CPF cura Covid-19 e prova que há fraude na notificação de óbitos #boato

Boato – Depois que o Ministério da Saúde passou a exigir o CPF e Cartão do SUS, menos pessoas morreram e foi provado que há fraude na notificação de óbitos em São Paulo.

Infelizmente, o Brasil segue, dia após dia, quebrando recordes nos números de casos e mortes por Covid-19. E, no pico da pandemia, mais uma mensagem que “duvida” da quantidade de mortes começou a se espalhar na internet. De acordo com o texto, que circulou no Facebook, Instagram e outras redes sociais, o “CPF cura Covid-19”.

A tese se baseia em uma determinação do Ministério da Saúde em relação ao preenchimento do formulário de notificação de óbitos por Covid-19. A mensagem aponta que, ao passar a exigir o CPF e o Cartão do SUS das pessoas que morreram por causa do novo coronavírus, os “óbitos despencaram” em São Paulo.

Nas entrelinhas, a mensagem levanta a bola para acusar que há fraude na notificação de óbitos por Covid-19 por parte do governo de São Paulo e que a exigência do Ministério da Saúde “quebrou o esquema”. Leia a mensagem que circula online:

#Doriagenocida CPF cura Covid? Após o Ministério da Saúde exigir CPF e Cartão do SUS na notificação de óbitos por Covid-19, números despencam em SP. Na terça-feira antes da exigência São Paulo confirmou 1.021 óbitos. Na quarta após a exigência os números de óbitos despencaram para 281.

CPF cura Covid-19 e prova que há fraude na notificação de óbitos?

É tanta (des)informação que a gente vai precisar dissecar o texto para dar o nosso veredicto. E podemos falar que não é verdade que o pedido fez “menos pessoas morrerem por Covid-19”, provou que há fraude nas notificações de óbitos ou mesmo que o “CPF cura a Covid-19”.

A mensagem em questão segue uma linha de boatos que tentam imputar a prefeituras e governos estaduais a acusação de que os números da pandemia estão sendo inflados para “prejudicar Bolsonaro”. Nesta categoria de boato, temos histórias que vão desde “denúncias da enfermeira” até “reportagem da TV portuguesa” (que está erradíssima). Dito isso, vamos ao caso de hoje.

Para solucionar a questão temos que voltar alguns dias. Na última terça-feira (mesmo dia em que os óbitos por Covid-19 bateram recordes no Brasil), o Ministério da Saúde mudou as regras para notificação de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave. A pasta passou a exigir dados extras no formulário de notificações. Além do CPF e do Cartão do SUS, foi exigido o preenchimento de campos como nacionalidade e informações sobre vacinação do paciente contra o coronavírus.

A nova regra passou a valer, de acordo com governos estaduais, sem qualquer comunicação prévia às secretarias de saúde e pegou os responsáveis pelo preenchimento do dado de surpresa. Sem as informações completas, os registros não puderam ser feitos nas planilhas eletrônicas. Isso gerou o represamento de dados e na queda de óbitos divulgados em alguns estados (como São Paulo).

Vale apontar que, após a acusação de que a exigência “maquiaria” os registros de mortes por Covid-19, o Ministério da Saúde suspendeu a exigência do preenchimento dos campos em questão. E, infelizmente, os dados represados acabaram sendo entregues ao Ministério da Saúde. Tanto que, nesta sexta-feira (26), São Paulo quebrou o recorde de mortes (muito provavelmente com a “ajuda” dos dados que não haviam sido entregues). Ou seja: não foram menos pessoas que morreram. Na realidade, foram as mortes que não puderam ser notificadas.

Também não é verdade que a exigência “provou” que há fraude na notificação de mortes. A “denúncia” se “esqueceu” de apontar que o formulário enviado pelas secretarias de saúde já tem dados suficientes para evitar que “pessoas que não existem” sejam notificadas como mortas. Por fim, não é preciso nem comentar a colocação “CPF cura Covid-19”. A frase perde toda validade a partir do momento em que as outras duas teses também caem.

Resumindo: a história que aponta que menos pessoas passaram a morrer por Covid-19 e que uma fraude foi descoberta com a exigência do CPF nas notificações de óbitos é falsa. A única coisa que a exigência fez foi represar dados que, agora que não é mais obrigatório a preenchimento destes dados, voltaram a ser divulgados.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164. 

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet