Ex-funcionária da Pfizer Karen Kingston está certa ao dizer que vacinas têm óxido de grafeno #boato

Boato – Karen Kingston, ex-funcionária da Pfizer, está certa ao confirmar que vacinas possuem óxido de grafeno, que é venenoso.

Nas últimas semanas, a vacina contra a Covid-19 das farmacêuticas Pfizer/BioNTech foi aprovada em diversos países para uso em crianças e adolescentes, entre 5 e 11 anos. No Brasil, a decisão pela aprovação tomou um percurso dramático.

Mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar, por unanimidade, a vacinação de crianças, o Ministério da Saúde não achou suficiente. Com isso, deu início à uma consulta pública que, ao final, não apoiou a ideia da necessidade de receita médica para a imunização das crianças (assim como queria o governo federal).

E é claro que a aprovação mexeria com os ânimos de grupos negacionistas, gerando mais fake news. De acordo com uma história que está circulando nas redes sociais, Karen Kingston, uma ex-funcionária da Pfizer, teria afirmado que todas as vacinas do tipo mRNA teriam nanopartículas lipídicas. Ainda segundo ela, as vacinas também teriam óxido de grafeno, que não estaria listada no pedido de patente, nos Estados Unidos. Ainda de acordo com ela, a patente da China, por outro lado, teria essa informação e o motivo pelo qual o ingrediente não apareceria na patente dos EUA, seria porque ele é venenoso para os humanos. Confira:

Versão 1: “KAREN KINGSTON EX-FUNCIONÁRIA DA PFIZER CONFIRMA VENENO NAS INJECÇÕES”. Versão 2: ““A ex-funcionária da Pfizer, Karen Kingston, revela que existe óxido de grafeno nos antídotos e que não é dito a verdade por causa do ‘segredo comercial’”.

Ex-funcionária da Pfizer Karen Kingston está certa ao dizer que vacinas têm óxido de grafeno?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Facebook e no Twitter e tem deixado muita gente preocupada. Apesar disso, a história não é real. A explicação fica por conta da origem da história.

Ao longo da pandemia, nos deparamos com diversas fake news que colocavam em xeque a eficácia e segurança das vacinas contra a Covid-19. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que as vacinas contra a Covid-19 possuíam de 80% a 90% de óxido de grafeno. Também a que indicava que a Pfizer estaria rastreando os vacinados por controle remoto, GPS de grafeno e micro ondas e, por fim, a que apontava que Andreas Noack teria sido assassinado, após descobrir óxido de grafeno em vacinas.

Além disso, a pandemia também revelou diversos especialistas negacionistas, aquelas pessoas que passaram por algum curso de graduação, mas que colocam suas crenças pessoais acima do conhecimento científico que obtiveram na Universidade e saem disseminando informações falsas por aí (sabendo que elas não são verdadeiras).

E essa história de grafeno não é novidade por aqui. A história começou a circular na internet em julho de 2021. Na época, um vídeo com diversas afirmações absurdas sobre as vacinas contra a Covid-19 circulou com frequência em redes sociais em espanhol. Não demorou muito para chegar ao Brasil. Ao analisar a história, a equipe do Boatos.org descobriu que essa história de grafeno surgiu de uma teoria da conspiração sem pé nem cabeça.

Tudo surgiu a partir de outra história falsa que falava sobre o suposto efeito magnético que as vacinas causavam. Na Espanha, a explicação dada ao efeito seria a presença de óxido de grafeno nas vacinas. A história ganhou ainda mais destaque quando um suposto estudo que provaria a tese do óxido de grafeno começou a circular nas redes sociais. Entretanto, o tal estudo não existia. A Universidade de Almería, apontada como fonte do estudo, desmentiu a informação. Além disso, a universidade ainda explicou que o óxido de grafeno não tem efeito magnético e que a substância não faz parte da composição das vacinas (e mesmo se fizesse, não haveria problema algum para a saúde).

Se isso não bastasse, ao procurar por mais informações sobre Karen Kingston, descobrimos que ela trabalhou para a Pfizer, entre os anos de 1996 e 1998, comercializando tratamentos cardiovasculares. Além disso, a entrevista de Karen Kingston foi concedida ao programa de Stew Peters, um apresentador estadunidense que já difundiu diversas informações falsas sobre a pandemia e as vacinas.

Por fim, a história acabou desmentida em diversos países, como no serviço de checagem Newtral, na Espanha; no serviço de fact-checking do Demagog, na Polônia; no site da AFP, na República Tcheca; no serviço de fact-checking Snopes, nos Estados Unidos; e na página News Mobile, na Índia.

Em resumo: a história que diz que Karen Kingston, ex-funcionária da Pfizer, teria confirmado (e acertado) a presença de óxido de grafeno nas vacinas contra a Covid-19 é falsa! O vídeo usado como fonte é um trecho do programa comandado pelo apresentador Stew Peters, que é conhecido por difundir informações falsas sobre a pandemia e as vacinas. Além disso, Karen Kingston trabalhou na Pfizer entre os anos de 1996 e 1998 e sua função não tinha nada a ver com o desenvolvimento de vacinas. Por fim, essa história de óxido de grafeno nas vacinas já foi desmentida em diversos países. Ou seja, a história não passa de balela.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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