ao desconforto na utilização ou, pior que isso, ceticismo quanto à sua efetividade e segurança contra a Covid-19, o que tem despertado uma série de controvérsias e fake news a respeito na internet (é, como dizem por aí, “a gente que lute”).

E em mais uma série da “saga contra o uso de máscaras”, uma publicação que começou a circular recentemente no Facebook dá conta de que as máscaras supostamente podem causar danos neurológicos irreversíveis em seres humanos. A postagem traz o suposto relato de uma médica alemã chamada Dra. Margareta Griesz Brissom com o alerta de que a privação de oxigênio causada pelo uso destes itens pode causar problemas permanentes no cérebro, dentre eles, falta de concentração e desaceleração do tempo de reação do sistema cognitivo. Confira, a seguir, o texto original da publicação que está rodando online e assustando os internautas:

Neurologista Alemão Alerta Contra O Uso De Máscaras: ‘A Privação De Oxigêncio Causa Danos Neurológicos Permanentes’. Margareta Griesz Brisson Isso é o que ela tem a dizer sobre as máscaras e seus efeitos em nossos cérebros : “A reinalação de nosso ar exalado sem dúvida criará deficiência de oxigênio e uma inundação de dióxido de carbono. Sabemos que o cérebro humano é muito sensível à privação de oxigênio. Existem células nervosas, por exemplo no hipocampo, que não podem durar mais de 3 minutos sem oxigênio – elas não podem sobreviver. Os sintomas agudos de alerta são dores de cabeça, sonolência, tontura, problemas de concentração, desaceleração do tempo de reação – reações do sistema cognitivo.”

Máscaras causam danos neurológicos irreversíveis?

A publicação com o suposto depoimento da neurologista alemã causou alvoroço nas redes sociais, gerando vários compartilhamentos em tom de alerta aos internautas. No entanto, essa história – como várias outras do tipo – não procede.

E desconfiamos disso, para começar, por conta do vasto histórico de boatos que surgiram na internet sobre o uso de máscaras desde o início da pandemia. Nossa equipe já desmentiu vários deles aqui no Boatos.org e, inclusive, um bastante parecido, que dizia que o uso prolongado de máscaras de proteção poderia causar hipóxia (baixa oxigenação), além de outros que batiam nessa mesma “tecla”, apontando que usar máscara baixa a imunidade, causa água no pulmão e pneumonia ou trazendo histórias falsas, como a que falava de uma menina de 13 anos que teria morrido na Alemanha por usar máscara e aspirar CO2.

Assim como nestes casos, apesar de ser real, o relato da tal neurologista alemã sobre o uso de máscaras também não procede. A notícia até chegou a circular em outros idiomas, mas foi verificada por várias agências de checagem, como é o caso da ReutersUSA TodayFast Check CL e Newtrall, que também cravaram a mensagem como falsa.

Isso porque, em primeiro lugar, não há evidências que comprovem que o uso de máscaras faciais possa causar a privação de oxigênio, que seja “perigoso” para o cérebro adulto ou que impeça o desenvolvimento adequado de um cérebro jovem, como alerta equivocadamente a profissional de saúde.

Como apontou o site Reuters, um estudo de pesquisadores norte-americanos realizado em julho de 2020 descobriu que uma máscara facial média não limita o fluxo de oxigênio para os pulmões – isso mesmo em indivíduos com doenças pulmonares graves que também participaram da pesquisa. Ao contrário disto, os pesquisadores chegaram à conclusão de que qualquer desconforto inicial observado ao usar uma máscara ocorreu, na verdade, devido à irritação dos nervos faciais sensíveis, ao aquecimento do ar inalado ou à sensação de claustrofobia por parte dos indivíduos. Ou seja, nada a ver com privação do oxigênio (hipóxia) ou algo do tipo.

Em segundo lugar, também não há qualquer prova sobre a relação entre doenças neurológicas irreversíveis e a ingestão de dióxido de carbono ao se utilizar máscaras. Uma verificação realizada pelo site Fast Check CL com vários especialistas em saúde concluiu que, apesar de haver, de fato, a inalação de dióxido de carbono ao usar estes acessórios, a ingestão do gás é mínima (quase nula) e, portanto, não pode ser prejudicial à saúde.

Por fim, vale ressaltar que o relato da tal médica alemã contradiz todas as recomendações da sociedade de medicina mundial acerca do uso de máscaras faciais contra a Covid-19, que defendem a eficácia destes itens para barrar a contaminação pelo coronavírus. Uma pesquisa realizada pelos professores Jean-Michel Courty e Édouard Kierlik, da Universidade de Pierre e Marie Curie, em Paris, por exemplo, comprovou que as máscaras possuem alta capacidade de filtragem de ar e captura de partículas de vírus e bactérias.

Isso porque quando falamos, espirramos ou simplesmente respiramos, produzimos gotículas de água entre 1 e 100 micrômetros de diâmetro, que evaporam rapidamente e podem liberar bactérias (normalmente, de 0,5 a 5 mícrons de tamanho) e vírus (0,02 a 0,3 mícrons – no caso do coronavírus, 0,1 micrômetros).

Enquanto isso, a parte filtrante das nossas máscaras, geralmente, feita de fibras de polipropileno, possui cerca de 5 micrômetros de diâmetro e deixa poros entre 10 e 20 micrômetros, ou seja, até três vezes maior que o tamanho comum do vírus que causa a Covid-19 (ou qualquer outro vírus ou bactéria).

Logo, quando uma dessas gotículas passa pelo ar através deste filtro da máscara, colide com uma dessas fibras e adere permanentemente (o que se chama em físico-química de forças de Van der Waals), evitando uma possível contaminação.

Portanto, a utilização de máscaras é comprovadamente eficiente pela ciência para combater o coronavírus. Para isso, é claro, o item usado precisa ter uma boa espessura (afinal, quanto mais espesso for o filtro da máscara, melhor) e estar bem ajustado ao rosto.

Resumindo: A publicação que dá conta de que as máscaras causam danos neurológicos irreversíveis é falsa. Não há qualquer evidência científica que comprove a informação de que o uso de máscaras cause privação de oxigênio ou ingestão de dióxido de carbono  ou que sequer esses quadros possam ter alguma relação com doenças neurodegenerativas. Ao contrário disso, várias pesquisas concluíram que qualquer desconforto (nenhum grave, como dor de cabeça, por exemplo) observado em relação ao uso destes itens ocorreu devido à irritação dos nervos faciais sensíveis, ao aquecimento do ar inalado ou até à sensação de claustrofobia por parte dos indivíduos, que são fatores bastante comuns.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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