STF quer cassar todos candidatos cristãos eleitos #boato

Boato – Por meio do TSE, STF quer cassar candidatos cristãos e impedir que eles sejam eleitos, tirando Deus da democracia brasileira.

O movimento bolsonarista tem causado uma situação bastante delicada nos últimos anos: a desconfiança nas instituições democráticas. Os constantes ataques a órgãos públicos, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionam a confiabilidade dessas instituições.

Como consequência, esse tipo de ação acaba gerando desconfiança em outros brasileiros e amplificando informações falsas sobre essas instituições. Exemplo disso é a história que está circulando nos últimos dias na internet.

Confira também: É falso que Lulinha foi preso no Paraguai! Confira o desmentido em vídeo:

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De acordo com uma publicação que está sendo compartilhada por aí, o Supremo Tribunal Federal (STF) quer cassar todos os candidatos cristãos. Segundo o vídeo que acompanha a publicação, o ministro Fachin teria criado o termo “abuso de poder religioso” para tirar de vez Deus da democracia brasileira. Ainda segundo a história, o objetivo do STF, por meio do TSE, é impedir que candidatos cristãos sejam eleitos. Confira:

“O STF não se contentaram em apreender celulares, computadores de políticos cristãos, de mandar prender jornalistas e ativistas cristãos. Agora querem, através do TSE, impedir que cristãos sejam eleitos. Ao criar o termo abuso de poder religioso, o ministro Fachin deixou bem claro seu verdadeiro objetivo: tirar Deus da democracia brasileira. Já tiraram Deus das escolas, querem prender quem proclama as verdades do Evangelho. Agora querem impedir que o povo cristão seja representado por seus irmãos na fé. Querem transformar o Brasil numa China tropical, onde você não pode adorar outro Deus que não seja o governo”.

STF quer cassar todos candidatos cristãos eleitos?

A informação viralizou nas redes sociais, em especial, no Twitter e deixou diversos cristãos revoltados na internet. Entretanto, essa história não é bem assim. A explicação está na falta de provas e na origem do vídeo.

Ao se deparar com a mensagem, logo de cara ficamos desconfiados. Isso porque ela apresenta as principais características de fake news na internet, como o caráter vago, extremamente alarmista, a falta de fontes confiáveis e a ausência de notícias sobre o assunto em veículos de comunicação confiáveis.

Além disso, histórias falsas que distorcem leis ou propostas de leis não são novidade por aqui. A equipe do Boatos.org já desmentiu inúmeras delas, como a que dizia que o PCdoB teria sugerido um projeto que legaliza o casamento entre pais e filhos (incesto) e o poliamor. Também a que indicava que Bolsonaro teria publicado um decreto que determina a participação das Forças Armadas nas eleições e, por fim, a que apontava que a Câmara teria aprovado a legalização do aborto até 22 semanas durante a pandemia.

Ao procurar por mais informações sobre o vídeo em questão, descobrimos que as imagens são antigas. Mais precisamente, de 2020. Na época, o coletivo Bereia desmentiu toda a informação. De acordo com o serviço de checagem, a mulher que aparece no vídeo é professora e advogada e já se envolveu em outras situações polêmicas, ao compartilhar fake news e cometer racismo religioso. O coletivo ainda explica que a acusação de que o STF teria apreendido celulares e computadores de políticos cristãos distorce o que ocorreu na realidade. A apreensão, segundo o coletivo Bereia, ocorreu após a emissão de mandados de busca e apreensão relacionados ao inquérito das fake news.

Em 2021, a história foi novamente desmentida. Dessa vez, pelo Projeto Comprova. De acordo com o serviço de checagem, a mulher que aparece no vídeo voltou a publicar outros conteúdos falsos, acusando de forma leviana o STF e o TSE de tentarem barrar candidaturas de cristãos.

Ao procurar por mais informações, descobrimos também que o projeto citado no vídeo, além de ter sido distorcido, não foi levado adiante. A proposta surgiu em 2020, durante a análise do caso de uma vereadora de Luziânia (GO), eleita em 2016 e acusada de pedir votos a membros de sua igreja. Após a sugestão, o TSE concluiu que a lei já prevê o combate ao abuso de poder religioso (assim como outros tipos de abuso). Entretanto, o TSE deixou claro que é importante pontuar a separação entre Estado e Igreja, uma vez que o Estado é laico (isto é, neutro em relação à religião, ao mesmo tempo que garante a liberdade religiosa).

Por fim, as próprias eleições de 2022 provam que nada mudou. Nas eleições de 2022, o número de candidatos cristãos eleitos, inclusive, aumentou. Em 2018, foram 18 eleitos, contra 21, em 2022. E nenhum está ameaçado de cassação.

Em resumo: a história que diz que o STF quer cassar candidatos cristãos eleitos é falsa! O  vídeo usado como prova é de uma mulher cristã que já se envolveu em diversas polêmicas ligadas à religião, inclusive, racismo religioso. Além disso, o vídeo é antigo, de 2020. As acusações da mulher já foram desmentidas pelo Coletivo Bereia e pelo Projeto Comprova. Segundo eles, o STF não quer cassar candidatos cristãos. Na realidade, a proposta de cassação por abuso religioso surgiu em 2020, mas não foi pra frente. O próprio TSE entendeu que a lei já ampara esse tipo de situação e já existe uma lei que combata o abuso religioso e outros tipos de abuso. Obviamente, a proposta não surgiu do nada, mas sim após diversas situações de denúncia de pedidos de votos dentro de igrejas. O fato é que nada mudou. Em 2022, tivemos 21 candidatos cristãos eleitos (contra 18, em 2018). Ou seja, a história não passa de balela!

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo siteFacebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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