Lívia Gomes Terra é procurada pelo atentado contra Bolsonaro #boato

Boato – Uma mulher passou a faca para Adélio Bispo de Oliveira atacar Bolsonaro. Ela se chama Lívia Gomes Terra e é procurada pela Polícia Federal.

Três vezes pode pedir música? Se for assim, já podemos pensar em uma trilha sonora para ilustrar a acusação contra três mulheres que está viralizando nas redes sociais. Já falamos sobre o caso da Maria Clara de Paula Ribeiro Tarabal e da Aryane Campos. Agora vamos falar da acusação que recai sobre Lívia Gomes Terra.

De acordo com uma mensagem que viralizou no WhatsApp e Facebook, Lívia Gomes Terra, diretora do Sindicato dos Bancários em Juiz de Fora (Sintraf), seria a pessoa que passou a faca para Adélio Bispo de Oliveira atacar Jair Bolsonaro.

Assim como nos outros casos citados, tudo começou com uma tese que surgiu na internet: a de que uma mulher teria “passado uma faca” para um homem, que teria passado a faca para Adélio Bispo de Oliveira atacar Bolsonaro. A teoria, nem de perto comprovada (até porque não tem muita lógica as pessoas ficaram passando uma faca de mão em mão na multidão), fez com que as pessoas buscassem alucinadamente a pessoa do vídeo.

De alguma forma (sabe Deus como), as pessoas começaram a achar que a pessoa do vídeo era Lívia Gomes Terra. Mais do que isso, as pessoas começaram atribuir à diretora do Sintraf a foto que estava no perfil do Twitter claaribeir0 (tem detalhes sobre ele aqui). Leia a mensagem que começou a circular online:

Identificada pela PF e polícia mineira, a moça que aparece no vídeo passando a faca p/ um homem, que a entregou posteriormente ao agressor Adélio. Trata-se de LÍVIA GOMES TERRA, diretora do Sindicato dos Bancários em Juiz de Fora (SINTRAF), funcionária da Cx. Econômica Federal, filiada ao PT. Suspeita-se que os 4 advogados que defendem o Adélio, estejam sendo bancados pelo SINTRAF, com apoio da CUT nacional. As polícias agora buscam identificar o homem que entregou a faca ao Adélio, como também outros indivíduos que teriam participado no planejamento e na implementação do ataque ao candidato, inclusive o indivíduo que aparece no vídeo, socando a vítima desacordada, após a consumação do atentado.A investigação prossegue…

Lívia Gomes Terra é procurada pelo atentado contra Bolsonaro?

A acusação contra Lívia Gomes Terra foi a última (até o momento) que viralizou na internet. Mas será que, desta vez, a “internet acertou” e descobriu que a Polícia Federal procura alguém pelo atentado contra Bolsonaro? A resposta é não. Vamos aos fatos.

Assim como nas histórias de Maria Clara de Paula Ribeiro Tarabal e de Aryane Campos, a explicação começa no fato de que a tese “da mulher que passou a faca” não está comprovada (aliás, é uma tese bem fraquinha, mas vamos deixar para a PF descartar). Nesta matéria da Agência Estado, a Polícia Federal chega a falar que a mulher já foi identificada e prestará depoimento, mas também não há provas de seu envolvimento com o crime

Segundo ponto: essa informação já derruba a tese de que a “mulher da faca” seria “procurada pela polícia” ou mesmo “acusada”. Desnecessário dizer que o nome de Lívia Gomes Terra também não está na lista de “procuradas” da Polícia Federal pelo atentado a Bolsonaro.

Também como nos outros casos, dava para parar aí. Mas fomos além. Resolvemos procurar pela Lívia Gomes Terra e descobrimos duas coisas: 1) Ela não se parece com a mulher que está no vídeo (muito menos com a claaribeir0). 2) Ela lançou uma nota de esclarecimento em que explica que foi fazer uma denúncia até a Polícia Federal de Juiz de Fora.

NOTA DE ESCLARECIMENTO Prezados, Antes de mais nada agradeço todas as manifestações de apoio que recebi nestas últimas 24 horas (um pouco mais), período em que sofri um forte ataque de apoiadores do candidato a presidência do PSL que queriam me imputar participação no odiento atentado que ocorreu na última quinta-feira aqui em Juiz de Fora.

