Annita (Nitazoxanida) é descoberta como a cura da Covid-19 (coronavírus) #boato

Boato – Annita (Nitazoxanida) mostra eficácia no tratamento contra o SARS-CoV-2 (novo coronavírus) e é a mais nova cura da Covid-19. 

Nem bem terminamos de desmentir a mais nova cura milagrosa contra a Covid-19, outra história envolvendo a erradicação da doença surgiu nas redes sociais para trazer falsas esperanças aos internautas.

Infelizmente, esse tipo de história não para de circular na internet e tem feito muitas vítimas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, um homem morreu e uma mulher foi internada após ingerirem um produto usado na limpeza de aquários que contém um derivado da cloroquina. E a auto-medicação com esse tipo de substância está crescendo, especialmente após discursos de governantes sobre a suposta eficácia desses medicamentos contra a Covid-19.

Nos últimos dias, para (não) ajudar, uma história sobre outra cura milagrosa começou a circular nas redes sociais. O assunto surgiu após a divulgação de uma pesquisa envolvendo o uso da substância Nitazoxanida, comercialmente conhecida como Annita, no tratamento contra a Covid-19. De acordo com as publicações, o medicamento (que se trata de um vermífugo já conhecido e tem um nome que lembra a cantora de funk Anitta) seria a solução para a Covid-19. Confira:

Versão 1: “Quem diria que iria viver pra ver um remédio com nome de Funkeira ser a cura do Corona. Pois esse dia chegou com Annita (NITAZOXANIDA). Uma coisa é certa, não vai faltar Meme para isso”. Versão 2: “A CURA DO VÍRUS ANNITA,CALMA NÃO É OUVIR FUNK NÃO, GRAÇAS À DEUS!!!!! É TOMAR REMÉDIO NITAZOXANIDA!!!!!”. Versão 3: “NITAZOXANIDA. QUEM DIRIA QUE UM REMÉDIO PRA VERME SERIA A SOLUÇÃO PARA O CORONAVIRUS”.

Annita (Nitazoxanida) é descoberta como a cura da Covid-19 (coronavírus)?

Tão logo a informação chegou às redes sociais, ela viralizou entre os internautas, que passaram a acreditar, mais uma vez, em uma possível cura. Mas será que essa história de que o medicamento Annita (Nitazoxanida) é a cura da Covid-19 é verdade? Não!

Vamos aos detalhes! Desde o início da pandemia pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), diversos medicamentos já foram apontados como supostas curas da doença. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que a Ivermectina poderia curar a Covid-19. Também a que apontava que a água tônica seria capaz de curar a doença, pois tem o quinino da cloroquina e, por fim, a que indicava que a auto-hemoterapia poderia curar e prevenir a Covid-19.

Retornando à nossa história, ainda em fevereiro, uma equipe do Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio-CNPEM), em Campinas (SP), iniciou um grande estudo sobre reposicionamento de fármacos para o tratamento da Covid-19. Isto é, testar a ação de drogas já aprovadas e disponíveis no mercado para o tratamento de outras doenças. O grupo faz parte da RedeVírus, uma rede criada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para articular diversas pesquisas sobre o novo coronavírus de vários lugares do país.

O grupo iniciou a pesquisa com 2 mil drogas já aprovadas para uso terapêutico pela Food and Frug Administration (FDA), dos EUA. Elas passaram por simulações computacionais e apenas 16 das substâncias demonstraram potencial terapêutico contra o SARS-CoV-2, isto é, foram eficazes. Dessas, 5 foram selecionadas para serem testadas em células infectadas in vitro. Para a seleção, os pesquisadores levaram em conta a disponibilidade e o preço do medicamento no mercado brasileiro.

Foi aí que tudo começou. Após as análises, os pesquisadores do LNBio identificaram duas substâncias bastante promissoras no combate à replicação do vírus. Os cientistas constataram que um dos medicamentos teve 94% de eficácia contra o SARS-CoV-2 na etapa de testes in vitro. Com isso, no dia 14 de abril de 2020, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), órgão do Ministério da Saúde, autorizou o ensaio clínico solicitado pelos pesquisadores. Já no dia 15 de abril de 2020, o ministro Marcos Pontes concedeu uma coletiva de imprensa para falar sobre a nova etapa da pesquisa.

Durante a entrevista, Pontes afirmou que o teste clínico será realizado com 500 pacientes em 7 hospitais diferentes. Nem o ministro Marcos Pontes, muito menos o LNBio-CNPEM divulgaram o nome do medicamento. Mas as especulações em torno do remédio Annita (nitazoxanida) aumentaram após a Anvisa dificultar a venda da substância que, agora, só pode ser vendido mediante apresentação de receita especial. E também depois da autorização de um outro ensaio clínico, mais reduzido, com nitazoxanida 600mg, emitido pelo Conep e que será realizado no Hospital Vera Cruz, em Campinas (SP).

Como se nomes de medicamentos surgindo nas redes sociais com supostas dosagens adequadas já não fosse bastante ruim, a exaltação de Marcos Pontes também não ajudou muito. Ele afirmou que “há uma grande possibilidade que isso [medicamento] funcione”, criando esperanças na população. É importante lembrar que a próxima etapa da pesquisa é crucial e só ela vai poder responder se a medicação pode ser eficaz ou não. Nem sempre resultados de testes in vitro se repetem em testes in vivo (com pacientes). E isso é mais comum do que se imagina. Ou seja, ainda é cedo para dizer se medicamento X ou Y podem ajudar no tratamento contra a Covid-19.

Por fim, pesquisas envolvendo a Annita (nitazoxanida) também estão sendo realizadas no mundo todo, como no México. Um estudo na China, por exemplo, mostrou que a substância foi menos efetiva e mais tóxica que outras drogas também testadas no tratamento contra a Covid-19. Ou seja, ainda são necessários mais testes antes de sair tomando o remédio por aí. Exemplo disso é uma mulher brasileira que morreu após tomar um coquetel com três tipos diferentes de medicações. Mesmo tomando os remédios (que ainda estão sendo estudados no combate à Covid-19) sob orientação médica, a mulher veio a óbito dias após parar de tomar a medicação.

Em resumo: a história que diz que a Annita (Nitazoxanida) é a cura da Covid-19 é falsa! O nome do medicamento surgiu nas redes sociais por meio de especulação. Além disso, a pesquisa desenvolvida para encontrar um tratamento contra a Covid-19 entrou em fase de teste clínico agora. Não existem dados clínicos sobre seu uso no combate ao novo coronavírus. Por isso, ainda é muito cedo para ficarmos animados com medicamento X ou Y. Apontar que determinada substância tem grandes possibilidades de funcionar (sem dados científicos), além de irresponsável, é bastante desumano. Grande parte dos resultados de testes in vitro não se repetem em testes in vivo. O melhor a se fazer é esperar e não compartilhar fake news (que podem ser bastante perigosas). Até a próxima e, se possível, fique em casa!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164.

Confira a lista de todas as fake news sobre o novo coronavírus

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