Manifestação de 7 de setembro terá intervenção militar, fim do STF e todos caminhoneiros parados por 72 horas #boato

Boato – Já está tudo organizado. No dia 7 de setembro, milhões de pessoas vão a Brasília, todos os caminhoneiros do Brasil vão parar e um documento “constitucional” vai decretar intervenção militar e o fim do STF e Congresso.

Depois da prisão de Roberto Jefferson, outros espalhadores de informações extremistas e falsas parecem ter ficado “xatiados”. Tanto que um textão começou a circular como se fosse aquele famoso “acabou p…” soltado pelo presidente Jair Bolsonaro. A data? 7 de setembro de 2021.

Com um caráter ufanista, a mensagem aponta que haverá uma “grande manifestação” em Brasília que vai resultar, olha só, em uma “intervenção militar constitucional”, com o fim do STF e do Congresso e em “poderes supremos” para Bolsonaro e o Exército. Isso seria possível com a ajuda de advogados, agronegócio e, principalmente, caminhoneiros do Brasil. Leia a mensagem que circula online:

Confira o desmentido em vídeo:

Pessoal do grupo acabei de receber notícia todos precisam ler. Sobre a manifestação do dia 07/09 todos sabemos porém tem alguns detalhes. Uma grande e vasta associação de advogados inclusive advogados que derrubaram a Dilma Presidente associação de agronegócio, Presidente associação criador de gado, Presidente de associação de exportação de soja. O cabeça de toda essa mobilização é o advogado Ivis Gandra. Fizeram um documento invocando o artigo 1° da constituição onde todo poder emana do povo. Portando todos poderes devem obedecer a vontade do povo.

Aí tem Sérgio Reis, Zezé de Camargo, Zé Trovão, Índio Terena entre outros artistas. E o tamanho do manifesto será gigante. O documento será entregue no dia 08/09 e eles já tem 500 mil pessoas certas para levarem para Brasília. Estão preparando cozinhas para alimentar o povo. 4 representantes do povo vão entregar esse documento para o PRESIDENTE do SENADO PAXECO pedindo para dissolver do STF, Congresso e do Senado. Este documento tem o apoio do PRESIDENTE BOLSONARO e do EXÉRCITO BRASILEIRO.

DARÃO 72 hs para ele tomar a decisão que a constituição manda ele fazer. Nesse momento todo Brasil todos caminhoneiros ficarão parados. Existe esse planejamento. Se o PRESIDENTE do senado Paxeco não acatar ele está desrespeitando a constituição. Ele não tem escolha. Pois é tudo constitucional. Se ele não aceitar será tudo trancado e depois de 72hs e todos caminhoneiros sairão dos postos e acostamentos aonde estarão e fecharão todas as estradas e avisaram que não passará ninguém. NÓS SABEMOS QUE PAXECO NÃO VAI ACEITAR. CONCLUSÃO vai parar à partir de 7/09 e a intenção é lotar BRASÍLIA COM NO MÍNIMO 1 milhão de pessoas pois 500 mil eles já se organizaram e estão confirmados. Temos que lotar BRASÍLIA E AV PAULISTA. Muitas entidades grandes eles irão para o tudo ou nada.

Manifestação de 7 de setembro terá intervenção militar, fim do STF e todos caminhoneiros parados por 72 horas?

Que coisa, não? O texto parece ter um tom ameaçador e até apontar para “algo que vai acontecer” só que não consegue nem garantir uma intervenção militar no hospício. Assim como outros casos, não passa de uma obra de ficção de muito mau gosto. São tantos os erros que vamos listar em tópicos.

Antes disso, vamos falar de alguns elementos no texto. Três nos chamaram atenção. O primeiro está nos inúmeros erros na citação dos personagens citados na história. Ives Gandra é citado como “Ivis Gandra”, Zezé Di Camargo é citado como “Zezé De Camargo”, Rodrigo Pacheco é citado como “Paxeco” e por aí vai.

O segundo está na falta de citação de fontes confiáveis que garantam todo esse cenário. Ao buscar por qualquer informação das fontes citadas, nada encontramos. O máximo que vimos foi uma manifestação de Sérgio Reis sobre o assunto. Sabe qual foi o resultado? Se você acha que foi “garantia de intervenção militar”, se engana. Apenas falsa polêmica em redes sociais.

O terceiro está no histórico. Tem gente tentando levar o Brasil “na marra” e ameaçando intervenção militar em um movimento organizado. Porém, toda a narrativa de que os militares “vão tomar o Brasil” para o bem do país não só é falsa como também não se sustenta. Imagine um país sem liberdade e com um presidente como Bolsonaro (que, se pudesse, obrigaria a população a se expor ao coronavírus durante toda pandemia)? Caos seria pouco.

Dados os pontos, vamos apresentar os erros que tornam a mensagem inviável. Vamos negritar para você entender: não haverá intervenção militar, fim do STF e fim do Congresso em 7 de setembro. Este papo é só para inflamar otário antidemocrático. Veja só:

Erro #1 – Intervenção militar é constitucional

Ao contrário do que aponta a mensagem, uma intervenção militar não é constitucional. A própria Câmara dos Deputados, depois de estudo, apresentou que o artigo 142 (apontado por muitos como “motivo”) não autoriza que as Forças Armadas tomem o poder.

Erro #2 – Artigo 1 (todo poder emana do povo) autoriza intervenção militar

Ao contrário do que aponta a mensagem, o “povo” não quer intervenção militar. Há a impressão de que muitos querem a volta da Ditadura, mas trata-se apenas de um grupo miliciano digital que atenta contra a democracia e está sendo desbarato aos poucos (por isso a irritação deles). O povo quer comida, saúde, educação, emprego, vacina, dignidade e liberdade. Isso não se garante com tanques ou ditadores.

Erro #3 – Artistas e documento vão garantir o fim do STF, “Congresso e Senado”

A tese de que artistas vão patrocinar a entrega de um documento para o presidente do Senado “pedindo o fim do STF, Congresso e Senado” (redundante, não?) já soa ridícula. Mesmo que isso ocorra, um documento como esse não teria validade nenhuma (por não ter peso jurídico). Dificilmente teria apoio de Bolsonaro e mais dificilmente do Exército. Até porque, ao contrário do que aponta a mensagem, não é constitucional.

Erro #4 – Caminhoneiros vão parar o Brasil para pedir o fim do STF e intervenção militar

Estes textos tratam os caminhoneiros como se fosse uma massa de lunáticos controlada por Bolsonaro. É impossível que uma pauta como essa (inviável, por sinal) fará caminhoneiros realizarem uma greve. A classe (assim como tantas outras) é heterogênea politicamente. Na prática, “meia dúzia” pode até aderir ao movimento. Mas a maioria não vai e até os “revoltados” terão que voltar a trabalhar.

Vale apontar que esse tipo de boato de caminhoneiro vai parar por causa da intervenção militar é mais do que batido e, como já explicamos (exemplos aqui e aqui), caminhoneiros não param por pautas políticas. Assim como outras classes, apenas uma reivindicação profissional poderia os fazer parar.

Erro #5 – Cravar que haverá 1,5 milhão de pessoas em Brasília

Estamos em um cenário de pandemia (que limita a manifestação apenas a quem acha que intervenção é mais importante do que o coronavírus), a pauta (pelos motivos apresentados) beira a insanidade e o recorde de manifestantes na Esplanda dos Ministérios é de 100 mil pessoas (na manifestação pró-impeachment de Dilma). Com isso, é improvável que apareçam 1,5 milhão de pessoas em Brasília para “pedir intervenção militar” em 7 de setembro.

Resumindo: com isso, podemos dizer que a mensagem que circula online não passa de mais um texto ufanista “patrocinado” por grupos que não querem democracia, sem embasamento e que só serve para enganar as pessoas.

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61) 99458-8494.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet