Grupo Unimed alerta que variante Delta da Covid-19 tem outros sintomas, foge dos testes e é mais mortal #boato

Boato – O Grupo Unimed lançou um comunicado em 2022 em que aponta que a nova variante Delta é mais mortal, não é detectável por testes e tem sintomas diferentes.

Nos anos de 2020 e 2021, o que não faltaram na internet foram mensagens falsas sobre a Covid-19. O ritmo foi tão intenso que parece que as fake news foram, de fato, esgotadas. A prova disso está em mensagens que voltam a circular após o risco de uma nova onda da doença.

A mensagem aponta que o Grupo Unimed escreveu um alerta em que aponta que a variante Delta da Covid-19 está chegando, é mais mortal, tem sintomas diferentes e ainda foge dos testes. Leia a mensagem que circula online:

Se cuidem! *GRUPO UNIMED ALERTA* Covid Variante Delta: não há tosse, nem febre mas articulações muito doloridas, dor de cabeça, dor no pescoço e na parte superior das costas, fraqueza geral, perda de apetite e pneumonia. Mais virulento e com maior taxa de mortalidade, com evidência mais rápida para chegar a extremos. Às vezes sem sintomas!

Afeta diretamente os pulmões, o que significa que nas ‘janelas’, os períodos de tempo são mais curtos. Muitos pacientes não tem febre nem dor, mas que relatam pneumonia torácica leve em suas radiografias. Os testes de esfregaço nasal muitas vezes são negativos para Covid-19, e há cada vez mais resultados falsos negativos em testes de nasofaringe. Isso significa que o vírus se espalha e se espalha diretamente para os pulmões, causando estresse respiratório agudo causado pela pneumonia viral.

Por isso, sejamos mais cuidadosos, evitando aglomerações, mantendo 1,5 m de distância mesmo em locais abertos, usando máscara facial, usando álcool 70% e lavando as mãos com frequência (e quando tossimos ou espirramos). Peço que reforcem com suas equipes o uso da máscara e distanciamento social. Não guarde essas informações para você, Compartilhe! Grupo Unimed

Grupo Unimed alertou que variante Delta da Covid-19 tem outros sintomas, foge dos testes e é mais mortal?

A mensagem, por causa da descoberta de subvariantes da Ômicron no Brasil, começou a se espalhar na internet. Só que não só a informação é falsa como também já foi desmentida quando realmente a variante Delta (que não é mais prevalente) começou a se espalhar. Relembre o que escrevemos:

É fato que, mesmo vacinados, ainda precisamos tomar os cuidados descritos na mensagem (afinal, ainda estamos em uma pandemia). Porém, o texto em questão tem diversas informações erradas e não é de autoria da Unimed. Vamos começar falando do teor do texto. Como o desmentido de outrora sobre isso vale para hoje, relembre o que escrevemos:

Vamos começar com a colocação “com o novo vírus Covid Delta Não há tosse, nem febre”. É fato, como mostra essa matéria da CNN, que os sintomas da variante indiana da Covid-19 têm se mostrado diferentes dos sintomas clássicos de outras cepas do coronavírus (principalmente, o vírus origiinal). Porém, as mudanças descritas no texto estão erradas.

Como mostra o aplicativo Join Zoe (utilizado como fonte para a matéria), os sintomas mais comuns da variante delta em quem não foi vacinado são dor de cabeça, dor de garganta, coriza, febre e tosse persistente. Ou seja: febre e tosse continuam sendo sintomas.

O mesmo aplicativo aponta, entre vacinados, há diferenças nos sintomas. Para quem tomou as duas doses (e está mais protegido), febre e tosse não estão entre os principais sintomas. Para quem tomou uma dose, tosse ainda está entre os sintomas. Porém, isso não tem relação, necessariamente, com a variante delta e sim com a vacinação.

É importante citar que os testes PCR têm, sim, capacidade de detectar infecções com a variante delta da Covid-19. Não há qualquer indício de que eles sejam menos eficientes para detecção. Aliás, já existem testes específicos para detectar especificamente a variante delta da Covid-19. Ou seja: os testes não só identificam que a pessoa está infectada como também podem apontar a variante do vírus.

É importante citar que o texto, apesar de errar em relação a sintomas e testes, acerta ao apontar que é preciso ter cuidado com a variante delta do coronavírus (faltou só lembrar da importância de se vacinar). Ela é, comprovadamente, mais contagiosa e, potencialmente, mais letal do que outras variantes. Felizmente, testes mostram que as vacinas ainda se mostram eficazes contra a variante. Mas o temor é que surjam novas variantes que possam escapar das vacinas.

Agora, vamos falar da autoria. Uma vez que o texto já circulava anônimo (e com informações falsas, aliás) e só depois “ganhou” a autoria da Unimed, podemos presumir que não foi escrito pela empresa. Só por desencargo, fomos procurar qualquer informação nas redes sociais da Unimed sobre a mensagem. Como era de se imaginar, nada encontramos.

É importante lembrar que não é a primeira vez que o nome da empresa é utilizado de forma errônea em fake news de “dicas de saúde” na internet. Já desmentimos, por exemplo, um texto que falava em “pico da pandemia em abril de 2021” atribuído à Unimed.

Resumindo: é falsa a informação que aponta que o grupo Unimed alertou sobre a variante Delta em novembro de 2022. O texto está com informações erradas sobre a variante, é antigo e já foi desmentido no Boatos.org.

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet