Boato – A cerveja Heineken é apontada como a marca mais falsificada do Brasil e pode conter metanol.
Análise
O debate em torno da adulteração de bebidas com metanol tem gerado preocupação e levado a inúmeras mensagens de alerta nas redes sociais. Nesse cenário, começou a circular a afirmação de que a cerveja Heineken seria “a mais falsificada do Brasil” e, portanto, apresentaria risco de conter metanol.
A mensagem ainda sugere que haveria uma suposta “pesquisa” para embasar a alegação, além de insinuar omissão das autoridades no controle do problema.
Ao colocar uma marca de renome internacional, como a Heineken, no centro da acusação, o boato ganha força de compartilhamento e se espalha entre consumidores desconfiados da procedência de produtos no mercado. Leia:
CERVEJA FALSA • A cerveja Heineken é apontada como a marca mais falsificada do Brasil. Em São Paulo, é comum encontrar garrafas com preço entre R$9 e R$30 em bares, mas nem sempre dá para saber se são originais. Será que as autoridades não sabem disso?
Checagem
O conteúdo se apoia em uma narrativa de insegurança, misturando a preocupação legítima sobre casos de bebidas adulteradas com informações falsas para gerar alarme, mas não passa de um fake.
A mensagem em questão levanta três pontos principais na checagem: 1) Seria a Heineken a cerveja mais falsificada no Brasil e com risco de conter metanol? 2) Existe alguma pesquisa séria que confirme essa informação? 3) E, por fim, já circularam outras fake news semelhantes sobre a qualidade de cervejas?
Heineken é a cerveja mais falsificada no Brasil e pode ter metanol?
Não. A notícia é falsa. Não há qualquer registro em órgãos de controle, como Ministério da Agricultura ou Polícia Federal, de que a Heineken seja a cerveja mais falsificada do país. Também não existem casos confirmados de contaminação da bebida com metanol. Os episódios relacionados a esse tipo de substância no Brasil envolve, até o momento, bebidas destiladas.
Existe alguma pesquisa que aponta a Heineken como a mais falsificada do país?
Não. A “pesquisa” citada no boato simplesmente não existe. Não há nenhum estudo divulgado por universidades, órgãos de fiscalização ou associações de fabricantes que aponte a Heineken como a marca mais falsificada do Brasil. A narrativa tenta dar legitimidade ao boato ao inventar um suposto respaldo técnico, mas não apresenta fontes confiáveis nem referências verificáveis. Vale apontar que a mesma fonte que divulgou a história é autora de outras fake news.
Há fake news similares sobre qualidade de cervejas?
Sim. Este não é o primeiro caso de boato envolvendo marcas conhecidas de cerveja. Notícias falsas já apontaram, por exemplo, que algumas cervejas da Ambev causariam câncer de próstata por causa de conservantes, o que foi desmentido aqui. Também circularam histórias inventadas sobre uma suposta lista de cervejas que “não seriam de verdade” (confira aqui) e até áudios que criticavam a qualidade de marcas nacionais sem qualquer fundamento (veja o caso). Assim como nesses exemplos, a atual mensagem sobre a Heineken segue o mesmo roteiro de desinformação.
Conclusão
A alegação de que a Heineken é a cerveja mais falsificada do Brasil e que poderia conter metanol é falsa. Não existe pesquisa que sustente essa afirmação, e tampouco há registros de contaminação de cervejas com metanol no país. Trata-se de mais um boato que mistura medo legítimo em torno de bebidas adulteradas com informações inventadas para viralizar e alarmar consumidores.
Fake news ❌
Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail boatos.org@gmail.com e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