Como não poderia ser diferente, me defendi aqui e perante as autoridades. Há poucas horas estive na sede da Polícia Federal acompanhada de meus advogados onde fui cordialmente recebida e muito bem atendida pelo Dr Rodrigo Morais Fernandes, delegado responsável exclusivamente pelo caso em questão.Sob orientação da OAB/JF e na presença dos meus advogados, fizemos relato detalhado do crime cibernético que estou sendo vítima. Tal delegado reafirmou minha total desconexão com o caso em questão e expediu documento padrão de denúncia de notícias falsas para a PF e mídia de todo o país relatando o ocorrido e corroborando com minha total inocência.no caso.

Logo após, me dirigi ao posto policial onde protocolei Boletim de Ocorrência por Calúnia, Injúria, Difamação e Ameaça onde apontei alguns assediadores que pude identificar. Tão logo o BO fique pronto, meus advogados entrarão com a representação necessária para que todos aqueles (mesmo os ainda não identificados) que incorreram nesses crimes contra a minha pessoa respondam judicialmente por suas ações. Espero que este sórdido episódio cesse neste momento, mesmo porque reportarei cada nova acusação às autoridades que já estão cientes desse absurdo. No mais, desejo a todos nós eleições limpas, democráticas, pacíficas e justas. Abraços!

A segunda acusação, de que o Sintraf está pagando os advogados de Adélio Bispo de Oliveira, também foi desmentida em nota oficial do sindicato (veja no próximo parágrafo). Vale dizer também que não há nenhuma acusação “formal” da PF contra a entidade. 

NOTA DE ESCLARECIMENTO Diante das falsas e infundadas publicações postadas em redes sociais, por pessoas sem o conhecimento mínimo dos fatos apurados pela Polícia Federal – no inquérito que investiga o lamentável atentado contra o presidenciável do Partido Social Liberal (PSL) na última quinta-feira (6) – a Diretoria do Sindicato dos Bancários da Zona da Mata e Sul de Minas vem a público esclarecer que repudia toda e qualquer acusação desprovida de provas contra a diretora de Bancos Públicos, Lívia Gomes Terra, bem como jamais patrocinou, patrocina ou patrocinará quaisquer ações contra o Estado Democrático de Direito.

Repudiamos todos aqueles que se valem das redes sociais para disseminar ódio e intolerância, cometendo crimes cibernéticos, falsas acusações e ameaças com intuito de imputar à diretora do Sindicato, Lívia Gomes Terra, e ao SINTRAF JF participação e/ou responsabilidade no atentado.

A história do Sindicato e de seus diretores sempre esteve vinculada à defesa dos direitos da classe trabalhadora e da categoria bancária. Seu departamento jurídico é composto por advogados comprometidos, unicamente, com a defesa destes interesses, sendo inteiramente descabida a especulação de que os advogados do homem preso pela agressão seriam remunerados por este sindicato.

Reafirmamos nosso compromisso histórico com a defesa do Estado Democrático de Direito, repudiamos qualquer ação violenta e, da mesma forma, toda acusação leviana que ponha em dúvida nossas ações, objetivos e a integridade dos dirigentes dessa entidade.Informamos que medidas judiciais já estão sendo tomadas para a devida apuração das responsabilidades daqueles que, aproveitando-se desse lamentável acontecimento, tentam acirrar ainda mais as disputas fora das regras democráticas. Diretoria SINTRAF JF

Resumindo: novamente estamos aqui para falar que a tese da mulher que passou a faca para Adélio Bispo de Oliveira não passa de especulação sem comprovação, que Lívia Gomes Terra não tem nada a ver com a mulher que aparece no vídeo e que ela mesmo já desmentiu a história. Ou seja, um terceiro boato de mais do mesmo. Chega de acusar injustamente, né?

Ps.: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo site, Facebook e WhatsApp no telefone (61)99177-9164.

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Edgard Matsuki

Jornalista e caçador de falcatruas na internet

Um comentário em “Lívia Gomes Terra é procurada pelo atentado contra Bolsonaro #boato

  • 10/09/2018 em 16:20
    Permalink

    Não conhecia esta “notícia”, tomei conhecimento agora, através do https://www.boatos.org.
    Nesse caso se apresenta um álibi, para provar que não se estava no local.
    Mas, como dizem: “depois que o travesseiro é rasgado e as penas se espalham, é difícil juntá-las de novo”.
    Uma pena fazerem uma injustiça dessa com alguém inocente.

    Resposta

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