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Cientistas colocam mRNA no leite para vacinar pessoas secretamente #boato

Cientistas colocam mRNA no leite para vacinar pessoas secretamente, diz boato (Foto: Reprodução/Facebook)

Boato – mRNA vai ser injetado discretamente no leite comercial para poder imunizar pessoas não vacinadas contra a Covid-19

Parece que alguns assuntos nunca vão sair de moda. A questão das vacinas é um deles. Após a ampla vacinação contra a Covid-19 ao longo da pandemia, as fake news sobre o assunto esfriaram.

Mas foi só a vacina bivalente ser anunciada que uma nova onda de desinformação começou a circular na internet. Não só isso, essas histórias falsas seguem causando impactos na vida real, como pessoas decidindo não se vacinar por conta das fake news.

Se isso não bastasse, uma história que está sendo compartilhada nas redes sociais tem causado bastante preocupação. De acordo com a publicação, cientistas teriam injetado mRNA no leite de vaca e imunizado camundongos em testes. Segundo a história, o mesmo processo deverá acontecer com o leite comercial, com o intuito de imunizar a população ainda não vacina contra a Covid-19. Confira:

Vídeo: é falso que Sadia esteja dando prêmios para quem compartilhar no WhatsApp

Versão 1: “AGORAM VIRÃO PELOS ALIMENTOS? Cientistas bombeando mRNA no leite de vaca para ‘forçar a injeção’ nos não vacinados”. Versão 2: “Cientistas que injetaram mRNA no leite de vaca anunciaram que imunizaram “com sucesso” camundongos que se alimentaram com o leite, levando a temores de que o leite comercial seja discretamente carregado com mRNA para vacinar a população não vacinada”.

Cientistas colocam mRNA no leite para vacinar pessoas secretamente?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Twitter e foi amplamente compartilhada por grupos antivacina. Apesar disso, a história não tem nada de verdade. A explicação está na origem da informação e nos detalhes da pesquisa usada como prova.

Como já é de praxe, esse tipo de história falsa aparece em sites negacionistas que copiaram o conteúdo de outros sites negacionistas e, assim, sucessivamente. Ao analisar a história, percebemos que a tese se sustenta em um estudo. Resolvemos, então, procurar pelo artigo em questão. Ao encontrar o estudo, descobrimos que ele foi publicado em um site de pré-prints da área da Biologia. O site em questão aponta que o artigo trata-se de um estudo ainda não avaliado por pares. Isso significa que ele não pode ser tomado como algo conclusivo e nem deve orientar políticas ou comportamentos sobre a área da saúde.

Se isso não bastasse, ao ler o estudo é possível perceber que ele não fala sobre colocar o mRNA no leite comercial e sair distribuindo para as pessoas. Na verdade, o estudo usado como prova fala sobre o desenvolvimento de uma vacina oral que usaria como condutor um componente do leite (exossomos derivados do leite bovino).

Utilizar derivados do leite não é algo incomum na produção de vacinas. Tanto é que alguns tipos de imunizantes de alguns laboratórios não são recomendados para pessoas que possuem alergia ao leite. E mesmo assim, até hoje não existe algo parecido com o que aponta a história.

Até porque, seria, no mínimo, muito difícil fazer algo do tipo. O leite comercial passa por um processo de tratamento térmico, chamado de ultrapasteurização. O objetivo do processo é eliminar microorganismos patogênicos, aquecendo o leite a uma alta temperatura e, logo em seguida, resfriando o alimento. Além disso, não existem estudos sobre como a vacina se comportaria em um ambiente como o leite. Sem falar na questão da conservação do leite (que fica por bastante tempo nas prateleiras dos mercados e não saberíamos se essa conservação seria afetada), se o imunizante ainda estaria intacto na hora que a pessoa fosse beber o leite, a concentração e também em como toda a indústria faria para não ser descoberta (uma vez que uma simples análise comprovaria a presença do imunizante no leite). São muitas variáveis que não seriam fáceis de resolver.

Ao que tudo indica, a história de hoje faz parte de uma tendência em termos de fake news que está invadindo a internet. Recentemente, a equipe do Boatos.org desmentiu outra história bastante parecida com essa. Na oportunidade, uma publicação apontava que Bill Gates iria inserir RNA mensageiro na fórmula da Coca-Cola para modificar o DNA das pessoas.

Em resumo: a história que diz que cientistas vão colocar mRNA no leite comercial para imunizar pessoas não vacinadas é falsa! A teoria surgiu em um site negacionista que interpretou de maneira equivocada um estudo científico. O trabalho usado como prova não fala sobre colocar mRNA no leite comercial para imunizar pessoas, mas sim sobre o desenvolvimento de uma vacina oral contra a Covid-19 utilizando um componente do leite bovino. Além disso, a pesquisa sequer foi revisada por pares. Ou seja, nem deveria estar sendo divulgada como resultados definitivos e seguros para se embasar.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 9275-5610

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