Sigilo telefônico de Lula e de Adélio Bispo são mantidos enquanto de Bolsonaro é quebrado #boato

Boato – Enquanto sigilo telefônico de Lula, Dilma, Adélio Bispo, Maia e Toffoli são mantidos, o de Bolsonaro é quebrado.

Logo ao deixar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro afirmou que um dos motivos para sua saída era a insistência do presidente Jair Bolsonaro em interferir na Polícia Federal. Na época, Moro chegou a divulgar conversas pessoais entre os dois que mostrariam indícios dessas tentativas.

A partir daí, um vídeo de uma reunião ministerial que mostraria mais indícios da situação foi solicitado pelo STF e divulgado à população brasileira. As imagens causaram revolta em muitas pessoas e levaram os partidos PDT, PSB e PV a ingressarem, no STF, com uma notícia-crime, pedindo a apreensão de provas contra Bolsonaro.

Dentre os pedidos, está a apreensão do telefone celular de Bolsonaro. Mas teve gente que não gostou nada disso e, com isso, uma história começou a circular nas redes sociais. De acordo com uma publicação, diversos políticos e juristas, como Lula, Dilma, Moro, Rodrigo Maia e Dias Toffoli, e até o homem que tentou matar Bolsonaro, Adélio Bispo, tiveram o sigilo telefônico preservado. Enquanto isso, Bolsonaro teria sido o único a ter o sigilo telefônico quebrado. Confira:

“*Sigilo telefônico* *O sigilo telefônico de Lula, condenado 2 vezes em 3 instâncias é mantido. O sigilo telefônico de Renan Calheiros com 14 inquéritos parados no STF é mantido O sigilo telefônico de Dilma, acusada de obstrução da justiça com PROVAS é mantido. O sigilo telefônico de Maia, “Botafogo” da lista da Odebrecht é mantido. O sigilo telefônico de Tofolli o “Amigo do amigo do meu pai” é mantido. O sigilo telefônico de Gilmar Mendes que recebia verba pública pra sua faculdade e padrinho de um LADRÃO que ele soltou várias vezes é mantido. O sigilo do Verdevaldo vazador de grampos ilegais e de seu “marido” são mantidos. O sigilo telefônico de Manuela D’Ávila contato dos hackers com Verdevaldo é mantido. O sigilo telefônico de Jean Willys citado como apoiador de Adélio Bispo é mantido. O sigilo telefônico de Moro é mantido. O sigilo telefônico de TODOS os governadores envolvidos em falcatruas com o dinheiro público é mantido. O sigilo dos advogados de Adélio Bispo é mantido. O sigilo telefônico do HOMICIDA Adélio Bispo é mantido. Só o do presidente Bolsonaro tem que ser quebrado. Bando de Corruptos…………………………………….. Divulguem bastante para a mente abrir e a verdade resplandecer”.

Sigilo telefônico de Lula e de Adélio Bispo são mantidos enquanto de Bolsonaro é quebrado?

A publicação viralizou nas redes sociais e fez com que muitos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro ficassem revoltados. Mas será que essa história de que Bolsonaro teria sido o único a ter o sigilo telefônico quebrado é verdade? A resposta é não!

Vamos aos fatos! Para começo de história, a mensagem segue aquele velho roteiro de fake news na internet. Ela é vaga, bastante alarmista, possui erros de português, pedido de compartilhamento e não cita fontes confiáveis.

Além disso, uma simples análise dos tópicos do texto já é suficiente para derrubar a tese de que Bolsonaro estaria sendo perseguido por conta de uma suposta quebra de sigilo telefônico.

A publicação é recheada de acusações falsas, inclusive, embasadas em informações falsas já desmentidas aqui no Boatos.org, como a história que dizia que Jean Wyllys seria um apoiador de Adélio Bispo. O texto também erra ao citar que “alguns não tiveram o sigilo quebrado”.

Em 2016, Lula e Dilma tiveram o sigilo telefônico quebrado durante as investigações da Operação Lava Jato. Na época, o então juiz da operação, Sérgio Moro, chegou a divulgar um trecho da conversa entre Lula e Dilma, o que causou revolta entre algumas pessoas por conta dos grampos da conversa terem sido divulgados de forma ilegal.

Além disso, Dilma, Maia, Toffoli, Gilmar Mendes, Glenn Greenwald, Manuela D’Ávila, Jean Wyllys e Moro têm acusações que ou não se concretizaram ainda ou sequer não passam de boato ou não se configuram como crime.

No caso do ministro do STF Gilmar Mendes, o repasse de “verba pública para a sua faculdade” não tem nada demais. Sócio do Instituto Brasiliense de Direito Público, a instituição recebia dinheiro público por meio do programa de financiamento estudantil FIES. Ou seja, tudo dentro da lei. O mesmo ocorre com a ex-deputada Manuela D’Ávila e os hackers que divulgaram conversas entre os membros da Operação Lava Jato. Ela afirmou que, de fato, intermediou o contato entre o hacker e o jornalista. Mas até aí, não existe nada demais. Além disso, a própria Polícia Federal investiga o caso e, até o momento, não encontraram nada contra a ex-deputada.

Ao contrário do que aponta o texto, o sigilo telefônico de Adélio Bispo, homem que tentou matar o então candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro, foi quebrado sim. O fato ocorreu em 2018. Após análises, em maio de 2020, um segundo inquérito parcial da Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho e sem mandantes no atentado.

Em resumo: a história que diz que o sigilo telefônico de Lula e Adélio Bispo foram mantidos, enquanto o de Bolsonaro foi quebrado é falsa! A publicação apresenta muitas informações equivocadas sobre as pessoas citadas no texto. Além disso, ao contrário do que diz a história, várias pessoas citadas no texto já tiveram seus sigilos telefônicos quebrados, como Lula, Dilma e Adélio Bispo. Ou seja, a história não passa de balela. Até a próxima!

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99177-9164.

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